v. 12 n. 01 (2025): Jan./Jun. 2025 - Boletim Historiar
É com imensa satisfação que anunciamos o lançamento da primeira edição de 2025 da revista eletrônica Boletim Historiar, vinculada ao Grupo de Estudos do Tempo Presente da Universidade Federal de Sergipe (GET/UFS/CNPq). Este número é composto por sete artigos que versam sobre temas diversificados como a violência política contra a mulher, questões concernentes às abordagens da imprensa e sua ligação com a ditadura civil-militar, no que diz respeito aos estudos em torno dos limites entre a realidade virtual e a vida real, sobre as representações da guerra no cinema, relativo às moedas sociais alagoanas e sua contribuição para o comércio local, no tocante à História Pública e o dever democrático, além de uma resenha cuja abordagem enfatiza a resistência como estratégia de combate na República Dominicana pós-governo de Rafael Trujillo.
Desta feita, o primeiro texto, nomeado A violência política contra “militantes do afeto”, é uma análise de 116 transcrições referentes aos depoimentos civis de mulheres coletados pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), entre os anos 2012 e 2014. O objetivo da autora Nicole Maria Babugia Pinto é investigar sobre as graves violações ocorridas entre 1946 e 1988, através das narrativas de mulheres que auxiliaram na resistência à ditadura militar (1964-1985) mediante seus relacionamentos afetivos.
Na mesma linha temática, o artigo Imprensa tradicional, vigilância secreta: reflexões sobre o jornalismo tradicional piauiense durante a fase inicial da Ditadura Civil-Militar, dos autores João Victor da Costa Rios e Cláudia Cristina da Silva Fontineles, buscou examinar como se deram as discussões da imprensa tradicional do Piauí entre a fase inicial da ditadura civil-militar e o Ato Institucional nº 5. Para tanto, analisa-se, nesse enquadramento, se existiram ou não abordagens de resistência contra a ditadura em periódicos tradicionais piauienses.
Por sua vez, Gian Luca Gonzato, em Historical game in real life: uno studio sul confine tra realtà virtuale e real life, investiga as práticas pós-jogo em torno dos jogos históricos mediante análise de mods, discussões em fóruns e reflexões dos jogadores. O intuito é perceber os tipos de impactos que esses jogos têm nas percepções de realidade dos jogadores ao se engajarem com um jogo histórico e o que os seus comportamentos subsequentes nos diz sobre a circulação do passado em certos espaços virtuais.
Já em Johnny Vai à Guerra: pacifismo e crítica da guerra na obra cinematográfica de Dalton Trumbo, Diego Leonardo Santana Silva elabora uma análise em torno da adaptação cinematográfica da obra Johnny Vai à Guerra, dirigida por Dalton Trumbo e lançada em 1971. Para tanto, o autor utiliza o método de decomposição de filme proposto por Manuela Penafria, analisando a película em partes e dando ênfase aos questionamentos sobre o papel da luta pela democracia, do questionamento quanto à fé e do papel da mecanização da morte.
No quinto artigo,Moedas sociais alagoanas: Terra, Bertholet, Sururote, Caatinga e ÉDG, os autores Luciana Luz Ferreira, Juliana Ferreira dos Santos e Willames de Santana Santos se debruçaram na catalogação e análise numismática das cinco moedas sociais alagoanas estudando as contribuições sociais, ambientais, educacionais e econômicas das associações civis envolvidas, bem como os impactos no desenvolvimento do comércio local, na promoção da circulação de recursos no interior da comunidade, além da ampliação ao acesso de crédito bancário nesse contexto.
Enquanto isso, Helena Ragusa, Márcio José Pereira e Cyntia Simioni França, em A “Festa da Selma”, o 8 de janeiro e a crise da democracia no Brasil recente: desafios da História Pública frente ao autoritarismo, analisa a atuação da História Pública diante dos desafios impostos pelo avanço da extrema direita no Brasil contemporâneo e seus desdobramentos. A partir da reflexão sobre o atual cenário político, os autores investigaram os discursos extremistas por parte de grupos organizados em alguns espaços, promovendo a então tentativa de golpe de Estado.
Por fim, encerrando a edição, a resenha A resistência como estratégia de combate na República Dominicana pós-Trujillo: uma análise da obra Épica, de Alexandre Firmo dos Santos apresenta uma análise do livro Épica: resistência patriótica en la zona norte durante la llamada “Operación Limpieza, publicada em 2023, cuja autoria é do historiador e artista dominicano Guaroa Ubiñas Renville. A obra analisa o contexto em que a República Dominicana (RD) se encontrava no período definido pelos estudiosos como “Pós-Trujillo”, ou seja, uma série de ocorrências que se desdobram logo após a morte do então ditador Rafael Trujillo em 30 de maio de 1961. Nesta contextualização, destaca-se o breve governo de Juan Bosch (1963) no qual foi constituído de maneira democrática pelo voto popular depois de um regime ditatorial que durou cerca de 30 anos.
Sendo assim, agradecemos a todas/os pela colaboração e apoio com submissões de textos e a divulgação do periódico. Desejamos uma excelente leitura!
As editoras.
Capa: A Deusa (1978) de José Barbosa