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<document>
  <page number="1">
    <line>1 </line>
    <line>DOSSIÊ </line>
    <line>O ESPAÇO SOCIAL DAS MULHERES  </line>
    <line>GESTORAS NO MUNDO RURAL </line>
    <line>Roberta Ness*1 </line>
    <line>Rodrigo Cantu**2 </line>
    <line>Resumo </line>
    <line>O artigo investiga as mulheres gestoras em empresas familiares do agronegócio brasileiro. A pesquisa ana - </line>
    <line>lisou as propriedades sociais de 124 mulheres em posições de gestão, com base em dados fornecidos por  </line>
    <line>uma empresa de consultoria especializada. Metodologicamente, utiliza-se a Análise de Correspondência  </line>
    <line>Múltipla  </line>
    <line>de agrupamento. Os resultados indicam que a principal diferenciação ocorre por fatores geracionais e pelas  </line>
    <line>características das empresas, além de evidenciar diferentes percepções sobre desafios, como desigualdades  </line>
    <line>de conciliação família trabalho conflito e Além a permitiu  </line>
    <line>identificar perfis de indicando suas posições dificuldades  </line>
    <line>organizam de forma heterogênea no espaço social analisado.  </line>
    <line>Palavras-chaves: espaço social; elites; agronegócio, gestoras; análise de correspondência múltipla. </line>
    <line>*  Universidade Federal de Pelotas, Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail:  </line>
    <line>robertaness@hotmail.com Orcid: https://orcid.org/0000-0003-2549-8020 Credit: Conceitualização, Investigação, Análise  </line>
    <line>dos Dados, Escrita do Rascunho Original.  </line>
    <line>**  Universidade Federal de Pelotas, Departamento de Sociologia e Política, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: rodrigo. </line>
    <line>cantu@ufpel.edu.br Orcid: https://orcid.org/0000-0002-6099-1200 Credit: Conceitualização, Análise dos Dados, Escrita -  </line>
    <line>Revisão e Edição. </line>
    <line> Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)  </line>
    <line>Revista TOMO, São Cristóvão, v. 45, e24846, 2026 </line>
    <line>DOI:10.21669/tomo.v45.24846   </line>
    <line>Dossiê: Sociologia econômica no Brasil:  </line>
    <line>reconfigurações dos mercados e disputas de poder  </line>
    <line>E-ISSN:2318-9010 / ISSN:1517-4549</line>
  </page>
  <page number="2">
    <line>2 </line>
    <line>INTRODUÇÃO1 </line>
    <line>O das rurais Brasil uma trajetória ciências do (cf.  Me- </line>
    <line>neses, 2021). De análises históricas ao exame do contexto recente, vários trabalhos revelam como  </line>
    <line>essas elites se articulam em associações patronais e atuam no âmbito da política institucional  </line>
    <line>(Font e Barzelatto, 1988; Mendonça, 2009; Pompeia, 2021). Para além desses temas, Heinz (2001)  </line>
    <line>aborda igualmente as propriedades sociais de indivíduos que compõem a elite rural brasileira,  </line>
    <line>inaugurando linha estudos desse Paralelamente esse  </line>
    <line>de classe do mundo rural, que divide o exame de camadas subalternas e do “andar de cima” (cf.   </line>
    <line>Meneses e Piccin, 2024), as ciências sociais têm igualmente se debruçado sobre outros recortes,  </line>
    <line>tais como o de gênero.   </line>
    <line>Paralelamente aos estudos sobre elites e estudos rurais, os estudos de gênero também consolida- </line>
    <line>ram-se como uma área de importante relevância nas ciências sociais, contribuindo para a compre- </line>
    <line>ensão das formas historicamente construídas de desigualdades, das relações de poder e dos me- </line>
    <line>canismos reprodução Influenciadas diferentes do e avanço  </line>
    <line>das críticas ao patriarcado, pesquisadoras passaram a ampliar o debate sobre como as diferenças  </line>
    <line>entre homens e mulheres são socialmente construídas e atravessam instituições, famílias, car- </line>
    <line>reiras e (Scott2017; er, Hirata Kergoat2007; ,  </line>
    <line>2009; Hirata, 2016; Federici, 2019).  </line>
    <line>No contexto brasileiro, essa produção acadêmica possibilitou evidenciar como a inserção feminina  </line>
