Avisos

Chamada volume 47 especial de 20 anos Estudos Comparados: Leitura, Tradução e Recepção

O Conselho Editorial da Interdisciplinar: Revista de Estudos de Língua e Literatura está com chamada aberta para  o volume especial 47 

Organizadores/a: Carlos Magno Gomes (UFS/CNPq),  Cristina Beatriz Fernández (UNMDP – Argentina) e Tiago Silva (UFBA).

Este volume comemora 20 anos de criação deste periódico, reforçando as parcerias parcerias com os/as organizadores/as  Carlos Magno Gomes (UFS/CNPq),  Cristina Beatriz Fernández (UNMDP – Argentina) e Tiago Silva (UFBA). Este volume  edição propõe reflexões sobre as novas abordagens dos Estudos Comparados com o recorte para Leitura, Tradução e Recepção do Texto Literário.  Recebemos artigos em consonância com as ODS: 04 Educação de Qualidade, 05 Igualdade de gênero, 10 Diminuição das desigualdades e 16 Paz Justiça e Instituições Eficazes, sobretudo quando articulamos conceitos do campo literário para valorizar os Direitos Humanos, os estudos inclusivos, a literatura de autoria feminina, as práticas de pesquisa antirracista, o ensino crítico da leitura literária de obras em língua portuguesa e/ou estrangeiras, entre outras. Os textos devem estar articulados com os debates sobre a Literatura Comparada: Leitura, Tradução e/ou Recepção,  ou interseccionando os estudos literários com outros conhecimentos e outras artes, abrindo espaço para abordagens contemporâneas da área.

Prazo para recebimento via plataforma da revista até 20/08/2026.

Veja as normas em Submissões.

Chamada aberta para volume 46: Entre a representação e a fabulação de outros mundos: maternidades na literatura contemporânea

Convidamos para compor esse dossiê trabalhos de pesquisa que articulem inquietações, debates e análises em torno da literatura e da escritura de outras maternidades, principalmente as que questionam e ironizam a representação das imagens e relações maternas edificadas sobre as bases do patriarcado. Também aguardamos trabalhos de pesquisa que levem em consideração a representação do corpo que gesta ou da pessoa que executa a função materna, marcada por uma sociedade misógina e insistente sobre os papéis de gênero, e como estes corpos podem insurgir frente a um sistema de códigos, regras e scripts historicamente sedimentados no imaginário social. 

Organizadoras:  Lúcia Osana Zolin, da Universidade Estadual de Maringá (UEM); Vânia Maria Ferreira Vasconcelos, da Universidade Estadual do Ceará (UECE); e Profa. Dra. Jocelaine Oliveira dos Santos, do Instituto Federal de Sergipe (IFS)

