A terma "Travesti" e o contexto brasileiro
desafios de representação e inserção em vocabulários internacionais LGBTQ+
DOI:
https://doi.org/10.33467/conci.v8i.23602Palavras-chave:
Controle de Vocabulario, Gênero, Representação da informação, Vocabulários controladosResumo
O artigo discute os desafios de representar a identidade de gênero travesti no vocabulário internacional Homosaurus. Partindo de revisão histórico-sociocultural sobre a construção da travestilidade no Brasil, o estudo adota abordagem qualitativa e interpretativa. O corpus consiste no próprio Homosaurus, analisado em seus formatos alfabético, hierárquico e de busca. Examinaram-se termos, notas de escopo e relações semânticas vinculadas a “travesti”, identificando lacunas e descrições universalizantes que invisibilizam especificidades brasileiras. A análise demonstra que o termo existente (“Travestis”) não contempla a dimensão político-identitária latino-americana, reproduzindo visão binária centrada no Norte Global. Propõe-se, então, a inclusão de “Travesti (Brasil)” como termo controlado, com nota de escopo que reconheça seu caráter híbrido, histórico e autopoiético. Conclui-se que controlar vocabulários semânticos sem atenção à interseccionalidade reforça epistemicídios; por outro lado, ajustes críticos em Sistemas de Organização do Conhecimento podem promover justiça cognitiva e ampliar o acesso à informação para populações trans e travestis.
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