    <line>no mercado de trabalho e em posições de poder permanece permeada pela divisão sexual do tra- </line>
    <line>balho, pela sobrecarga associada a atividades de cuidado e pelas desigualdades no acesso a recur- </line>
    <line>sos educacionais simbólicos 2007; 2014; 2015;   </line>
    <line>2020). modo específico temática presente os rurais as - </line>
    <line>res se em de relacionadas classes do como </line>
    <line>agricultores familiares, camponeses, assentados, quilombolas e trabalhadores rurais. Essa tradição,  </line>
    <line>baseada em perspectivas críticas e engajadas, frequentemente articulada às pautas feministas e dos</line>
    <line>movimentos sociais rurais tem privilegiado a compreensão das condições de trabalho, das desigual- </line>
    <line>dades e das formas de resistência das mulheres trabalhadoras rurais em posições subalternizadas  </line>
    <line>(Deere e León, 2002; Brumer, 2004; Karam, 2004; Deere, 2004; Maciazeki-Gomes et al., 2021). </line>
    <line>Enquanto a variedade de trabalhos sobre mulheres nas classes populares do campo é numerosa,  </line>
    <line>ainda são poucas as pesquisas que analisam as mulheres nas elites do agronegócio, sobretudo  </line>
    <line>as que busquem compreender as diferenciações internas entre essas mulheres e suas distintas  </line>
    <line>propriedades e profissionais. agronegócio representou do  </line>
    <line>Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2022 (Centro de Estudos Avançados em Economia Apli- </line>
    <line>cada, e como espaço caracterizado predominância  </line>
    <line>masculina, sobretudo em posições de poder e prestígio (Lopes e Pontili, 2004; Instituto Brasileiro  </line>
    <line>de Geografia e Estatística, 2019; Maciazeki-Gomes et al., 2021).  </line>
    <line>Para a desse social, necessário as  </line>
    <line>historicamente presentes no acesso das mulheres aos recursos econômicos e produtivos do meio  </line>
    <line>1  Este artigo apresenta parte de uma pesquisa desenvolvida na dissertação de uma das autoras, intitulada “’Nascidas no cam- </line>
    <line>po’: o espaço social de mulheres gestoras brasileiras atuantes em empresas rurais familiares do agronegócio”, defendida no  </line>
    <line>Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pelotas (PPGS-UFPel).</line>
  </page>
  <page number="3">
    <line>3 </line>
    <line>rural. Deere e León (2002) demonstram que a estrutura fundiária latino-americana foi constituída  </line>
    <line>a de que os enquanto de refletindo assi - </line>
    <line>metria na posse da terra, no acesso ao crédito, à assistência técnica, aos processos sucessórios e às  </line>
    <line>oportunidades de inserção em posições de comando. Tradicionalmente, o homem foi socialmente  </line>
    <line>identificado agricultor, a foi como secundária, - </line>
    <line>dependentemente quantde dedicada atividades (Deere León,  </line>
    <line>Essas desigualdades permanecem visíveis no presente: segundo o Censo Agropecuário de 2017,  </line>
    <line>as são de 19% estabelecimentos enquanto homens  </line>
    <line>detêm 81% (Oliveira et al., 2020).  </line>
    <line>Apesar dessas disparidades de gênero, familiares e institucionais, a presença crescente de mulhe- </line>
    <line>res na gestão de empresas familiares e em organizações representativas do setor sugere transfor- </line>
    <line>mações nesse universo social. Se, por um longo período, a participação feminina enfrentou dife- </line>
    <line>rentes limitações, a ampliação da presença das mulheres em cargos de gestão indica a abertura de  </line>
    <line>novas possibilidades de inserção e ascensão. Esse processo também pode ser observado pela visi - </line>
    <line>bilidade de mulheres ligadas ao agronegócio em espaços de representação política e institucional.  </line>
    <line>A de proeminentes política – como parlamentares ex-mi- </line>
    <line>nistras agricultura Cristina Katia ambas ligadas agro - </line>
    <line>leiro juntamente disseminação redes instâncias que dado  </line>
    <line>às nas de sociais do rural.  É nesse contexto de  </line>