Ementa: Se a literatura ficciona para dizer alguma verdade sobre o humano, ao representar e problematizar o contexto em que emerge, o que autoras, sobretudo as contemporâneas, têm a dizer sobre corpos que maternam? Partindo dessa pergunta ampla e central, e considerando a enorme extensão de sua reposta, convidamos para compor esse dossiê trabalhos de pesquisa que articulem inquietações, debates e análises em torno da literatura e da escritura de outras maternidades, principalmente as que questionam e ironizam a representação das imagens e relações maternas edificadas sobre as bases do patriarcado. Também aguardamos trabalhos de pesquisa que levem em consideração a representação do corpo que gesta ou da pessoa que executa a função materna, marcada por uma sociedade misógina e insistente sobre os papéis de gênero, e como estes corpos podem insurgir frente a um sistema de códigos, regras e scripts historicamente sedimentados no imaginário social. Enquanto tecnologia de gênero e de opressão das experiências de mulheres (Lauretis, 1994), sabemos que o discurso maternalista (Iaconelli, 2023) se espraia pelos objetos culturais, pelas práticas de vida e pelas formas de experienciar o mundo. O discurso sobre ser ou não mãe, sobre o que é uma mãe, ou sobre como deveria ser uma mãe, é uma experiência para todas as pessoas com útero, queiram ou não queiram, apontando para uma pedagogia dos afetos que nos coloniza pela eficácia dos seus dispositivos, sendo a maternidade, ao lado do casamento, do trabalho doméstico e do cuidado compulsórios, instrumentos por excelência rumo a essa empreitada (Zanello, 2018). Por isso, seguimos convivendo com a idealização da figura materna e seu mito do amor incondicional, intrinsecamente ligado a interesses sociais, econômicos e religiosos. Ao mesmo tempo, vemos despontar ou vir à tona uma literatura, sobretudo a produzida por mulheres do Sul Global, que enseja fabular outros mundos a partir do questionamento e da complexificação destes lugares. Se considerarmos desde os processos de representação da mãe Jocasta e seu filho Édipo, mitos fundadores explicativos de arranjos sociais e processos de subjetivação, por exemplo, e que servem como esteios fundamentais para pensarmos as literaturas ocidentais, veremos toda uma miríade de mães e filhos escritos ao longo dos séculos. Hoje, porém, inúmeras dessas representações no campo literário suspendem ideais hegemônicos-patriarcais de maternidade circulantes, sobretudo pela insistente tomada da voz e da escrita por mulheres na contemporaneidade que escrevem, mas que ainda seguem encontrando obstáculos para terem seus textos circulando e publicados na sociedade. Como a literatura é também um campo de produção cultural de sentidos que transcende o estético, se imiscuindo, anunciando e alargando as possibilidades de mundo enquanto processo de interpelação discursiva, este dossiê se interessa em pensar como os papeis sociais atribuídos às mulheres nas relações mães/filhos/as apontam hoje para maternidades polifônicas e que rompem com a histórica dicotomia “natural-biológico”, indo para além dos modelos socialmente hegemônicos da boa-mãe, oposta à “mãe desnaturada”, ou seja a que vai de encontro a sua natureza. Esta temática nos motiva a pensar: pode a Literatura, sobretudo a Contemporânea, questionar o lugar social de boa mãe (Badinter, 2021) e tensionar o discurso maternalista para assim operar a possibilidade de outros gestos de interpretação sobre o tema? Por meio de investigações plurais, interessa-nos, portanto, dialogar a partir dos inúmeros avanços dos feminismos, da crítica literária feminista e dos estudos literários, e debater o tema das maternidades num movimento triplamente estruturado de resgate, reinterpretação e revalorização das diferenças que apontem a uma necessária revisão crítica do patriarcado e suas distorções face ao tema das maternidades. Como é na instrumentalização do útero pela via da maternidade e pela sedimentação de regimes de desejo que se operam a manutenção do poder e a montagem de um dos mais fortes mecanismos de subjetivação feminina, com úteros transformados em territórios políticos, sendo a procriação colocada diretamente a serviço da acumulação capitalista (Federici, 2017), acreditamos que literatura pode fraturar imaginários e apontar para outros mundos. Se a queda do “anjo do lar”, descrito por Virgínia Woolf (2014) em Um teto todo seu e sua imputação da maternidade enquanto destino é uma realidade no tecido social para muitas, mesmo que seja preciso observar seus funcionamentos pela vida da interseccionalidade e da diferença, acreditamos que a literatura pode fazer circular o discurso de múltiplas maternidades e funcionaria como transgressora à norma estabelecida, inclusive pelas rupturas narrativas, outras escrituras, representações que complexifiquem e instaurem a possibilidade de fabulações contra-hegemônicas.

 

Só serão avaliados textos cadastrados em nossa plataforma:

https://www.seer.ufs.br/index.php/interdisciplinar/about/submissions

Obs: O/a autor/a precisa fazer o cadastro no site da revista e, logo após, submeter o texto para ser avaliado seguindo as normas da revista. Essa primeira versão não tem identificação. Apenas após o aceite é que o/a autor/a deverá colocar seus dados.

 

Cronograma: 

Prazo para recebimento dos artigos: até 30/04/2026

Avaliação dos textos entre abril e junho de 2026

Previsão de publicação: setembro de 2026.

Referências Bibliográficas:

BADINTER, Elisabeth. O conflito: a mulher e a mãe. Tradução de Vera Lúcia dos Reis. Rio de Janeiro: Record, 2011.

FEDERICI, Silvia. O Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Elefante, 2017.

IACONELLI, Vera. Manifesto Antimaternalista: Psicanálise e políticas da reprodução. Rio  de Janeiro: Zahar, 2023.

LAURETIS, Teresa de. Tecnologia de Gênero. In HOLLANDA, Heloisa Buarque. Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019,  440 p.

