Quem paga a conta da crise climática?
Direitos humanos, desigualdades e justiça socioambiental no Antropoceno
Palavras-chave:
mudanças climáticas, epistemologias do Sul, desigualdades socioambientais, justiça climática, direitos humanosResumo
O presente artigo analisa criticamente as inter-relações entre mudanças climáticas e direitos humanos, evidenciando como a crise ecológica contemporânea intensifica desigualdades socioambientais e tensiona os marcos normativos modernos. A investigação parte da compreensão de que o aquecimento global não constitui apenas um fenômeno ambiental, mas expressão de uma racionalidade histórica vinculada à expansão do capitalismo, à colonialidade do poder e à exploração sistemática dos bens comuns. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa, de natureza teórico-bibliográfica, fundamentada em autores contemporâneos do campo da justiça climática, das epistemologias do Sul e da governança ambiental. Os resultados indicam que os instrumentos tradicionais de proteção dos direitos humanos mostram-se insuficientes para responder à complexidade dos impactos climáticos, exigindo uma reconfiguração paradigmática que incorpore perspectivas interseccionais, decoloniais e ecológicas. Conclui-se que a construção de respostas eficazes à crise climática demanda transformações estruturais nos modelos de desenvolvimento, bem como o fortalecimento de práticas democráticas, participativas e sustentáveis.
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