    <line>permanências e mudanças que se torna relevante compreender quem são essas mulheres e como  </line>
    <line>se estruturam as diferenciações dessa elite (recente) do agronegócio. Nesse sentido, parece-nos  </line>
    <line>que trajetória mulheres e em familiares agronegócio  </line>
    <line>constitui, em grande medida, uma história ainda a ser escrita, cuja compreensão possa contribuir </line>
    <line>para explicar as transformações recentes desse espaço social. </line>
    <line>Buscando contribuir para uma agenda de pesquisa ainda incipiente, esse artigo  investiga as mu- </line>
    <line>lheres nas elites contemporâneas do agronegócio no Brasil, por meio de uma análise explorató- </line>
    <line>ria de sua diversidade. Para balizar conceitualmente o exame dos dados empíricos, utilizamos a  </line>
    <line>noção de espaço social. Enquanto um dos elementos fundamentais da teoria de Pierre Bourdieu,  </line>
    <line>a de social compreender mundo enquanto topografia - </line>
    <line>cada por posições definidas relacionalmente, com base nas distintas propriedades dos indivíduos  </line>
    <line>(Bourdieu, 1985; Hardy, 2014; Wacquant, 2019).  </line>
    <line>O talvez mais proeminente conceito de campo é um caso específico de espaço social, em que há limi- </line>
    <line>tes definidos, autonomia, de contencioso de forma autoridade </line>
    <line>específica, de marcada agonística funcionamento. relevância noção es- </line>
    <line>paço social está, entre outras possibilidades, na sua função de quadro analítico para a compreensão  </line>
    <line>das práticas: a variação do comportamento e das visões de mundo entre diferentes grupos sociais  </line>
    <line>pode ser concebida (e prevista) por meio do mapeamento das posições dos agentes nesse espaço.  </line>
    <line>Bourdieu a empregou de modo explícito em trabalhos como A Distinção (2007), para examinar a  </line>
    <line>totalidade de uma sociedade nacional. No entanto, a noção de espaço social pode igualmente ser  </line>
    <line>empregada para o exame de grupos e mundos sociais circunscritos, tal como realizado em estudos  </line>
    <line>como Hey (2007) e Hey e Rodrigues (2017). Consideramos, ainda, que essa opção analítica evita  </line>
    <line>uma automática mais conceito campo universos cuja  </line>
    <line>autonomia é limitada ou atravessada por múltiplas determinações externas, como, nesse caso,  </line>
    <line>as econômicas e familiares. Trabalhos como o de Heredia et al. (2010) problematizam a própria</line>
  </page>
  <page number="4">
    <line>4 </line>
    <line>concepção do agronegócio como um espaço homogêneo e plenamente estruturado, ressaltando a  </line>
    <line>coexistência de diferenças econômicas, culturais, regionais e familiares.  </line>
    <line>Metodologicamente, a pesquisa emprega uma perspectiva quantitativa. O material empírico uti- </line>
    <line>lizado um de das sociais 124 atuantes cargos  </line>
    <line>gestão em empresas familiares do agronegócio. A coleta de dados se deu por intermédio de uma  </line>
    <line>empresa de consultoria, especializada no atendimento a empresas familiares atuantes no agro- </line>
    <line>negócio. Os dados foram examinados por meio da Análise de Correspondências Múltiplas (ACM),  </line>
    <line>técnica da estatística multivariada utilizada na análise de dados categóricos, que permite elaborar  </line>
    <line>imagens de as e entre e categorias.  </line>
    <line>Representando essas aproximações e distanciamentos em eixos (ortogonais uns aos outros), a  </line>
    <line>ACM ainda técnica simplificação complexidade dados, um  </line>
    <line>multidimensional (em vários eixos) da diferenciação das unidades de análise. Assim, ela pode ofe- </line>
    <line>recer quadro estrutura diversificação mulheres no rural,  </line>
    <line>com a noção de espaço social.  </line>
    <line>De complementar, à de Hierárquica aplicada coorde - </line>
    <line>nadas indivíduos na com objetivo identificar de  </line>
    <line>próximas no espaço social. Enquanto a ACM explicita a estrutura relacional das diferenças, a ACH  </line>
