A presença das mulheres na Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (ANCIB) (1989-2026)

The presence of women in the Brazilian Association of Research and Postgraduate Studies in Information Science (ANCIB) (1989-2026)

La presencia de mujeres en la Asociación Brasileña de Investigación y Postgrado en Ciencias de la Información (ANCIB) (1989-2026)

La présence des femmes au sein de l'Association brésilienne de recherche et d'études supérieures en sciences de l'information (ANCIB) (1989-2026)

Gisele Rocha CÔRTES1 Ana Patrícia Silva MOURA2 Rebeca Klywiann CARDONE3 Maria Vitória Soares de SOUZA4 Isabela da Silva GONÇALVES5


Correspondência


Autor para correspondência. Ana Patrícia Silva Moura

E-mail: anapmoura1807@gmail.com

ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8985-259X


Submetido em: 15/09/2025 Aceito em: 12/11/2025 Publicado em: 30/12/2025


1 Doutora em Sociologia e docente do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFPB (PPGCI/UFPB).

2 Mestra em Ciência da Informação e doutoranda em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Pernambuco (PPGCI/UFPE).

3 Mestra em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba (PPGCI/UFPB).

4 Graduanda em Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

5 Graduanda em Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)


RESUMO

Este estudo objetiva identificar o perfil das mulheres que integraram as diretorias da ANCIB, considerando gênero, formação acadêmica e vínculo institucional. A abordagem adotada é quanti-qualitativa, com caráter exploratório, documental e descritivo. Os dados foram coletados no site da ANCIB e na plataforma do Currículo Lattes, mantida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os resultados demonstram que as mulheres não apenas participam, mas lideram processos decisórios e epistemológicos, configurando-se como agentes sociais de transformação na CI. Ao mesmo tempo, evidencia-se a necessidade de novas pesquisas para aprofundar o reconhecimento do protagonismo social das mulheres no campo científico, historicamente invisibilizadas, explorando suas contribuições para o avanço da área e da maior associação científica da CI brasileira, a ANCIB.

Palavras-chave: mulheres na ciência; estudos de gênero; ANCIB.

ABSTRACT

The study aims to identify the profile of these women, specifically considering gender, academic training and institutional ties. The approach adopted is quantitative-qualitative, with an exploratory, documentary and descriptive nature. The data was collected on the ANCIB website and on the Currículo Lattes platform, maintained by the National Council for Scientific and Technological Development (CNPq). results demonstrate that women not only participate, but lead decision-making and epistemological processes, configuring themselves as social agents of transformation in IC. At the same time, they show the need to carry out new research that deepens the recognition of the social protagonism of women in the scientific field, historically invisible, exploring their contributions to the advancement of the area and the largest scientific association of Brazilian CI, ANCIB.

Keywords: women in science; gender studies; ANCIB.

RESUMEN

El estudio pretende identificar el perfil de estas mujeres, considerando específicamente el género, la formación académica y el vínculo institucional. El enfoque adoptado es cuantitativo-cualitativo, de carácter exploratorio, documental y descriptivo. Los datos fueron recolectados en el sitio web de la ANCIB y en la plataforma Currículo Lattes, mantenida por el Consejo Nacional de


Desarrollo Científico y Tecnológico (CNPq). Los resultados demuestran que las mujeres no sólo participan, sino que lideran procesos epistemológicos y de toma de decisiones, configurándose como agentes sociales de transformación en la CI. Al mismo tiempo, muestran la necesidad de realizar nuevas investigaciones que profundicen el reconocimiento del protagonismo social de las mujeres en el campo científico, históricamente invisibles, explorando sus contribuciones al avance del área y de la mayor asociación científica de la CI brasileña, ANCIB.

Palabras clave: mujeres en la ciência; estudios de género; ANCIB.

RÉSUMÉ

Cette étude vise à identifier le profil des femmes qui ont intégré les conseils d'administration de l'ANCIB, en tenant compte du genre, de la formation universitaire et du lien institutionnel. L'approche adoptée est quantitative et qualitative, de nature exploratoire, documentaire et descriptive. Les données ont été collectées sur le site web de l'ANCIB et sur la plateforme Currículo Lattes, gérée par le Conseil national du développement scientifique et technologique (CNPq). Les résultats montrent que les femmes ne se contentent pas de participer, mais qu'elles dirigent les processus décisionnels et épistémologiques, se positionnant ainsi comme des agents sociaux de transformation dans le domaine de la CI. Dans le même temps, il apparaît nécessaire de mener de nouvelles recherches afin d'approfondir la reconnaissance du rôle social des femmes dans le domaine scientifique, historiquement invisibilisées, en explorant leurs contributions à l'avancement du domaine et de la plus grande association scientifique de la CI brésilienne, l'ANCIB.

Mots-clés: femmes dans la science; études de genre; ANCIB.


