Chamada para o Dossiê Temático “Milton Santos: desenvolvimento capitalista, território e desigualdades socioespaciais no século XXI”

2026-05-04

A Revista Eletrônica Internacional da Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (EPTIC Online) convida para a submissão de textos ao Dossiê Temático “Milton Santos: desenvolvimento capitalista, território e desigualdades socioespaciais no século XXI” em homenagem ao centenário desse extraordinário intelectual das ciências humanas e sociais. O dossiê é organizado pelas professoras doutoras Christiane Senhorinha Soares Campos e Eliane Regina Francisco da Silva, integrantes do Programa de Pós-Graduação em Geografia – PPGEO e do Programa de Pós-Graduação Profissional em Economia - PROPEC da Universidade Federal de Sergipe. Os textos devem ser enviados até o dia 30 de junho de 2026.

Milton Santos contribuiu de modo decisivo para a renovação da geografia brasileira a partir do fim da década de 1970. Naquele período, a produção geográfica era alicerçada na descrição e no discurso da neutralidade da técnica e da ciência, mas grande parte das pesquisas geográficas atendiam demandas dos governos autoritários. A corrente da geografia crítica, da qual Milton Santos foi um dos mais ativos participantes, questionou os fundamentos teóricos e empíricos da ciência geográfica, colocando a análise da realidade como objetivo da produção de conhecimento na área, contribuindo para evidenciar que o espaço geográfico e, por conseguinte, as desigualdades socioespaciais são socialmente produzidas.

Foi a partir dessa perspectiva crítica que Milton Santos publicou mais de 40 livros e 300 artigos, sempre tratando de temas de grande relevância, como as contradições da urbanização da América Latina; o espaço dividido produzido pelo desenvolvimento capitalista nos países periféricos; o papel da técnica no processo de acumulação de capital; a centralidade do território para fazer frente as dinâmicas territoriais da globalização; e a globalização como um processo que favorecia a fluidez do capital, mas restringia a circulação das pessoas e a cidadania, aprofundando as desigualdades socioespaciais em múltiplas escalas, desde a local até a mundial, passando pela regional e nacional.

Diante da relevância dos conceitos e dos debates construídos por Milton Santos, que extrapolam as fronteiras da geografia e abrem possibilidades de análises em diferentes áreas de conhecimento, como a Economia e a Comunicação, este dossiê convida pesquisadoras e pesquisadores a submeterem artigos que dialoguem com a obra deste autor. Entre os temas sugeridos, estão:

- Globalização e suas contradições;
- Produção do espaço urbano e regional;
- Desigualdades socioespaciais;
- Meio técnico-científico-informacional;
- Redes e fluxos;
- Planejamento territorial;
- Geografia crítica;
- Os circuitos espaciais de acumulação;
- Dinâmicas territoriais da expansão do capital no campo;
- Comunicação e território;
- Território e desenvolvimento no Brasil e na América Latina;
- O espaço geográfico e o território na leitura de Milton Santos;
- Pensamento de Milton Santos em diálogo com outras interpretações do Brasil;
- Método na leitura de Milton Santos;
- Estruturalismo e marxismo na produção teórica de Milton Santos.

Evidentemente que uma obra tão vasta e com temáticas que seguem atuais não fica imune a críticas. Nesse sentido, são bem-vindos tanto textos que tratem das contribuições do homenageado quanto artigos que apontem limitações de suas análises. São aceitos textos inéditos, bem como traduções de textos ainda não publicados em português. Os textos devem ter entre 10 e 20 páginas (entre 25 mil e 45 mil caracteres, incluindo mapas, gráficos e figuras). As normas para publicação podem ser encontradas no link: https://periodicos.ufs.br/eptic

Celebrar os 100 anos de Milton Santos é reafirmar o compromisso com uma leitura mais humana, ética e solidária do território e da produção de conhecimento, mantendo viva uma obra que continua a inspirar gerações de pesquisadores que buscam realizar uma análise crítica da realidade social.

E a Geografia, tantas vezes a serviço da dominação, tem de ser urgentemente reformulada para ser o que sempre quis ser:
uma ciência do homem. (SANTOS, 1978, p. 213)