    <line>agrupa essas posições em clusters, reunindo indivíduos com localizações semelhantes e eviden - </line>
    <line>ciando padrões de distribuição das gestoras. </line>
    <line>O está em partes, da e considerações Na  - </line>
    <line>gunda seção, são detalhados os procedimentos metodológicos e, na sequência, são apresentados  </line>
    <line>os resultados da pesquisa, com ênfase na ACM e, complementarmente, na ACH.  </line>
    <line>METODOLOGIA </line>
    <line>Apesar de sua crescente importância social, estudar as mulheres de camadas sociais superiores do  </line>
    <line>mundo rural envolve diversos desafios: o acesso a informações disponíveis é limitado, em razão de sua </line>
    <line>atuação discreta, vezes apenas nichos do - </line>
    <line>gócio, e da limitada disponibilidade de dados públicos, em particular no que se refere a dados sobre as  </line>
    <line>propriedades rurais nas quais atuam. Ademais, pesquisas realizadas nesse contexto, frequentemente,  </line>
    <line>colocam frente a frente pesquisadores e pesquisados que ocupam posições social e economicamente  </line>
    <line>desiguais, que desafios ao à de e própria   </line>
    <line>dos A que este encarou desafios modo a de   </line>
    <line>apresentar um retrato pioneiro da diversidade das mulheres gestoras atuantes no agronegócio.  </line>
    <line>As contribuições aqui trabalhadas se baseiam preponderantemente na análise de dados quan - </line>
    <line>titativos. se no de mulher trajetórias vivências  </line>
    <line>apresenta-se um panorama transversal e geral de suas características. Os dados têm origem na  </line>
    <line>elaboração de uma amostra por conveniência (não probabilística) 2 . à de  </line>
    <line>2  A seleção por amostragem por conveniência consistiu na escolha de participantes disponíveis para a pesquisa. Em outras  </line>
    <line>palavras, os indivíduos foram selecionados por constituírem uma amostra acessível, sem a aplicação de critérios probabi - </line>
    <line>lísticos de estatísticos sua Esse geralmente vantagens  </line>
    <line>à facilidade operacional e ao menor custo na etapa de amostragem. Contudo, como consequência, não permite a realização  </line>
    <line>de generalizações estatisticamente rigorosas sobre toda a população.</line>
  </page>
  <page number="5">
    <line>5 </line>
    <line>de dados públicos para consulta, foi necessária a criação de um banco de dados original, a partir  </line>
    <line>de informações disponibilizadas3 por uma empresa de consultoria sediada na cidade de Pelotas/ </line>
    <line>RS, especializada no atendimento a empresas familiares do agronegócio4.  </line>
    <line>A da teve critério seleção mulheres empresárias,  </line>
    <line>herdeiras e/ou sucessoras de empresas rurais familiares do agronegócio 5, atendidas pela empresa  </line>
    <line>de e integrassem de familiar no de  6. Com- </line>
    <line>puseram universo 80  7, apresentando, ao todo, 124 mulheres que  </line>
    <line>ocupavam cargos de gestão e/ou possuíam cotas na sociedade, podendo ou não compartilhar o  </line>
    <line>comando com outros familiares. A escolha de gestoras pertencentes a famílias que mantinham  </line>
    <line>projetos governança ativos ano pesquisa adotada critério definição  </line>
    <line>da amostra, por se tratar de um serviço diretamente relacionado à profissionalização, ao estabele - </line>
    <line>cimento de regras e à estruturação organizacional do negócio familiar 8 , além de ter como objetivo  </line>
    <line>alinhar relaentre negócio patrimônio. projetos desenvolvidos - </line>
    <line>tariamente por profissionais das áreas de Psicologia e Administração.</line>
    <line>Para o levantamento de dados, utilizou-se um questionário que foi preenchido pelas equipes da  </line>
    <line>empresa de consultoria que trabalham  - </line>
    <line>ciam com profundidade as pessoas da gestão de cada propriedade, permitindo contornar o pro- </line>
    <line>blema de acesso aos indivíduos para a coleta de informações. O questionário abordava os seguin- </line>
    <line>tes temas:  </line>