  1. INTRODUÇÃO


    O presente artigo constitui um recorte de um projeto de pesquisa de maior amplitude, intitulado “O Protagonismo Social das Mulheres na Associação Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ANCIB)”. A motivação deste projeto se fundamentou na constatação de que, historicamente, tanto no Brasil quanto em diferentes contextos internacionais, as mulheres têm enfrentado


    persistentes barreiras estruturais para a participação plena e equitativa na atividade científica. Estudos em diferentes áreas evidenciam que, apesar das inúmeras descobertas, invenções e construções teóricas protagonizadas por mulheres, a lógica hegemônica pautada em valores patriarcais resultou, reiteradamente, na sua invisibilização, exclusão simbólica e sub-representação em espaços de reconhecimento científico (Ferreira, 2020; Hooks, 2015; Marinho et al., 2024)

    Essa realidade reforça que muitas cientistas foram historicamente invisibilizadas, privadas do devido reconhecimento em diversas áreas do saber. Nesse contexto, a presente pesquisa se propõe a responder à seguinte questão: qual o perfil das mulheres que integraram as diretorias da ANCIB em termos de gênero, formação acadêmica e vínculo institucional? Para tanto, o objetivo desta investigação é identificar o perfil dessas mulheres, considerando especificamente gênero, formação acadêmica e vínculo institucional. A ANCIB visa a acompanhar e fomentar o ensino de pós-graduação e a pesquisa em Ciência da Informação (CI) no Brasil. Desde sua criação, ela se destaca nacional e internacionalmente como espaço de representação científica e política para o debate de temas da área.

    Reconhecer a atuação das mulheres na ANCIB constitui ação fundamental para valorizar a atividade científica de pesquisadoras que, historicamente, contribuem para a construção da CI. Nesse sentido, traçar o perfil dessas mulheres em termos de gênero, formação acadêmica e vínculo institucional é relevante por permitir compreender como ocorre essa ocupação de posições de protagonismo social e científico. Assume-se o pressuposto de que as pesquisadoras são protagonistas sociais, uma vez que, por meio de


    suas atividades de ensino, pesquisa, extensão, cargos de coordenação e formação de novos(as) pesquisadores(as), seus perfis acadêmico e institucional refletem resistências às desigualdades de poder e às hierarquias de gênero presentes na atividade científica.

    O protagonismo configura, em sua essência, uma prática de resistência frente à opressão, discriminação, desrespeito e negação ao diferente. Nesse sentido, não é possível discutir protagonismo sem reconhecer que ele não só decorre da ação mediadora, mas também a potencializa e, consequentemente, impacta na dimensão política desta ação (Gomes, 2019). Abordagens informacionais que contemplem as experiências das mulheres, sua interação com a informação e os mecanismos de resistência podem contribuir na produção de conhecimentos para a justiça epistêmica (Fricker, 2024). A abordagem adotada é quanti-qualitativa, com caráter exploratório, documental e descritivo. Os dados foram coletados no site da ANCIB e na plataforma do Currículo Lattes das(os) pesquisadoras(es). A relevância desta investigação reside em seu potencial para evidenciar a presença, as trajetórias e a influência das mulheres na consolidação da CI, contribuindo para o enfrentamento das desigualdades de gênero no campo científico e para inspirar novas mulheres na trajetória da atividade científica. O ineditismo e a inovação da proposta contribuem para o desenvolvimento científico ao ampliar a produção sobre mulheres na CI, visibilizando a ANCIB

    e as cientistas que nela atuaram e atuam.


  2. MULHERES NA CIÊNCIA


    A estrutura patriarcal, marcada pela segregação dos sexos, exerce influências que mantêm desigualdades sociais, econômicas e políticas, favorecendo os homens e desfavorecendo as mulheres. Essa lógica impacta de forma desigual a participação das mulheres na sociedade, sobretudo quando atravessada por marcadores sociais como raça, etnia e classe (Côrtes, 2024).

    No campo científico, a estrutura hegemônica também se manifesta ao relegar às mulheres a posição de subalternidade, reflexo de um histórico de exclusão iniciado ainda na educação básica (Beltrão; Alves, 2009; Ribeiro, 2000) – restrita às mulheres brancas. A construção social que associa as mulheres, particularmente as negras, à suposta incapacidade intelectual para o exercício das atividades científicas se reproduz em diversos momentos históricos (Aquino, 2015; Hooks, 2015). Quando se associam os marcadores sociais de gênero e raça, as desigualdades são potencializadas, sendo mais desafiador para as pesquisadoras negras equidade na atividade científica (Côrtes, 2024; Moura, 2021). Segundo o movimento Parent in Science (2023), em levantamento realizado a respeito das 15.580 Bolsas de Produtividade (PQ) em vigência em julho de 2023, de um total de 109. 548 docentes, 10.208

    (64,4%) foram conferidas a homens; somente 5.642 (35,6%) foram concedidas a mulheres. No nível 1A, dentre as 1.192 bolsas oferecidas, apenas 27,2% são para mulheres. Nesse universo, nenhuma pesquisadora se autodeclara preta ou indígena.

