Museus, museologia e diversidade
uma reflexão sobre gênero sob a perspectiva social da Ciência da Informação
DOI:
https://doi.org/10.33467/conci.v8i.23697Palavras-chave:
Gestão da Informação, Estudos de gênero, MuseologiaResumo
Este estudo discute as relações de gênero na Museologia à luz da memória documental por meio da contextualização histórica da participação feminina na formação, atuação e gestão em museus no Brasil. A partir desse contexto, discorre sobre a presença de mulheres na presidência de comitês vinculados ao Conselho Internacional de Museus, instituição de relevo global com manifesta influência na museologia brasileira. Com base na Ciência da Informação, articula as noções de documento, institucionalidade e poder a partir de Bernd Frohmann. Com aportes dos estudos coloniais de gênero, especialmente em María Lugones e Oyèrónkẹ Oyěwùmí, e do conceito de poder simbólico, de Pierre Bourdieu, caracteriza-se como uma pesquisa descritiva, aplicada, de procedimento documental e abordagem quanti-qualitativa. Orientada aos desafios éticos, políticos e epistemológicos oriundos da colonialidade que incidem na práxis informacional, mobiliza dois contextos de análise: a) o perfil da presidência dos comitês internacionais do Conselho Internacional de Museus e b) a gestão da informação nos respectivos sítios oficiais, a fim de operacionalizar os conceitos mencionados. O campo empírico foi composto por 35 comitês, dos quais 22 apresentam o histórico completo de gestão desde a criação institucional. Os dados obtidos apontam para um histórico de maior presença masculina no conselho e paridade de gênero gradual a partir dos anos de 1990. Quanto à memória documental, apresenta lacunas importantes para a reconstrução e publicização da presença feminina na Museologia.
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