COLORISMO E PRISÃO
REFLEXÕES SOBRE A UTOPIA DE UMA SOCIEDADE SEM RACISMO
DOI:
https://doi.org/10.32748/revec.v8i20.17878Resumo
A análise sistemática da utopia como modo de pensamento teve início com a publicação de Ideologia e utopia, por Karl Mannheim em 1929. Este autor estabeleceu uma distinção entre o pensamento ideológico, que descreve uma versão idealizada da realidade corrente, e o pensamento utópico, que projeta uma novo modelo de sociedade. Ao longo do tempo, todavia, o termo “utopia” foi sendo usado de forma a comportar esses dois significados. Por isso, pode-se dizer ser possível identificar a presença de um elemento utópico em muitas formas de pensamento. De forma geral, a palavra descreve uma comunidade ideal, livre de conflitos, que incorpora um conjunto definido de valores e permite uma experiência de completa satisfação das necessidades humanas. A superação de esquemas político-ideológicos que produzem subalternidades entre as pessoas pode ser considerando, nesse sentido, um projeto que carrega em si um elemento utópico. Nesse texto procuro refletir sobre o horizonte utópico da superação da noção de raça enquanto ferramenta criadora e reprodutora do racismo, pontuando as implicações do caráter fluido das classificações raciais viabilizado pela lógica do que convencionou-se chamar de Colorismo.
Para tal, farei o estudo de caso sobre o processo de atribuição de identidades raciais no Sistema Prisional de Sergipe do pós-abolição, mais precisamente em 1896. Nesse exercício, as condições históricas (culturais, intelectuais e políticas) do recorte temporal escolhido serão lidas numa perspectiva crítica e dialógica.
Palavaras-Chave: Utopia - Racismo - Sistema Prisional
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