    Desde sua origem, a ciência está imersa em uma dinâmica de gênero patriarcal, racista e elitista, que sistematicamente exclui as mulheres de sua construção e contribui para a perpetuação das desigualdades na carreira científica (Moura, 2022). Esse cenário é agravado pela divisão sexual do trabalho, que responsabiliza quase


    exclusivamente às mulheres pelas dinâmicas familiares, como os cuidados domésticos e com os(as) filhos(as) – especialmente em contextos de relações heterossexuais (Kergoat, 2009). Tal sobrecarga compromete o acesso, a permanência e o avanço das mulheres na produção do conhecimento científico. Os estereótipos da socialização sexista influenciam as carreiras das mulheres, gerando desigualdades como a segregação horizontal, que as concentra em áreas específicas, e a segregação vertical, que limita o acesso a cargos de prestígio e poder (Olinto, 2011).

    Nos campos da Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia, os desafios enfrentados e as estratégias de resistência construídas pelas mulheres para se afirmarem são analisados em diferentes momentos por Elisabeth Martucci (1996), Joselina da Silva (2010), Gilda Olinto (2011), Maria Mary Ferreira (2020), Rebeca Klywiann Cardone (2022), Franciele Garcês-da-Silva (2023), Henriette Ferreira Gomes (2023), entre outras pesquisadoras. Essas investigações evidenciam a estigmatização e desvalorização de arquivistas e bibliotecárias pela predominância das mulheres nas áreas, além da ausência e invisibilidade das mulheres em arquivos e museus, reforçadas por uma narrativa histórica eurocêntrica e centrada nas experiências masculinas (Pret, 2020; Simioni; Eleutério, 2018; Sousa, 2014). Nos anos 2000, os estudos de gênero ainda eram pouco consolidados na CI, sobretudo na Biblioteconomia, marcada pela falta de um posicionamento crítico e pela persistente desvalorização das mulheres no campo científico e na própria área (Ferreira, 2020).

    Embora a participação das mulheres tenha sido historicamente expressiva na Biblioteconomia, incluindo figuras como Adelpha Figueiredo, sua atuação foi muitas vezes apagada das narrativas,


    favorecendo homens, e ainda enfrenta preconceitos (Ferreira, 2020; Oliveira; Bufrem, 2019; Pires; Dumont, 2016). Pesquisadoras têm desafiado normas sociais e culturais; apesar de bibliotecárias formadas e atuantes desde a década de 1930, a Biblioteca Nacional só foi dirigida por uma mulher em 1971, 161 anos após sua criação (Cardone, 2023; Sousa, 2014).

    A área busca mitigar desigualdades, utilizando a informação para produzir novos sentidos pautados no respeito à alteridade e promovendo mudanças e conhecimentos voltados ao desenvolvimento científico e à inclusão social de grupos marginalizados (Aquino, 2007; Olinto, 2011). Consideramos que acessar e se consolidar na academia, construir uma trajetória científica e integrar a diretoria da maior associação da CI brasileira, a ANCIB, implica em uma ação protagonista, como a assunção de ações de liderança, a tomada de posições, o enfrentamento de obstáculos coletivos e a atuação em favor do bem comum (Gomes, 2019).

    A relevância do tema se evidencia pelo fato de que, apesar do avanço das pesquisas sobre gênero na CI desde os anos 2000 (Marinho et al., 2024; Moura; Côrtes, 2024) e da criação do GT 12 - Informação, Estudos Étnico-Raciais, Gênero e Diversidades, ainda não existem produções na Base de Dados de Pesquisa em Ciência da Informação (BRAPCI) e Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) que abordem o protagonismo social das mulheres nas diretorias da maior associação científica da CI brasileira. Evidenciar as mulheres e sua representatividade nas áreas científicas é fundamental para desconstruir estereótipos de gênero e empoderar meninas e mulheres. Refletir sobre estratégias de igualdade e


    visibilizar o protagonismo social feminino na CI constitui um ato estratégico, ético e político.

    2.2 ANCIB

    A ANCIB é uma instância de representação científica e política, uma sociedade civil, sem fins lucrativos, que congrega sócias/os institucionais e individuais. A Associação foi oficializada em 23 de junho de 1989 (Freire; Alvares, 2013). Na ocasião, aprovou-se o estatuto da ANCIB e sua primeira Diretoria provisória, com mandato até 1990, tendo na presidência a Profa. Dra. Dinah Aguiar Población, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas e Universidade de São Paulo, e a Profa. Dra. Tania Mara Botelho, da Universidade de Brasília, como Vice-Presidenta (Cardone; Côrtes; Silva, 2024). As gestões da ANCIB são formadas por uma Diretoria e um Conselho Fiscal, compostos por três ou quatro membras(os) – com variações ao longo da história –, eleitas(os) pelo voto das pessoas associadas (ANCIB, 2024). De 1989 até 2026, a ANCIB conta com um total de 16 Diretorias, incluindo a atual Diretoria do biênio 2024-2026. Suas ações se concentram em duas frentes: os Programas de Pós-Graduação stricto sensu, representados por seus(as) coordenadores(as), e o Encontro Nacional de Pesquisa da ANCIB (Enancib), fórum que reúne pessoas pesquisadoras em Grupos de Trabalho voltados a temas especializados da CI.