ZANELLO, Valeska. Saúde mental, gênero e dispositivos: cultura e processos de subjetivação. Curitiba: Appris, 2018.

Vol. 45

Dossiê: Rios em (dis)cursos, margens em linguagens: travessias e atravessamentos na produção poética de mulheres

Organizadoras> Profa. Dra. Adriana de Fátima Alexandrino Lima Barbosa, da Universidade de Brasília e do GT A mulher na literatura/ANPOLL, e Anélia Montechiari Pietrani, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do GT A mulher na literatura/ANPOLL. 

Ementa: Considerando a intensa reconstrução de referências que o conhecimento, a crítica e a literatura de autoria indígena e negra têm provocado nos estudos literários, convidamos para compor esse dossiê trabalhos de pesquisa que reflitam sobre as consequências e a potência de conceitos literários e políticos desenvolvidos pela crítica negra e indígena na dimensão histórica e atual da e sobre a autoria poética de mulheres. Também aguardamos trabalhos de pesquisa que levem em consideração as diferenças entre as perspectivas teórico-críticas tradicionais de base anglo-europeias e as noções teóricas que o pensamento negro e/ou indígena gera; a escrevivência (Conceição Evaristo) como teoria da expressão do sujeito-mulher-negra e a definição e os limites da descolonização frente às reparações históricas coletivas e individuais como horizonte imaginário de um futuro possível. Nas vias da crítica de autoria branca e antirracista, serão aceitos trabalhos que tematizam a racialização e o privilégio branco e ou que invistam na leitura da poesia de mulheres. O esforço para enfrentar essa problemática também está em resgatar e examinar os escritos de mulheres tradicionalmente relegados, ou totalmente omitidos, da historiografia literária brasileira. A matéria exige ler a vasta produção poética que, de alguma forma, responda ou ponha em tensão essa discussão, ao mesmo tempo que demanda investigar a história da produção, publicação e recepção literária; a história dos papéis de gênero nas esferas política, social e literária. Nossa intenção é discutir como a produção de autoria de mulheres das fronteiras e nas margens quebra os círculos viciosos das hierarquizações nas recriações de mundos: alteridades em movimento, falácias da unidade, saberes do/em processo, parcialidades de universalidades, possibilidades de (des)encontro, desierarquização de gêneros, acentricidades, multilinguismo, cruzamento de fronteiras linguísticas, travessias interculturais, dinamicidades entre oralidade e escrita, oralitura, preservação da biodiversidade, paisagens ecológicas, ecopoesia, ecologia da palavra, ecologia linguística. Finalmente, o convite é o de pensar com a linguagem poética e observar como ela lida com essas questões sob o viés crítico feminista contra as colonialidades da mente, do gênero, da língua, do espaço, do saber e, mesmo, da própria história e crítica literárias. Para isso, serão bem-vindas análises de poemas isolados e/ou de obras completas de diferentes gêneros poéticos (poemas líricos, épicos, curtos, longos, prosa poética, poema em prosa), escritas em uma única língua ou multilíngues, produzidas individual ou coletivamente, com abordagem comparativa (interlínguas, interartes, interautoras, intermídias) ou não.

Só serão avaliados textos cadastrados em nossa plataforma:

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Obs: O/a autor/a precisa fazer o cadastro no site da revista e, logo após, submeter o texto para ser avaliado seguindo as normas da revista. Essa primeira versão não tem identificação. Apenas após o aceite é que o/a autor/a deverá colocar seus dados.

Cronograma: 

Prazo para recebimento dos artigos: até 30/12/2025

Avaliação dos textos entre janeiro e março de 2026

Previsão de publicação: abril de 2026.

 

Estamos organizandos os dossiês e seção livre do  do volume 44 

Prorrogado até 30/10/2025

O Conselho Editorial da Interdisciplinar: Revista de Estudos de Língua e Literatura abre chamada para o volume 44 intitulado “Construções do cânone literário nas literaturas de língua francesa e portuguesa”

Organizadores pelos professores Valter Cesar Pinheiro, da Universidade Federal de Sergipe, e Mirella do Carmo Botaro, da Sorbonne Université.

