O corpo colonizado e o governo por algoritmos
DOI:
https://doi.org/10.20952/revtee.v19i38.24022Palavras-chave:
corpo colonizado, Algoritmo, Modernidade, TecnologiaResumo
O corpo nos é apresentado como um ponto de entrada para a compreensão do processo de colonização, que se materializa nas últimas décadas por meio de tecnologias digitais, na forma da governamentalidade algorítmica. A modernidade implicou uma relação de dominação subjugadora sobre a natureza, centrada na tecnociencia, pilar fundamental da relação técnico-instrumental que possibilitou a dominação de outros considerados inferiores. Humanos, brancos e europeus pavimentaram o caminho para um processo colonizador que se atualiza tecnicamente hoje por meio da existência de algoritmos, que dão continuidade, intensidade e amplitude a uma governamentalidade agora robotizada, globalizada e individualizada. Assim, o colonialismo atual, desprovido de um Estado-nação opressor ou dos processos de aculturação em massa típicos do século XX, tem como arena o capitalismo de plataformas, e como alvo indivíduos e corpos cada vez mais isolados em sua relação simbiótica com os dispositivos digitais, e com as plataformas e aplicativos das Big Techs. Apontar para o corpo no atual processo colonizador permite analisar a configuração de novas subjetividades pautadas no controle, na vigilância e na normalização exercidos agora por algoritmos, nos quais não apenas dominam-se inferioridades geopolíticas, mas instauram-se novos modos de ser, existir e sentir como efeito de novas dinâmicas de poder e saber.
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