  3. METODOLOGIA


    A pesquisa adota uma abordagem quanti-qualitativa, considerada complementar, pois combina dados quantitativos e qualitativos para ampliar a compreensão da realidade, evitando


    dicotomias científicas (Bufrem; Alves, 2020; Minayo, 2010). Trata-se de um estudo documental com fase exploratória e análise de dados descritiva, com coleta de dados realizada no site da ANCIB e na Plataforma Lattes, considerando como universo os integrantes das Diretorias e do Conselho Fiscal até 2026. A análise documental contemplou as seguintes categorias: gênero, formação acadêmica, vínculo institucional e períodos/cargos ocupados na ANCIB. A associação, fundada em 23 de junho de 1989, é uma sociedade civil sem fins lucrativos voltada ao ensino e à pesquisa em CI no Brasil, organizada por Diretorias e Conselho Fiscal eleitos, com mandatos de dois anos e possibilidade de reeleição (ANCIB, 2024; Freire; Alvares, 2013; Martins, 2014). Dessa forma, sua finalidade é incentivar as atividades de ensino de Pós-Graduação e de pesquisa em CI no Brasil, contribuindo para o fomento dos debates de interesse às temáticas da área. As gestões da ANCIB são formadas por uma Diretoria, composta por três membras(os) eleitas(os) pelo voto das(os) associadas(os). Além da Diretoria, as gestões também dispõem de um Conselho Fiscal, formado por pesquisadoras(es) e Professoras(es) Associadas(os) eleitas(os) para um mandato de dois anos, podendo haver reeleição (ANCIB, 2024). Desde sua fundação, já houve 16 Diretorias, estando a do biênio 2024-2026 em exercício atualmente. Na próxima seção, serão apresentados os achados da pesquisa.


  4. RESULTADOS E DISCUSSÃO


    O Gráfico 1 apresenta o total de membros da diretoria da ANCIB, composto por 42 (quarenta e duas) pessoas. Já o Gráfico 2 evidencia a distribuição desse contingente segundo o gênero.

    Gráfico 1 - Integrantes da Diretoria da ANCIB por gênero

    Fonte: Dados da pesquisa (2025).

    Gráfico 2 - Integrantes do Conselho Fiscal da ANCIB por gênero

    Fonte: Dados da pesquisa (2025).


    O Gráfico 1 apresenta o quantitativo de integrantes que constituem a diretoria da ANCIB por gênero, conforme os seguintes cargos: presidente/a, vice-presidente/a, secretário/a e tesoureiro/a. O Gráfico 2 apresenta a quantidade total de integrantes presentes no Conselho Fiscal da ANCIB, representando 36 pessoas. Assim, será abordada a quantia distribuída por gênero dos(as) integrantes. O Gráfico 2 mostra a composição de gênero do conselho fiscal da ANCIB (1989-2026), com dois membros docentes e um discente. A diretoria e o conselho fiscal, como espaços estratégicos de gestão, concentram decisões sobre os rumos institucionais e científicos da CI; a presença expressiva de mulheres evidencia seu protagonismo na consolidação da área (Cardone; Côrtes; Silva, 2024).

    11

    Além disso, a CI indica o protagonismo das mulheres na investigação de seus contextos socioculturais e das relações de gênero, refletido em produções científicas no ENANCIB e em dissertações e teses nos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI), reforçando o fortalecimento crítico e epistemológico da área (Luciano; Côrtes; Silva, 2023; Moura; Côrtes, 2024). No entanto, ainda persistem desafios relacionados à participação das mulheres no campo científico. Observa-se a



    influência dos processos de segregação vertical e horizontal (Olinto, 2011), bem como, de forma mais intensa, os impactos sistêmicos do racismo e do sexismo sobre pesquisadoras negras e indígenas, o que limita seu crescimento e avanço acadêmico-profissional (Rodrigues et al., 2021). Assim, a desigualdade de gênero estrutural no campo científico reverbera na baixa ascensão de mulheres em relação aos homens nesse campo, sendo ainda mais expressiva no contexto de mulheres que são mães monoparentais (Barros; Alves, 2025). Em seguida, o Quadro 1 apresenta a relação de todos(as) dos cargos e a vinculação institucional dos(as) integrantes da ANCIB, de acordo com o período de 1989 a 2026, totalizando 28 (vinte e oito) instituições.

