DE FLORES E CHÃOS: OUTRAS TRILHAS DE CAMINHANDO
DOI:
https://doi.org/10.32748/revec.v4i1.9498Resumo
O artigo analisa a canção “Pra não dizer que não falei das flores” (mais conhecida como “Caminhando”), do cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré, buscando ressituá-la em seu contexto histórico imediato e sopesando seu efetivo valor estético, no âmbito e para além desse contexto, a saber, o período imediatamente à instauração do Ato Institucional número 5 pelo regime militar que governava o Brasil. Partindo de uma provocação do dramaturgo Nelson Rodrigues a respeito de uma suposta contradição político-estética na canção de Vandré à época de sua apresentação no III Festival Internacional da Canção em 1968, buscamos indicar como essa contradição se liga a tensões de base na obra do compositor. Em seguida, discutimos o peso, o valor e os trânsitos semânticos dos principais topoi trabalhados na canção e esboçamos uma aproximação contrastiva da mesma com outras canções de Vandré, de modo a sondar a construção do que se pode denominar uma “narrativização-ficcionalização de si” no conjunto de sua obra. Finalmente, rematando esse percurso, tentamos demonstrar a presença, em “Caminhando”, de rastros utópicos irredutíveis à injunção revolucionária de se fazer a hora histórica,
expressa num primeiro plano de sua letra.
Palavras-chave: Arte e política. Canção popular brasileira. Estudos literomusicais. Lírica e narratividade.
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