    <line>•  Gestoras – área formação, civil, de cargo empresa,  </line>
    <line>de atuação, tempo de atuação na empresa, processo de inserção no negócio familiar, tipo de  </line>
    <line>gestão (compartilhada ou individual), com quem compartilham, a quantidade de homens que  </line>
    <line>compartilham gestão as enfrentadas mulheres suas pro- </line>
    <line>fissionais.  </line>
    <line>•  Propriedades rurais – estado em que estão localizadas, faturamento anual, atividade predominante,  </line>
    <line>tamanho da área produtiva e número de empregados. </line>
    <line>3  A referida empresa de consultoria é especializada no atendimento a empresas familiares do agronegócio, que possuem alto  </line>
    <line>faturamento e alta produtividade, além de influência e protagonismo no setor. Com mais de 300 funcionários, possui atua - </line>
    <line>ção nacional e internacional e está presente em onze estados brasileiros e em países como Argentina, Bolívia, Paraguai e  </line>
    <line>Uruguai. Os principais serviços oferecidos incluem planejamento sucessório, governança familiar e societária, planejamen - </line>
    <line>to tributário, acompanhamento contábil, fiscal e financeiro, além de serviços de imobiliária rural, regularização fundiária e  </line>
    <line>gestão de departamento pessoal e de recursos humanos. </line>
    <line>4  Todas as mulheres da amostra têm origem no grupo familiar responsável pela empresa; não há casos de gestoras externas  </line>
    <line>que tenham assumido cargos de gestão ou se tornado sócias, herdeiras ou sucessoras nas empresas pesquisadas.  </line>
    <line>5  Nas empresas familiares, os processos de estruturação organizacional e de sucessão familiar auxiliam na organização da  </line>
    <line>transmissão de recursos econômicos e simbólicos entre as gerações. Esses processos contribuem para a organização da  </line>
    <line>gestão negócio para definição posições pelos da na com objetivo  </line>
    <line>garantir a continuidade do grupo empresarial e familiar ao longo do tempo, bem como estabelecer quem poderá acessar  </line>
    <line>posições de poder e o patrimônio (material e simbólico) da empresa familiar.  </line>
    <line>6  Todas as empresas que compõem o universo empírico são de capital fechado e são gerenciadas por núcleos familiares vin- </line>
    <line>culados aos fundadores de cada empresa rural e, na maioria dos casos, possuem comando compartilhado entre diferentes  </line>
    <line>gerações.   </line>
    <line>7  A estruturação organizacional engloba os processos de mapeamento, a criação dos órgãos de governança (estruturas for - </line>
    <line>mais, tais como fórum familiar, conselho de sócios, conselho de administração, comitê gestor, gestão executiva, conselho de  </line>
    <line>herdeiros) e a elaboração de documentos que orientam e regulam o negócio familiar (como o protocolo familiar).  </line>
    <line>8  Atestam esse crescente uso, entre tantos outros, os seguintes trabalhos: Neto (2015); Bertoncelo (2016); Vieira e Chiara- </line>
    <line>monte (2021); Cantu (2024); Albuquerque e Cantu (2026).</line>
  </page>
  <page number="6">
    <line>6 </line>
    <line>Após a coleta, os dados foram organizados no programa  SPSS , o de  </line>
    <line>em variáveis categóricas. Além disso, optou-se por atribuir uma numeração a cada gestora (de 1 a  </line>
    <line>124), a fim de anonimizá-las.      </line>
    <line>As variáveis construídas têm como objetivo avaliar como se entrelaçam dimensões biográficas, fami- </line>
    <line>liares e profissionais na diferenciação social neste espaço. A seguir, o Quadro 1 apresenta as variáveis </line>
    <line>e suas respectivas descrições, contendo uma breve justificativa sobre a escolha de cada variável. </line>
    <line>Quadro 1 – Descrição das variáveis </line>
    <line>Variável Descrição </line>
    <line>Região Organização propriedades segundo regiões Brasil, a de - </line>
    <line>car a localização das propriedades rurais analisadas. As regiões produtoras do país apresentam  </line>
    <line>diferenças em termos de condições climáticas e geográficas, disponibilidade de terras, estrutura </line>