    Quadro 1 – Diretorias e Conselhos Fiscais da ANCIB (1989-2026)

    1989-1991

    DIRETORIA

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Dinah Aguiar Poblacion

    Presidenta

    USP

    Tania Mara Botelho

    Vice-presidenta

    Não localizado*

    Aldo de Albuquerque Barreto

    Secretário-geral

    Universidade da Amazônia/IBICT

    Maria Cléofas Alencar

    Secretária

    Embrapa

    Johanna Wilhelmina Smit

    Tesoureira

    USP

    CONSELHO FISCAL

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Wanda Paranhos

    Membro docente

    UFPA

    Eduardo Jóse Wense Dias

    Membro docente

    UFMG

    Maria Elizabeth Baltar Carneiro de Albuquerque

    Membro discente

    UFPB

    1991-1993

    DIRETORIA

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Dinah Aguiar Poblacion

    Presidenta

    USP

    Aldo de Albuquerque Barreto

    Vice-presidente e Secretário-geral

    Universidade da Amazônia/IBICT

    Maria Cléofas Alencar

    Secretária

    Embrapa

    Waldomiro de Castro Santos W.

    Tesoureiro

    USP

    CONSELHO FISCAL

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Wanda Paranhos

    Membro docente

    UFPA

    Eduardo Jóse Wense Dias

    Membro docente

    UFMG

    Maria Elizabeth Baltar Carneiro de

    Albuquerque

    Membro discente

    UFPB

    1994-1996

    DIRETORIA

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Solange Puntel Mostafa

    Presidenta

    USP

    Aldo de Albuquerque Barreto

    Vice-presidente

    Universidade da Amazônia

    Bernadete Santos Campello

    Secretária

    UFMG

    Cecília Carmen Cunha Pontes

    Tesoureira

    Não localizado*

    Silas Marques de Oliveira

    Secretário

    Instituto Adventista de São Paulo

    CONSELHO FISCAL

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Eduardo Wense Dias

    Membro docente

    UFMG

    Eliany Alvarenga de Araújo

    Membro docente

    UFG

    Luís Carlos Lopes

    Membro discente

    UFF

    1997-2000 / 2000-2003

    DIRETORIA

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Aldo de Albuquerque Barreto

    Presidente

    Universidade da Amazônia

    Edmir Perrotti

    Vice-presidente

    USP

    Emir Suaiden

    1º Secretário

    UnB

    Johanna Wilhelmina Smit

    Secretária

    USP


    Selma Santiago

    Tesoureira

    Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Jahú/Fundação Educacional Dr Raul Bauab

    CONSELHO FISCAL

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Carlos Henrique Marcondes

    Membro docente

    UFF/UFMG

    Ilce Cavalcanti

    Membro docente

    IBICT

    Luís Fernando Sayão

    Membro discente

    IBICT

    2003-2006

    DIRETORIA

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Regina Maria Marteleto

    Presidenta

    UFRJ

    Marilda Lopes Ginez de Lara

    Vice-presidenta

    USP

    Eliany Alvarenga de Araújo

    Secretária

    UFG

    Ana Maria Pereira Cardoso

    1ª Secretária

    PUC-Minas

    Marta Pinheiro Aun

    Tesoureira

    Não localizado*

    CONSELHO FISCAL

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Lídia Alvarenga

    Membro docente

    UFMG

    Juliana do Couto Benfica

    Membro técnico

    UFMG

    Carlos Alberto Ávila Araújo

    Membro discente

    UFMG

    2006-2008

    DIRETORIA

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Marisa Brascher

    Presidenta

    UFSC

    Lígia Café

    Vice-presidenta

    UFSC

    Henriette Ferreira Gomes

    Secretária

    UFBA

    CONSELHO FISCAL

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Edna Lúcia da Silva

    Membro docente

    UFSC

    Lilian Maria Araújo de Rezende Alvares

    Membro docente

    Não localizado*

    Helia de Souza Chaves Ramos

    Membro discente

    IBICT

    2008-2010

    DIRETORIA

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Joana Coeli Ribeiro Garcia

    Presidenta

    UFPB

    Valdir José Morigi

    Vice-presidente

    UFRGS

    Maria das Graças Targino

    Secretária

    UFPI

    CONSELHO FISCAL

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Gilda Olinto

    Membro docente

    UFRJ

    Sandra de Fátima Santos

    Membro docente

    UFPA

    Izabel França de Lima

    Membro discente

    UFPB

    2011-2012 / 2013-2014

    DIRETORIA

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Isa Maria Freire

    Presidenta

    UFPB

    Silvana Aparecida Gregório Vidotti

    Vice-presidenta

    FAPESP

    Lillian Maria Araújo de Rezende Alvares

    Vice-presidenta

    UFSC

    Maria Isabel de Sousa Barreira

    Secretária

    UFBA

    CONSELHO FISCAL

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Marisa Bräscher Basílio Medeiros

