chamada vol 44: Construções do cânone literário nas literaturas de língua francesa e portuguesa
Estamos organizandos os dossiês e seção livre do do volume 44
Dossiê: Construções do cânone literário nas literaturas de língua francesa e portuguesa
Organizadores: Profa. Dra. Mirella do Carmo Botaro (Sorbonne Université) e Prof. Dr. Valter Cesar Pinheiro (UFS)
Prazo para submissão de 01/08 a 30/10/2025 (prorrogado)
O Conselho Editorial da Interdisciplinar: Revista de Estudos de Língua e Literatura abre chamada para o volume 44 intitulado “Construções do cânone literário nas literaturas de língua francesa e portuguesa”, organizado pelos professores Valter Cesar Pinheiro, da Universidade Federal de Sergipe, e Mirella do Carmo Botaro, da Sorbonne Université.
Em seu ensaio Por que ler os clássicos (1991), Italo Calvino define o clássico como “um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer”. Devemos entender, a partir dessa premissa, que uma obra se torna um clássico por sua capacidade de suscitar novas leituras por novos leitores, de uma geração a outra, de uma sociedade a outra? Como podemos explicar o fato de que textos literários inscritos em uma época e em um lugar determinados provoquem uma infinidade de discursos críticos que não se esgotam? Quais critérios permitem “canonizar” uma obra, tornando-a assim um clássico a ser traduzido repetidas vezes?
A sociologia da literatura já tentou fornecer uma resposta política e econômica a essas perguntas, notadamente no campo da circulação de obras entre diversos sistemas literários, descrevendo os mecanismos de produção das estruturas de poder e o impacto de um “centro” sobre as literaturas de áreas consideradas dominadas. Sem ignorar essas relações de poder, mas sem fazer delas a única ferramenta de análise, este dossiê tem por objeto o cânone em relação aos efeitos que ele produz no âmbito dos sistemas literários em língua francesa e portuguesa. Se o “clássico” diz coisas que a sociologia dos bens simbólicos não é capaz de supor, ele o diz através das leituras inéditas – e, de certa forma, imprevistas. No ano em que se celebram os 200 anos da relação entre o Brasil e a França, marcada por uma série de eventos que compõem a Saison Croisée France-Brésil 2025 – dentre os quais o seminário intitulado “Ce que la traduction dit du canon littéraire pour l’aire lusophone”, realizado na Sorbonne Université em abril deste ano sob a direção dos organizadores desse dossiê –, a revista Interdisciplinar propõe-se a pensar o cânone literário nas literaturas em línguas portuguesa e francesa, seja nas relações entre elas, seja no interior de cada sistema literário.
Como têm sido editados – e recepcionados por leitores e críticos – autores como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Nelson Rodrigues na França? Qual o sentido – e os desafios – de retraduzir escritores canônicos como Rimbaud e Baudelaire no Brasil, hoje? Por que reeditar Brás, Bexiga e Barra Funda, de Alcântara Machado, no Brasil, com as notas da tradução francesa? O que representa, para a formação de novos leitores e para os estudos acadêmicos mais recentes, a mudança no critério de escolha das obras literárias de leitura obrigatória em vestibulares de grandes universidades brasileiras e no baccalauréat francês? A fim de refletir sobre questões como essas, que colocam os leitores do original e da tradução de obras francesas e brasileiras no centro de nossa discussão, esse dossiê acolherá trabalhos que tratem do cânone literário francófono e lusófono, em artigos individuais ou escritos em coautoria, em português, inglês, francês e espanhol.
Indicações
AGAMBEN, Giorgio. Profanações. São Paulo: Boitempo, 2007.
ARAÚJO, Daniel Teixeira de Costa. O cânone literário em perspectiva: o caráter político em detrimento do estético. Via Litterae – Revista de Linguística e Teoria Literária. Anápolis, v. 3, n. 2, p. 415-434, jul./dez. 2011.
BLOOM, Harold. O cânone ocidental: os livros e a escola do tempo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.
CAIRO, Luiz Roberto Veloso. Memória cultural e construção do cânone literário Brasileiro. Scripta, Belo Horizonte, v. 4, n. 8, p. 32-44, 2001.
CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
COUTINHO, E. Literatura comparada, literaturas nacionais e o questionamento do cânone. Revista Brasileira de Literatura Comparada. Rio de Janeiro, n. 3, p. 37-73, 1996.
DUARTE, João Ferreira. A Lição do cânone: uma autorreflexão dos estudos literários. Lisboa: Colibri/CEAUL, 2006.
PERRONE-MOISÉS, Leyla. Mutações da literatura no século XXI. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
SCRAMIM, S. Cânone e liberdade. Revista Brasileira de Literatura Comparada. Belo Horizonte, n. 6, p. 239-250, 2002.
SULLÀ, Enric (Org.). El canon literario. Madrid: Arco/Libros, 1998.
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Previsão de publicação: dezembro 2025