    <line>fundiária, perfil produtivo e processos históricos de ocupação e de desenvolvimento agrícola. </line>
    <line>Idade Identificação diferenças entre gestoras. isso, variável organizada  </line>
    <line>em quatro modalidades correspondentes ao início da vida adulta, à fase adulta intermediária,  </line>
    <line>à meia-idade e à idade mais avançada. </line>
    <line>Formação Identificação nível da de das pois títulos podem </line>
    <line>representar capitais socialmente reconhecidos. </line>
    <line>Estado Civil Identificação fatores podem influência as que mu- </line>
    <line>lheres de atividades fora espaço bem sobre  </line>
    <line>formas de inserção no negócio familiar. </line>
    <line>Filhos Representação do ciclo familiar e reprodutivo das gestoras, considerando a maternidade como  </line>
    <line>um marco significativo na experiência social e biográfica das mulheres que são, ou não, mães. </line>
    <line>Setor de atuação Apresentação das áreas do negócio em que as mulheres atuam com maior frequência, consi - </line>
    <line>derando que determinadas atividades podem indicar diferentes níveis de acesso a posições de  </line>
    <line>gestão, tomada de decisão e prestígio. </line>
    <line>Tempo de atuação Demonstração do tempo de atuação das mulheres nas empresas rurais familiares, uma vez  </line>
    <line>que tempo expressar diferenças trajetórias inserção permanên- </line>
    <line>cia na gestão dessas empresas. </line>
    <line>Inserção Relação entre as diferentes formas pelas quais as gestoras ocupam posições de gestão nas  </line>
    <line>empresas familiares rurais, buscando entender como os modos de acesso a essas posições se  </line>
    <line>expressam na configuração do espaço social analisado. </line>
    <line>Quantidade ho - </line>
    <line>mens que comparti- </line>
    <line>lham a gestão </line>
    <line>Quantificação número homens os as compartilham gestão  </line>
    <line>empresas, tentar possíveis de e distribuição  </line>
    <line>de oportunidades na gestão. </line>
    <line>Faturamento anual Análise do tamanho das propriedades rurais em termos financeiros anuais, podendo fornecer uma </line>
    <line>noção da amplitude da capacidade de mercado dessas empresas, contribuindo também para indi- </line>
    <line>car diferenças na posição ocupada pelas propriedades na configuração do espaço social. </line>
    <line>Atividade predomi- </line>
    <line>nante </line>
    <line>Caracterização das atividades agropecuárias presentes na amostra, contribuindo para a com- </line>
    <line>preensão e análise do contexto produtivo do país. A maioria das propriedades analisadas de - </line>
    <line>senvolve mais de um tipo de cultivo ou atividade produtiva; ainda assim, optou-se por iden - </line>
    <line>tificar a atividade predominante em cada caso para fins de organização e análise da variável. </line>
    <line>Número de emprega- </line>
    <line>dos </line>
    <line>Identificação diferenças estrutura das analisadas, es - </line>
    <line>tar associada ao tamanho do empreendimento, ao nível de tecnologia empregado, ao fatura- </line>
    <line>mento e à atividade produtiva predominante. </line>
    <line>Dificuldades  - </line>
    <line>das pelas gestoras </line>
    <line>A das enfrentadas gestoras, relevante possibilidade  </line>
    <line>revelar são principais relatados observar esses se  - </line>
    <line>buem nas diferentes propriedades sociais das gestoras presentes na amostra. </line>
    <line>Fonte: Elaborado pelos autores (2026).</line>
  </page>
  <page number="7">
    <line>7 </line>
    <line>Para analisar esses dados, foi utilizada a Análise de Correspondências Múltiplas (ACM). Essa téc- </line>
    <line>nica permite reduzir a complexidade da relação entre variáveis categóricas e produz eixos que  </line>
    <line>expressam, forma as predominantes as de (Klüger,  </line>
    <line>2018; 2018; 2022). utilizada ciências brasi- </line>
    <line>leiras9, ela permite a exploração da estrutura de diferenciação de um grupo de indivíduos e, con- </line>