    Membro docente

    UFSC

    Marlene de Oliveira Teixeira de Melo

    Membro docente

    UFMG

    Julia Gonçalves da Silveira

    Membro docente

    UFMG

    Claudia Bucceroni Guerra

    Membro discente

    UFRJ

    Alegria Benchimol

    Membro discente

    UFPA

    2015-2016

    DIRETORIA

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Renata Maria Abrantes Baracho Porto

    Presidenta

    UFMG

    Guilherme Ataíde Dias

    Vice-presidente

    UFPB

    Simone da Rocha Weitzel

    Secretária

    UFRJ

    CONSELHO FISCAL

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Valdir José Morigi

    Membro docente

    UFRGS

    Rogério Mugnaini

    Membro docente

    USP

    José Carlos Sales dos Santos

    Membro discente

    UFBA

    2016-2018

    DIRETORIA

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Henriette Ferreira Gomes

    Presidenta

    UFBA

    Carlos Alberto Ávila Araújo

    Vice-presidente

    UFMG

    Fernando César Lima Leite

    Secretário

    UnB

    CONSELHO FISCAL

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Marta Lígia Pomim Valentim

    Membro docente

    UNESP

    Henriette Ferreira Gomes

    Membro docente

    UFBA

    Igor Soares Amorim

    Membro discente

    UFSC

    2020-2022

    DIRETORIA

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Henry Poncio Cruz

    Presidente

    UFPB

    Ana Cristina de Albuquerque

    Vice-presidenta

    UFPB

    José Eduardo Santarém Segundo

    Tesoureiro

    USP

    Maria Cleide Rodrigues Bernardino

    Secretária

    UFCA

    CONSELHO FISCAL

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Fábio Castro Gouveia

    Membro docente

    Universidade do Porto

    Ronaldo Ferreira de Araújo

    Membro docente

    UFAL

    Franciéle Carneiro Garcês da Silva

    Membro discente

    UNIR

    2022-2024

    DIRETORIA

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL


    Henry Poncio Cruz

    Ana Cristina de Albuquerque José Eduardo Santarém Segundo

    Maria Cleide Rodrigues Bernardino

    Presidente Vice-presidenta

    Tesoureiro Secretária

    UFPB UEL

    USP UFCA

    CONSELHO FISCAL

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Fábio Castro Gouveia

    Membro docente

    Katholieke Universiteit Leuven

    Ronaldo Ferreira de Araújo

    Membro docente

    UFAL

    Kariane Regina Laurindo

    Membro discente

    UFMG

    2024-2026

    DIRETORIA

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Martha Suzana Cabral Nunes

    Presidenta

    UFS

    Maria Cleide Rodrigues Bernardino

    Vice-presidenta

    UFCA

    Franciéle Carneiro Garcês da Silva

    Secretária

    UNIR

    João de Melo Maricato

    Tesoureiro

    UnB

    CONSELHO FISCAL

    CARGO

    VÍNCULO INSTITUCIONAL

    Eduardo Satarém

    Membro docente

    USP

    Elaine Rosangela de Oliveira Lucas

    Membro docente

    UDESC

    Arthur Henrique Feijó de Almeida

    Membro discente

    UFPE

    Fonte: Dados da pesquisa (2025).

    *Não localizado no currículo Lattes


    Desta forma, buscou-se destacar as regiões das instituições com as quais os(as) integrantes da Diretoria e do Conselho Fiscal possuem vínculo institucional, considerando os vínculos relativos ao período do exercício de suas funções junto à ANCIB. Nesse sentido, a análise evidencia como esses vínculos se configuraram ao longo do tempo. O Quadro 1 permite observar transformações significativas nas gestões da ANCIB, tanto no âmbito da diretoria quanto no conselho fiscal, especialmente no que se refere às vinculações institucionais e à distribuição regional das representações. Primeiramente, apresentam-se as informações relativas às diretorias e, em seguida, aquelas referentes ao conselho fiscal. Após realização do levantamento total de integrantes da diretoria, observou-se um total de 42 (quarenta e dois) integrantes com nomes que se repetiram ao longo dos anos. Por meio do levantamento, é possível evidenciar uma desproporção quanto à presença de mulheres e homens – 28 mulheres e 14 homens. É possível destacar ainda que, dessas mulheres, 9 (nove) estiveram no cargo de presidenta, 7 (sete) no de vice-presidenta, 11 (onze) no de secretária e, por fim, 4 (quatro) mulheres no cargo de tesoureira. Entretanto, 3 (três) nomes se repetem em diferentes cargos.