Em seu ensaio Por que ler os clássicos (1991), Italo Calvino define o clássico como “um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer”. Devemos entender, a partir dessa premissa, que uma obra se torna um clássico por sua capacidade de suscitar novas leituras por novos leitores, de uma geração a outra, de uma sociedade a outra? Como podemos explicar o fato de que textos literários inscritos em uma época e em um lugar determinados provoquem uma infinidade de discursos críticos que não se esgotam? Quais critérios permitem “canonizar” uma obra, tornando-a assim um clássico a ser traduzido repetidas vezes?

A sociologia da literatura já tentou fornecer uma resposta política e econômica a essas perguntas, notadamente no campo da circulação de obras entre diversos sistemas literários, descrevendo os mecanismos de produção das estruturas de poder e o impacto de um “centro” sobre as literaturas de áreas consideradas dominadas. Sem ignorar essas relações de poder, mas sem fazer delas a única ferramenta de análise, este dossiê tem por objeto o cânone em relação aos efeitos que ele produz no âmbito dos sistemas literários em língua francesa e portuguesa. Se o “clássico” diz coisas que a sociologia dos bens simbólicos não é capaz de supor, ele o diz através das leituras inéditas – e, de certa forma, imprevistas. No ano em que se celebram os 200 anos da relação entre o Brasil e a França, marcada por uma série de eventos que compõem a Saison Croisée France-Brésil 2025 – dentre os quais o seminário intitulado “Ce que la traduction dit du canon littéraire pour l’aire lusophone”, realizado na Sorbonne Université em abril deste ano sob a direção dos organizadores desse dossiê –, a revista Interdisciplinar propõe-se a pensar o cânone literário nas literaturas em línguas portuguesa e francesa, seja nas relações entre elas, seja no interior de cada sistema literário.

Como têm sido editados – e recepcionados por leitores e críticos – autores como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Nelson Rodrigues na França? Qual o sentido – e os desafios – de retraduzir escritores canônicos como Rimbaud e Baudelaire no Brasil, hoje? Por que reeditar Brás, Bexiga e Barra Funda, de Alcântara Machado, no Brasil, com as notas da tradução francesa? O que representa, para a formação de novos leitores e para os estudos acadêmicos mais recentes, a mudança no critério de escolha das obras literárias de leitura obrigatória em vestibulares de grandes universidades brasileiras e no baccalauréat francês?  A fim de refletir sobre questões como essas, que colocam os leitores do original e da tradução de obras francesas e brasileiras no centro de nossa discussão, esse dossiê acolherá trabalhos que tratem do cânone literário francófono e lusófono, em artigos individuais ou escritos em coautoria, em português, inglês, francês e espanhol.

 

Indicações

AGAMBEN, Giorgio. Profanações. São Paulo: Boitempo, 2007.

ARAÚJO, Daniel Teixeira de Costa. O cânone literário em perspectiva: o caráter político em detrimento do estético. Via Litterae – Revista de Linguística e Teoria Literária. Anápolis, v. 3, n. 2, p. 415-434, jul./dez. 2011.

BLOOM, Harold. O cânone ocidental: os livros e a escola do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.

CAIRO, Luiz Roberto Veloso. Memória cultural e construção do cânone literário Brasileiro. Scripta, Belo Horizonte, v. 4, n. 8, p. 32-44, 2001.

CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

COUTINHO, E. Literatura comparada, literaturas nacionais e o questionamento do cânone. Revista Brasileira de Literatura Comparada. Rio de Janeiro, n. 3, p. 37-73, 1996.

DUARTE, João Ferreira. A Lição do cânone: uma autorreflexão dos estudos literários. Lisboa: Colibri/CEAUL, 2006.

PERRONE-MOISÉS, Leyla. Mutações da literatura no século XXI. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

SCRAMIM, S. Cânone e liberdade. Revista Brasileira de Literatura Comparada. Belo Horizonte, n. 6, p. 239-250, 2002.

SULLÀ, Enric (Org.). El canon literario. Madrid: Arco/Libros, 1998.

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Previsão de publicação: dezembro 2025

  • Chamada vol 47 especial de 20 anos> Estudos Comparados: Leitura, Tradução e Recepção

    2026-08-01

    Este volume comemora 20 anos de criação deste periódico, reforçando as parcerias  com os/as organizadores/as   Cristina Beatriz Fernández (UNMDP – Argentina) e Tiago Silva (UFBA). Este volume  propõe reflexões sobre as novas abordagens dos Estudos Comparados com o recorte para Leitura, Tradução e Recepção do Texto Literário. 