    <line>sequentemente, a compreensão de sua divisão em distintos perfis.</line>
    <line>Nesse artigo, empregamos uma ACM com Seleção de Modalidades Ativas, também conhecida como  </line>
    <line>ACM específica, que permite tornar passivas (não serem consideradas no cálculo de formação dos  </line>
    <line>eixos) algumas das categorias. Usamos essa técnica para desconsiderar as categorias de ausência  </line>
    <line>de resposta (NAs). Para rodar a ACM, foi utilizado o pacote  GDATools no R. Foram utilizadas 63  </line>
    <line>modalidades, destas 55 são ativas e 9 são passivas. O conjunto das variáveis, suas categorias, suas  </line>
    <line>frequências e as coordenadas e contribuição nos eixos 1 e 2 (além de uma legenda explicando cada  </line>
    <line>modalidade) podem ser observadas através do Quadro 2.</line>
    <line>Ademais, para aprofundar a compreensão das diferenças internas da amostra, foi empregada uma  </line>
    <line>Análise de Cluster Hierárquica, utilizando como base as coordenadas dos indivíduos derivadas  </line>
    <line>da A dos considerou configuração pontos plano dois  </line>
    <line>primeiros resultando identificação quatro Essa permitiu  </line>
    <line>indivíduos em posições semelhantes no espaço analisado, favorecendo a interpretação das proxi- </line>
    <line>midades e distinções entre os perfis. </line>
    <line>Quadro 2 – Categorias, estatísticas descritivas e resultados da ACM </line>
    <line>Eixo 1 Eixo 2 </line>
    <line>Variável Modalidade Freq % Coord Contrib Coord Contrib Legenda </line>
    <line>Região </line>
    <line>REGIAO.CO 43 34,7 -0,652 3,766 0,073 0,064 </line>
    <line>Centro Oeste (Bolívia, Goiás, Mato  </line>
    <line>Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondô - </line>
    <line>nia) </line>
    <line>REGIAO.SE 49 39,5 0,568 3,254 -0,759 7,825 Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais  </line>
    <line>e São Paulo) </line>
    <line>REGIAO.S 21 16,9 0,368 0,586 1,183 8,148 Sul (Rio Grande do Sul e Paraná) </line>
    <line>REGIAO.NE 11 8,9 -0,683 1,057 0,836 2,133 Nordeste (Bahia) </line>
    <line>Idade </line>
    <line>IDADE.&lt;35 37 29,8 -1,094 9,132 0,021 0,004 Menos e até 35 anos </line>
    <line>IDADE.36-45 32 25,8 -0,065 0,028 -0,407 1,469 De 36 a 55 anos </line>
    <line>IDADE.46-55 28 22,6 0,526 1,596 0,044 0,015 De 46 a 55 anos </line>
    <line>IDADE.&gt;56 27 21,8 1,031 5,919 0,409 1,25 56 anos ou mais </line>
    <line>Formação </line>
    <line>FORMACAO.agrarias 17 13,7 -0,521 0,953 -0,141 0,094 Ciências Agrárias </line>
    <line>FORMACAO.sociais  </line>
    <line>aplicadas 45 36,3 -0,187 0,323 -0,267 0,887 Ciências Sociais Aplicadas </line>
    <line>FORMACAO.saude 13 10,5 0,291 0,226 -0,863 2,685 Ciências da Saúde </line>
    <line>FORMACAO.outras 10 8,1 0,341 0,239 -0,281 0,219 Outras (Exatas, Humanas e Engenha- </line>
    <line>rias) </line>
    <line>FORMACAO.EM 10 8,1 1,207 3,004 1,428 5,656 Ensino Médio </line>
    <line>sem informação 29 23,4 - - - - Sem informação </line>
    <line>9   A util-</line>
    <line>dêmicos, assegurando-se o tratamento ético das informações e o anonimato das participantes e da organização.</line>
  </page>
  <page number="8">
    <line>8 </line>
    <line>Eixo 1 Eixo 2 </line>
    <line>Variável Modalidade Freq % Coord Contrib Coord Contrib Legenda </line>
    <line>Estado  </line>
    <line>Civil </line>
    <line>ESTCIVIL.casada 89 71,8 0,169 0,525 0,072 0,129 Casada </line>
    <line>ESTCIVIL.solteira 18 14,5 -1,369 6,95 -0,2 0,199 Solteira </line>
    <line>ESTCIVIL.viuva 5 4 1,576 2,561 0,417 0,241 Viúva </line>
    <line>ESTCIVIL.divorciada 11 8,9 0,224 0,114 -0,536 0,877 Divorciada </line>
    <line>sem informação 1 0,8 - - - - Sem informação </line>
    <line>Filhos </line>
    <line>FILHOS.sem filhos 34 27,4 -1,089 8,311 -0,015 0,002 Sem filhos </line>
    <line>FILHOS.1 15 12,1 -0,187 0,108 -0,619 1,594 Possui 1 filho </line>
    <line>FILHOS.2 42 33,9 0,202 0,352 -0,297 1,026 Possui 2 filhos </line>
    <line>FILHOS.3 ou &gt; 33 27,4 0,95 6,143 0,675 4,165 Possui 3 filhos ou mais </line>
    <line>Setor de  </line>
    <line>Atuação </line>