    No que se refere às diretorias, nos primeiros anos (1989-1993), observa-se uma concentração das posições de maior destaque na região Sudeste, com a USP. Ao mesmo tempo, a composição incluía instituições de outras regiões, como o IBICT e a Universidade da Amazônia (Norte/Centro-Oeste) e a Embrapa (Centro-Oeste). Nesse período inicial, verifica-se a predominância do Sudeste (1 instituição), mas já houve representações do Norte (1) e do Centro-Oeste (2).

    Na década de 1990, ampliou-se a diversidade regional, com a entrada da UFMG (Sudeste), da UFG (Centro-Oeste) e de instituições do Sul, ainda que a USP continuasse atuante em diferentes cargos. Nesse período, a diretoria passou a contemplar quatro regiões: Sudeste (2 instituições), Sul (1), Centro-Oeste (1) e Norte (1). Desde os anos 2000, observa-se a inclusão de universidades federais do Nordeste (UFPB, UFBA, UFPI), do Sul (UFRGS, UFSC), além de novas participações do Sudeste (UFRJ) e do Centro-Oeste (UFG, UnB). Dessa forma, as cinco regiões brasileiras passam ser representadas. Nas gestões mais recentes (2020-2026), o Nordeste ganhou um maior destaque, com representantes da UFPB, da UFCA, da UFS e da UFAL. Nesse período, participam as cinco regiões, com o Nordeste assumindo o maior quantitativo (5 instituições).

    No que tange ao conselho fiscal, há um total de 36 (trinta e seis) integrantes. Nele se configura uma desproporção em relação aos homens, tendo em vista que as mulheres representam um valor de 23 (vinte e três) da composição das diretorias ao longo dos anos, enquanto os homens apenas 13 (treze). Em relação às instituições, nos primeiros anos, sua composição se restringia principalmente à UFPA (Norte), à UFMG (Sudeste) e à UFPB (Nordeste). Posteriormente, ampliou-se para incluir representantes de


    instituições do Sudeste, como a UFRJ, a UNESP e a UFMG; do Sul, como a UFSC e a UFRGS; e do Nordeste, com a UFBA, a UFAL e a UFPE. Em períodos mais recentes, também aparecem vínculos internacionais, como a Universidade do Porto e a Katholieke Universiteit Leuven. Assim, o conselho fiscal passou a contemplar todas as regiões do Brasil, com maior concentração no Sudeste (USP, UFMG, UNESP, UFRJ) e no Nordeste (UFBA, UFPB, UFAL, UFPE).

    O protagonismo do Nordeste, evidenciado pelos vínculos institucionais das pessoas que ocuparam cargos na Diretoria e no Conselho Fiscal nos últimos 20 anos, articula-se à expansão e consolidação do campo da Biblioteconomia e da Ciência da Informação na região desde os anos 2000. Esse movimento é demonstrado no estudo, que aponta o crescimento expressivo da formação de profissionais em nível superior na área, destacando o Nordeste como a segunda região com maior oferta de cursos, tanto de graduação quanto de pós-graduação stricto sensu (Nascimento; Ferreira; Martins, 2017).

    Algumas lideranças demonstraram trajetórias de continuidade na ANCIB, como Aldo de Albuquerque Barreto (secretário-geral, vice-presidente e presidente), Johanna Wilhelmina Smit (tesoureira e secretária), Eliany Alvarenga de Araújo (conselho fiscal e secretária), Henriette Ferreira Gomes (secretária, presidenta e conselho fiscal), Carlos Alberto Ávila Araújo (membro discente e vice-presidente), Henry Poncio Cruz (presidente em dois mandatos), Maria Cleide Rodrigues Bernardino (secretária e vice-presidenta) e Franciéle Carneiro Garcês da Silva (membro discente e secretária). No Quadro 2, são apresentados os dados referentes à formação acadêmica das mulheres que ocuparam esses cargos


    Quadro 2 – Formação acadêmica das mulheres que integraram as Diretorias e os Conselhos Fiscais da ANCIB (1989-2026)

    MULHERES QUE INTEGRARAM AS DIRETORIAS E CONSELHOS FISCAIS DA ANCIB


    FORMAÇÃO ACADÊMICA


    Alegria Benchimol

    Graduação em Biblioteconomia (IBICT)

    Mestrado em Ciência da Informação (IBICT)

    Doutorado em Ciência da Informação (IBICT)


    Ana Cristina de Albuquerque

    Graduação em Biblioteconomia (Unesp)

    Mestrado em Ciência da Informação (Unesp)

    Doutorado em Ciência da Informação (Unesp)

    Pós-doutorado em Ciência da Informação (UNIBO)


    Ana Maria Pereira Cardoso

    Graduação em Biblioteconomia (UFMG)

    Mestrado em Biblioteconomia (UFMG)

    Doutorado em Ciências da Comunicação (USP)

    Pós-doutorado não especificado (UÉVORA)


    Anna Cristina Brisola

    Graduação em Comunicação Social (Centro Universitário Augusto Motta)

    Mestrado em Ciência da Informação (IBICT)

    Doutorado em Ciência da Informação (UFRJ)

