A escola e as (in) visibilidades de crianças fronteiriças: um estudo entre as cidades de Corumbá (Brasil) e Puerto Quijarro (Bolívia)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20952/revtee.v18i37.23909

Palavras-chave:

Escola, Fronteira, Invisibidade

Resumo

O estudo analisa as (in)visibilidades de crianças fronteiriças nas escolas de Corumbá (Brasil) e Puerto Quijarro (Bolívia), focalizando aquelas nascidas no Brasil, residentes na Bolívia e matriculadas em escolas brasileiras. Com abordagem qualitativa e delineamento de estudo de caso, foram aplicados formulários abertos a quinze jovens universitários de origem boliviana, cujas respostas foram examinadas por meio da Análise de Conteúdo. Os resultados revelam que barreiras linguísticas, práticas pedagógicas homogêneas e avaliações centradas na norma do português contribuem para a invisibilidade desses alunos. A cultura escolar tende a ignorar as diferenças culturais e linguísticas, produzindo exclusões simbólicas e afetivas. Em contrapartida, o jogo e a brincadeira, dimensões da cultura lúdica, emergem como espaços de reconhecimento e visibilidade, permitindo a expressão identitária e a integração entre pares. Conclui-se que práticas pedagógicas interculturais são essenciais para valorizar a pluralidade das infâncias fronteiriças.

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Biografia do Autor

Rogério Zaim-de-Melo, Universidade Federal do Mato Grosso Sul

Licenciado em Educação Física pela UNESP, Rio Claro (1997), Mestre em Educação Física pela USP (2003) e Doutor em Ciências Humanas, Educação pela PUC-Rio (2017). É docente do curso de Educação Física e do Mestrado em Estudos Fronteiriços da Universidade Federal do Mato Grosso Sul (UFMS) - Câmpus do Pantanal, desde agosto de 2010. Líder do Grupo de Estudos e Pesquisa em Cultura Lúdica, Circo, Educação Física e Esporte (CLUCIEFE). Pesquisador do CIRCUS - Grupo de Pesquisa em Circo, Unicamp. Coordena o Grupo de Atividades Circenses Los Pantaneiros. Concentra suas pesquisas nas relações entre o Circo e a Educação Física, e a Cultura Lúdica e a Educação Física; Idealizador do projeto de Extensão: "O circo vai as Escolas da Águas", que tem o objetivo de levar o circo a população que vive nas áreas alagadas do Pantanal.

Rosalia Maria Duarte, Universidade Federal do Mato Grosso Sul

Possui graduação em Psicologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1984), Mestrado em Educação pela Fundação Getúlio Vargas - RJ (1991); Doutorado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2000). Atualmente é professora do Programa de Pós Graduação em Educação Social, do Campus do Pantanal, da UFMS.

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Publicado

2025-12-31

Como Citar

Zaim-de-Melo, R., & Duarte, R. M. (2025). A escola e as (in) visibilidades de crianças fronteiriças: um estudo entre as cidades de Corumbá (Brasil) e Puerto Quijarro (Bolívia). Revista Tempos E Espaços Em Educação, 18(37), e23909. https://doi.org/10.20952/revtee.v18i37.23909

Edição

Seção

Publicação Contínua