     

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  • Chamada aberta para volume 46: Entre a representação e a fabulação de outros mundos: maternidades na literatura contemporânea

    2026-02-04

    Chamada aberta para volume 46: Entre a representação e a fabulação de outros mundos: maternidades na literatura contemporânea

    Convidamos para compor esse dossiê trabalhos de pesquisa que articulem inquietações, debates e análises em torno da literatura e da escritura de outras maternidades, principalmente as que questionam e ironizam a representação das imagens e relações maternas edificadas sobre as bases do patriarcado. Também aguardamos trabalhos de pesquisa que levem em consideração a representação do corpo que gesta ou da pessoa que executa a função materna, marcada por uma sociedade misógina e insistente sobre os papéis de gênero, e como estes corpos podem insurgir frente a um sistema de códigos, regras e scripts historicamente sedimentados no imaginário social. 

     

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  • Chamada aberta para vol 45: Rios em (dis)cursos, margens em linguagens: travessias e atravessamentos na produção poética de mulheres

    2025-10-20

    O Conselho Editorial da Interdisciplinar: Revista de Estudos de Língua e Literatura está com chamada aberta para  o dossiê do volume 45 - (Volume especial em comemoração aos 20 anos de Revista Interdisciplinar)

    Dossiê: Rios em (dis)cursos, margens em linguagens: travessias e atravessamentos na produção poética de mulheres

    Organizadoras> Profa. Dra. Adriana de Fátima Alexandrino Lima Barbosa, da Universidade de Brasília e do GT A mulher na literatura/ANPOLL, e Anélia Montechiari Pietrani, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do GT A mulher na literatura/ANPOLL. 

    Ementa: Considerando a intensa reconstrução de referências que o conhecimento, a crítica e a literatura de autoria indígena e negra têm provocado nos estudos literários, convidamos para compor esse dossiê trabalhos de pesquisa que reflitam sobre as consequências e a potência de conceitos literários e políticos desenvolvidos pela crítica negra e indígena na dimensão histórica e atual da e sobre a autoria poética de mulheres. Também aguardamos trabalhos de pesquisa que levem em consideração as diferenças entre as perspectivas teórico-críticas tradicionais de base anglo-europeias e as noções teóricas que o pensamento negro e/ou indígena gera; a escrevivência (Conceição Evaristo) como teoria da expressão do sujeito-mulher-negra e a definição e os limites da descolonização frente às reparações históricas coletivas e individuais como horizonte imaginário de um futuro possível. Nas vias da crítica de autoria branca e antirracista, serão aceitos trabalhos que tematizam a racialização e o privilégio branco e ou que invistam na leitura da poesia de mulheres. O esforço para enfrentar essa problemática também está em resgatar e examinar os escritos de mulheres tradicionalmente relegados, ou totalmente omitidos, da historiografia literária brasileira. A matéria exige ler a vasta produção poética que, de alguma forma, responda ou ponha em tensão essa discussão, ao mesmo tempo que demanda investigar a história da produção, publicação e recepção literária; a história dos papéis de gênero nas esferas política, social e literária. Nossa intenção é discutir como a produção de autoria de mulheres das fronteiras e nas margens quebra os círculos viciosos das hierarquizações nas recriações de mundos: alteridades em movimento, falácias da unidade, saberes do/em processo, parcialidades de universalidades, possibilidades de (des)encontro, desierarquização de gêneros, acentricidades, multilinguismo, cruzamento de fronteiras linguísticas, travessias interculturais, dinamicidades entre oralidade e escrita, oralitura, preservação da biodiversidade, paisagens ecológicas, ecopoesia, ecologia da palavra, ecologia linguística. Finalmente, o convite é o de pensar com a linguagem poética e observar como ela lida com essas questões sob o viés crítico feminista contra as colonialidades da mente, do gênero, da língua, do espaço, do saber e, mesmo, da própria história e crítica literárias. Para isso, serão bem-vindas análises de poemas isolados e/ou de obras completas de diferentes gêneros poéticos (poemas líricos, épicos, curtos, longos, prosa poética, poema em prosa), escritas em uma única língua ou multilíngues, produzidas individual ou coletivamente, com abordagem comparativa (interlínguas, interartes, interautoras, intermídias) ou não.

