“FALAR MENOS, VIVER MAIS”: A CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO ARISTOCRÁTICO NO DISCURSO ESTOICO
DOI:
https://doi.org/10.52052/issn.2176-5960.pro.v18i50.24943Resumo
O presente artigo analisa a injuntividade no Encheiridion de Epicteto para rastrear
regras de formação da posição-sujeito aristocrática no discurso estoico. Nesse sentido, a
constituição do sujeito aristocrático implica a contraposição entre uma filosofia de formação,
presente no estoicismo, e uma filosofia crítica, própria da modernidade. Enquanto a primeira
centra-se no dever, na economia e na ascese intramundana, a segunda, que gestou o sujeito
democrático, pauta-se no querer, na liberdade de expressão e no direito. Enquanto a democracia
associa-se à retórica e à judicialização, a timocracia e o estoicismo valorizam a economia da
palavra e o dever. Pela análise de verbos discendi no imperativo, o discurso estoico, em geral, e o
Encheiridion de Epicteto, em particular, conciliam filosofia e religião, o que resulta em uma ética
do silêncio e do autodomínio para o cuidado de si. A injunção, longe de ser impositiva, funciona
nos moldes de um aconselhamento para a formação de um sujeito abstinente e racional quanto ao
uso da palavra, em contraste com a expressividade típica dos cidadãos formados pelas crenças
democráticas.