CATÁBASE E TANATOGRAFIA EM DOSTOIÉVSKI
O SUBTERRÂNEO NA DECOMPOSIÇÃO BIOGRÁFICA DA PROSA DE DEFORMAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.32748/revec.v7i18.15991Resumo
O presente trabalho se dedica às composições O Crocodilo (1864), Memórias do subsolo (1864) e Bobók (1873), de Fiódor Dostoiévski. A escolha dos títulos decorre do mapeamento de um escritor em formação e a sua utilização do riso e da tradição do diálogo dos mortos para consolidar sua prosa de deformação. A partir da ideia de catábase – cunhada na Antiguidade – abordamos os preceitos sobre catábases, estudados como “viagens aos infernos”, pelo helenista Eudoro de Sousa (2013) e a teoria da Tanatografia, referente à “escrita de morte” (SILVA JUNIOR, 2008; 2009), para que se examine essa prosaística do subsolo tecida pelo autor de Os Demônios em uma década crítica para a política e economia russa. Tendo em vista a linhagem sério-cômica, renovada por Mikhail Bakhtin (2002b), extraímos o fenômeno catabático localizado em gêneros sérios da antiguidade e apontamos suas repercussões semântico-estilísticas nos diálogos dos mortos em prosa. Na modernidade, desde as excursões pantagruélicas, os volteios shandyanos, até a consolidação da polifonia dostoievskiana no século XIX, a decomposição biográfica surge neste panorama como modus operandi do fenômeno que leva à autoconsciência narrativa (self-consciousness genre). Guiados por esses cruzamentos, traçamos um paralelo entre a tradição catabática e as obras tanatográficas de Dostoiévski para compreendermos, finalmente, de que modo o ser subterrâneo, em tais narrativas, empreende transposições liminares em linguagem carregada de humor e de cinismo-filosófico, tão característicos da prosa de deformação.
Palavras-chave: Catábase. Decomposição biográfica. Tanatografia
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