    Só serão avaliados textos cadastrados em nossa plataforma:

    https://www.seer.ufs.br/index.php/interdisciplinar/about/submissions

    Obs: O/a autor/a precisa fazer o cadastro no site da revista e, logo após, submeter o texto para ser avaliado seguindo as normas da revista. Essa primeira versão não tem identificação. Apenas após o aceite é que o/a autor/a deverá colocar seus dados.

    Cronograma: 

    Prazo para recebimento dos artigos: até 30/12/2025

    Avaliação dos textos entre janeiro e março de 2026

    Previsão de publicação: abril de 2026.

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  • chamada vol 44: Construções do cânone literário nas literaturas de língua francesa e portuguesa

    2025-06-30

    Estamos organizandos os dossiês e seção livre do  do volume 44 

    Dossiê: Construções do cânone literário nas literaturas de língua francesa e portuguesa

    Organizadores: Profa. Dra. Mirella do Carmo Botaro (Sorbonne Université) e Prof. Dr. Valter Cesar Pinheiro (UFS)

    Prazo para submissão de 01/08 a 30/10/2025 (prorrogado)

    O Conselho Editorial da Interdisciplinar: Revista de Estudos de Língua e Literatura abre chamada para o volume 44 intitulado “Construções do cânone literário nas literaturas de língua francesa e portuguesa”, organizado pelos professores Valter Cesar Pinheiro, da Universidade Federal de Sergipe, e Mirella do Carmo Botaro, da Sorbonne Université.

    Em seu ensaio Por que ler os clássicos (1991), Italo Calvino define o clássico como “um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer”. Devemos entender, a partir dessa premissa, que uma obra se torna um clássico por sua capacidade de suscitar novas leituras por novos leitores, de uma geração a outra, de uma sociedade a outra? Como podemos explicar o fato de que textos literários inscritos em uma época e em um lugar determinados provoquem uma infinidade de discursos críticos que não se esgotam? Quais critérios permitem “canonizar” uma obra, tornando-a assim um clássico a ser traduzido repetidas vezes?

    A sociologia da literatura já tentou fornecer uma resposta política e econômica a essas perguntas, notadamente no campo da circulação de obras entre diversos sistemas literários, descrevendo os mecanismos de produção das estruturas de poder e o impacto de um “centro” sobre as literaturas de áreas consideradas dominadas. Sem ignorar essas relações de poder, mas sem fazer delas a única ferramenta de análise, este dossiê tem por objeto o cânone em relação aos efeitos que ele produz no âmbito dos sistemas literários em língua francesa e portuguesa. Se o “clássico” diz coisas que a sociologia dos bens simbólicos não é capaz de supor, ele o diz através das leituras inéditas – e, de certa forma, imprevistas. No ano em que se celebram os 200 anos da relação entre o Brasil e a França, marcada por uma série de eventos que compõem a Saison Croisée France-Brésil 2025 – dentre os quais o seminário intitulado “Ce que la traduction dit du canon littéraire pour l’aire lusophone”, realizado na Sorbonne Université em abril deste ano sob a direção dos organizadores desse dossiê –, a revista Interdisciplinar propõe-se a pensar o cânone literário nas literaturas em línguas portuguesa e francesa, seja nas relações entre elas, seja no interior de cada sistema literário.

    Como têm sido editados – e recepcionados por leitores e críticos – autores como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Nelson Rodrigues na França? Qual o sentido – e os desafios – de retraduzir escritores canônicos como Rimbaud e Baudelaire no Brasil, hoje? Por que reeditar Brás, Bexiga e Barra Funda, de Alcântara Machado, no Brasil, com as notas da tradução francesa? O que representa, para a formação de novos leitores e para os estudos acadêmicos mais recentes, a mudança no critério de escolha das obras literárias de leitura obrigatória em vestibulares de grandes universidades brasileiras e no baccalauréat francês?  A fim de refletir sobre questões como essas, que colocam os leitores do original e da tradução de obras francesas e brasileiras no centro de nossa discussão, esse dossiê acolherá trabalhos que tratem do cânone literário francófono e lusófono, em artigos individuais ou escritos em coautoria, em português, inglês, francês e espanhol.

     

     

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