O corpo colonizado e o governo por algoritmos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20952/revtee.v19i38.24022

Palavras-chave:

corpo colonizado, Algoritmo, Modernidade, Tecnologia

Resumo

O corpo nos é apresentado como um ponto de entrada para a compreensão do processo de colonização, que se materializa nas últimas décadas por meio de tecnologias digitais, na forma da governamentalidade algorítmica. A modernidade implicou uma relação de dominação subjugadora sobre a natureza, centrada na tecnociencia, pilar fundamental da relação técnico-instrumental que possibilitou a dominação de outros considerados inferiores. Humanos, brancos e europeus pavimentaram o caminho para um processo colonizador que se atualiza tecnicamente hoje por meio da existência de algoritmos, que dão continuidade, intensidade e amplitude a uma governamentalidade agora robotizada, globalizada e individualizada. Assim, o colonialismo atual, desprovido de um Estado-nação opressor ou dos processos de aculturação em massa típicos do século XX, tem como arena o capitalismo de plataformas, e como alvo indivíduos e corpos cada vez mais isolados em sua relação simbiótica com os dispositivos digitais, e com as plataformas e aplicativos das Big Techs. Apontar para o corpo no atual processo colonizador permite analisar a configuração de novas subjetividades pautadas no controle, na vigilância e na normalização exercidos agora por algoritmos, nos quais não apenas dominam-se inferioridades geopolíticas, mas instauram-se novos modos de ser, existir e sentir como efeito de novas dinâmicas de poder e saber.

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Biografia do Autor

Macarena Elzaurdia, Universidad de la República

Professora de la Universidad de la Republica (Uruguay). Doutoranda em Ciências Humanas pelo Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH) da UFSC. 

Fabio Zoboli, Universidade Federal de Sergipe - UFS

Professor do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Pós-doutor em Educação pela Universidad Nacional de La Plata (UNLP-Argentina). Membro do grupo de pesquisa “Corpo e política”.

Santiago Pich, Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

Pós-doutorado em Educação pela Universidade de Barcelona (UB). Doutor em Ciências Humanas pelo Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH) da UFSC. Professor do Departamento de Estudos Especializados em Educação (EED/CED) e do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da UFSC. Líder do grupo de estudos e pesquisa LAPSB.

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Publicado

2026-01-03

Como Citar

Elzaurdia, M., Zoboli, F., & Pich, S. (2026). O corpo colonizado e o governo por algoritmos. Revista Tempos E Espaços Em Educação, 19(38), e24022. https://doi.org/10.20952/revtee.v19i38.24022

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Publicação Contínua