Desgenerificando a dança de salão na escola: uma intervenção pedagógica no estágio supervisionado
DOI:
https://doi.org/10.20952/revtee.v18i37.24120Palavras-chave:
educação, gênero, formação docente, dança, prática pedagógicaResumo
Este artigo analisa uma experiência de estágio curricular supervisionado (ECS) em dança, desenvolvido em escola pública, que problematizou as normas de gênero na dança de salão, a partir de uma intervenção pedagógica orientada pela desgenerificação. O trabalho problematizou as categorias “cavalheiro” e “dama” usadas na dança, propondo em seu lugar “condutore/condutora/condutor” e “conduzide/conduzida/conduzido”. A intervenção, realizada com estudantes do curso técnico em dança, incluiu a criação de uma coreografia que mesclou movimentos convencionalmente associados a performances “masculinas” e “femininas”. Os resultados indicam que a proposta não apenas ampliou o repertório expressivo das/os estudantes, mas também fomentou um ambiente mais equitativo e acolhedor, permitindo a livre experimentação, independentemente de orientações sexuais e identificações de gênero. Conclui-se que a desgenerificação da dança de salão representa uma importante ferramenta pedagógica para a educação das relações de gênero na escola, contribuindo com a formação de professoras/es mais críticos e com a construção de práticas educativas antissexistas e inclusivas.
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