    <line>SETOR. administrativo 74 59,7 -0,221 0,745 -0,02 0,008 Administrativo </line>
    <line>SETOR.financeiro 30 24,2 0,152 0,142 0,054 0,024 Financeiro </line>
    <line>SETOR.prod/com 12 9,7 0,605 0,904 0,276 0,253 Produção e Comercial </line>
    <line>SETOR.cons/exe 5 4 1,398 2,015 -1,117 1,728 Conselho e Executivo </line>
    <line>sem informação 3 2,4 - - - - Sem informação </line>
    <line>Tempo de  </line>
    <line>Atuação </line>
    <line>TEMPOAT.&lt;10 52 41,9 -0,621 4,133 -0,071 0,072 10 anos ou menos </line>
    <line>TEMPOAT.11 a 20 27 21,8 0,232 0,298 -0,522 2,037 De 11 a 20 anos </line>
    <line>TEMPOAT.21 a 30 21 16,9 0,838 3,042 0,59 2,026 De 21 a 30 anos </line>
    <line>TEMPOAT.31 a 40 7 5,6 1,335 2,574 0,565 0,619 De 31 a 40 anos </line>
    <line>TEMPOAT.41 ou &gt; 2 1,6 1,209 0,603 1,282 0,911 41 anos ou mais </line>
    <line>sem informação 15 12,1 - - - - Sem informação </line>
    <line>Inserção </line>
    <line>INSERCAO.casamento 21 16,9 0,614 1,631 0,423 1,042 Casamento </line>
    <line>INSERCAO.sucessão 66 53,2 -0,275 1,026 -0,134 0,327 Sucessão </line>
    <line>INSERCAO. herança 19 15,3 -0,61 1,459 -0,434 0,991 Herança </line>
    <line>INSERCAO.fundadora 10 8,1 1,258 3,264 1,587 6,986 Fundadora </line>
    <line>sem informação 8 6,5 - - - - Sem informação </line>
    <line>Quanti - </line>
    <line>dade de  </line>
    <line>Homens  </line>
    <line>que Com- </line>
    <line>partilham  </line>
    <line>a Gestão </line>
    <line>HOM.&lt;1 45 36,3 0,485 2,179 -0,307 1,178 1 homem ou menos </line>
    <line>HOM.2 36 29 -0,544 2,199 -0,223 0,498 2 homens </line>
    <line>HOM.3 25 20,2 0,05 0,013 0,206 0,293 3 homens </line>
    <line>HOM.&gt;4 17 13,7 -0,229 0,184 1,095 5,654 4 homens ou mais </line>
    <line>sem informação 1 0,8 - - - - Sem informação </line>
    <line>Fatura- </line>
    <line>mento </line>
    <line>(R$) </line>
    <line>FATUR.&lt;20mi 25 20,2 0,524 1,413 -0,744 3,835 Menos de R$ 20 milhões </line>
    <line>FATUR.21mi-80mi 65 52,4 -0,196 0,517 -0,086 0,134 De R$ 20 milhões a R$ 80 milhões </line>
    <line>FATUR.&gt;80 30 24,2 -0,029 0,005 0,663 3,653 Mais de R$ 80 milhões </line>
    <line>sem informação 4 3,2 - - - - Sem informação </line>
    <line>Atividade  </line>
    <line>Predomi- </line>
    <line>nante </line>
    <line>ATIV.cereais 92 74,2 -0,347 3,106 0,261 1,738 Cereais (Trigo, Milho, Soja, Arroz e etc.) </line>
    <line>ATIV.café 12 9,7 1,121 3,106 -1,439 6,885 Café </line>
    <line>ATIV.hortifruti 11 8,9 0,978 2,168 -0,287 0,251 Hortifruti </line>
    <line>ATIV.outros 9 7,3 0,86 1,374 -0,399 0,398 Outras (Pecuária de corte e leite e cul- </line>
    <line>tivo de flores) </line>
    <line>Número  </line>
    <line>de Empre- </line>
    <line>gados </line>
    <line>EMPREG.&lt; a 50 25 20,2 0,446 1,026 -0,452 1,415 50 ou menos </line>
    <line>EMPREG.51 a 100 16 12,9 -0,047 0,007 0,831 3,067 De 51 a 100 </line>
    <line>EMPREG.101 a 150 4 3,2 -0,225 0,042 1,108 1,361 De 101 a 150 </line>
    <line>EMPREG.151 a 200 5 4 -0,189 0,037 1,353 2,538 De 151 a 200 </line>
    <line>EMPREG.201 ou &gt; 10 8,1 0,315 0,204 0,495 0,68 De 201 ou mais </line>
    <line>sem informação 64 51,6 - - - - Sem informação </line>
    <line>Dificul-</line>
    <line>dades  </line>
    <line>Enfrenta- </line>
    <line>das pela  </line>
    <line>Gestoras </line>
    <line>DIFICUL.inexp/co - </line>
    <line>nhec no ramo 16 12,9 -0,689 1,565 -0,137 0,083 Inexperiência/conhecimento  no  </line>
    <line>ramo </line>
    <line>DIFICUL.conflito </line>
    <line>fami 10 8,1 0,818 1,378 -0,971 2,616 Conflito geracional/familiar </line>
    <line>DIFICUL.conc fami e  </line>
    <line>trab 11 8,9 0,844 1,617 -1,067 3,469 Conciliar família e trabalho </line>
    <line>DIFICUL.autor/ma- </line>
    <line>chi/desc 29 23,4 -0,509 1,548 0,55 2,43 Autoritarismo/machismo/descrédito </line>
    <line>DIFICUL.inova tec/ger 8 6,5 0,301 0,149 -0,977 2,116 Inovação tecnológica/gerencial </line>
    <line>sem informação 50 40,3 - - - - Sem informação </line>
    <line>Fonte: Elaborado pelos autores (2026).</line>
  </page>
</document>
