Matrevivências sob sentença

etnografando a governança e a injustiça reprodutiva sobre mulheres-mães com filhas(os) em acolhimento institucional

Authors

Keywords:

Motherhood, Reproductive Injustice, State

Abstract

In this article, we analyze how the Brazilian state, through its social protection public policies and justice system, crosses, regulates, and disauthorizes the motherhoods of women-mothers with children in institutional care. The research, conducted in Mossoró/RN, was based on an engaged, situated, and ethically committed ethnography, combining in-depth interviews with women-mothers, analysis of institutional documents, and field diary records produced throughout the monitoring of these women's trajectories within the social protection network. The interlocutors, mostly Black and mixed-race women, have their experiences shaped by structural inequalities, gender-based violence, and historical processes of social neglect. From these narratives, we forged the analytical category matrevivências to name the precarious, strained, and surveilled ways of living motherhood under constant state intervention. Anchored in feminist, decolonial, and intersectional frameworks, articulated with Foucauldian studies on biopolitics and governance and dialoguing with other critical perspectives, we highlight that such institutional practices are not neutral: they configure devices of reproductive governance that racialize care, moralize poverty, and reinforce individual blame. By mobilizing concepts such as reproductive injustice and necrobiopower, we denounce how the social suffering of these women is systematically translated into technical diagnoses, erasing the intersections of class, race, and gender that structure their experiences. We conclude by reaffirming that these processes express a state governance that deepens reproductive injustice.

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Author Biographies

Juliana Grasiela da Silva Dantas Lopes, Universidade Estadual do Ceará

Doutoranda em Políticas Públicas pela Universidade Estadual do Ceará (UECE),  Mestre em Serviço Social e Direitos Sociais pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Especialista em Políticas Públicas e Intervenção Social pela Faculdades Integradas de Cruzeiro (FIC); em Garantia dos Direitos e Política de Cuidados à Criança e ao Adolescente; em Enfrentamento de Violências contra Crianças e Adolescentes pela Universidade de Brasília (UnB) e; em Ciências Sociais e Humanas Aplicadas e o Mundo do Trabalho pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) com aperfeiçoamento latu sensu em Educação, Pobreza e Desigualdade Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Graduada em Serviço Social pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), com experiência em docência no ensino superior na referida área. Atualmente é Assistente Social da Prefeitura de Mossoró (PMM) no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) com atuação na Proteção Social Especial de Alta Complexidade. É integrante do grupo de pesquisa Travessias: Trajetórias Juvenis, Afetividades e Direitos Humanos pela UECE, com ênfase em estudos decolonais e críticos à colonialidade.

Camila Holanda Marinho, Universidade Estadual do Ceará

Professora Adjunta vinculada ao curso de Ciências Sociais no campus de Itapipoca-CE e ao Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Possui graduação em Ciências Sociais (2001) pela Universidade Federal do Ceará, mestrado (2004) e doutorado (2012) pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Pós-Doutorado em Políticas Públicas desta mesma Universidade, no qual, é pesquisadora do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) e do Laboratório das Artes e das Juventudes (LAJUS). Foi bolsista da CAPES no Programa de Doutorado no País com Estágio no Exterior (PDEE) na Universidade de Lisboa (2010/2011). Integra a Rede de Estudos e Pesquisas sobre Ações e Experiências Juvenis (REAJ). É líder do Grupo de Pesquisa do CNPq TRAVESSIAS: Trajetórias Juvenis, Afetividades e Direitos Humanos. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia da Juventude, da Violência e das Emoções, atuando principalmente nos seguintes temas: culturas juvenis, infância e adolescência, políticas públicas, afetividades, periferia, desigualdade social e direitos humanos.

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Published

2026-07-02

How to Cite

LOPES, Juliana Grasiela da Silva Dantas; HOLANDA MARINHO, Camila. Matrevivências sob sentença: etnografando a governança e a injustiça reprodutiva sobre mulheres-mães com filhas(os) em acolhimento institucional . DIKÉ Revista do Mestrado em Direito da UFS, [S. l.], v. 15, n. 1, p. 1–20, 2026. Disponível em: https://ufs.emnuvens.com.br/dike/article/view/23377. Acesso em: 17 oct. 2026.