    Pós-doutorado em Ciência da Informação (UFMG/UFPB)


    Bernadete Santos Campello

    Graduação não encontrada*

    Mestrado em Biblioteconomia (UFMG)

    Doutorado em Ciência da Informação (UFMG)


    Cecília Carmen Cunha Pontes

    Graduação não encontrada*

    Mestrado não encontrado*

    Doutorado não encontrado*


    Claudia Bucceroni Guerra

    Graduação em História (UFRJ)

    Mestrado em Ciência da Informação (UFRJ/IBICT)

    Doutorado em Ciência da Informação (UFRJ)


    Dinah Aguiar Poblacion

    Graduação em Biblioteconomia (FESPSP)

    Mestrado em Ciência da Comunicação (USP)

    Doutorado em Ciência da Comunicação (USP)

    Pós-doutorado em Ciência da Informação (UAM)


    Edna Lúcia da Silva

    Graduação em Biblioteconomia (UFSC)

    Mestrado em Ciência da Informação (UFRJ)

    Doutorado em Ciência da Informação (UFRJ)


    Elaine Rosangela de Oliveira Lucas

    Graduação em Biblioteconomia (UFSC)

    Mestrado em Engenharia de Produção (UFSC)

    Doutorado em Ciência da Informação (USP)

    Pós-doutorado em Educação (UDELAR)


    Eliany Alvarenga de Araújo

    Graduação em Biblioteconomia (UFG)

    Mestrado em Ciência da informação (UFPB)

    Doutorado em Ciência da Informação (UnB)


    Franciéle Carneiro Garcês da Silva

    Graduação em Biblioteconomia (UDESC)

    Mestrado em Ciência da Informação (UFRJ)

    Doutorado em Ciência da Informação (UFMG)

    Gilda Olinto

    Graduação em Sociologia e Política (PUC-Rio)



    Mestrado em Ciências Políticas (UMich)

    Doutorado em Comunicação e Cultura (UFRJ)


    Helia de Souza Chaves Ramos

    Graduação em Letras-Inglês (CEUB)

    Graduação em Tradução (UnB)

    Mestrado em Ciência da Informação (UnB)

    Doutorado em Ciência da Informação (UnB)


    Henriette Ferreira Gomes

    Graduação em Biblioteconomia e Documentação (FESPSP)

    Mestrado em Educação (UFBA)

    Doutorado em Educação (UFBA)


    Ilce Gonçalves Milet Cavalcanti

    Graduação em Biblioteconomia (UFPE)

    Mestrado em Ciência da Informação (UFRJ)

    Mestrado em Comunicação (UFRJ)


    Isa Maria Freire

    Graduação em Ciências Sociais (UFRN)

    Mestrado em Ciência da Informação (UFRJ)

    Doutorado em Ciência da Informação (UFRJ)


    Izabel França de Lima

    Graduação em Biblioteconomia (UFPB)

    Graduação em Administração (UFPB)

    Mestrado em Educação (UFPB)

    Doutorado em Ciências da informação (UFMG)


    Joana Coeli Ribeiro Garcia

    Graduação em Biblioteconomia (UFPB)

    Mestrado em Biblioteconomia (UFPB)

    Doutorado em Ciência da Informação (UFRJ)


    Johanna Wilhelmina Smit

    Graduação em Biblioteconomia e Documentação (USP)

    Mestrado em Documentação (EPHE)

    Doutorado em Análise do Discurso (Universidade de Paris-I)


    Julia Gonçalves da Silveira

    Graduação em Biblioteconomia (UFMG)

    Mestrado em Ciência da Informação (UFMG)

    Doutorado em Ciência da Informação (UFMG)


    Juliana do Couto Benfica

    Graduação em Engenharia Civil (UFMG)

    Mestrado em Administração Pública (FJP)

    Doutorado em Ciência da Informação (UFMG)


    Kariane Regina Laurindo

    Graduação em Biblioteconomia (UDESC)

    Mestrado em Gestão de Unidades de Informação (UDESC)

    Doutorado em Ciência da Informação (UFMG)


    Lídia Alvarenga

    Graduação em Biblioteconomia (UFMG)

    Mestrado em Ciência da Informação (UFRJ)

    Doutorado em Educação (UFMG)


    Lígia Café

    Graduação em Biblioteconomia e Documentação (UnB)

    Mestrado em Biblioteconomia e Documentação (UnB)

    Doutorado em Linguística (ULaval)

    Pós-doutorado não especificado (FGV)


    Lilian Maria Araújo de Rezende Alvares

    Graduação em Engenharia Mecânica (UnB)

    Mestrado em Biblioteconomia (UnB)

    Doutorado em Ciência da Informação (UnB)

    Pós-doutorado não especificado (Universitat Jaume I)

    Pós-doutorado não especificado (UFSC)


    Graduação em Biblioteconomia (UFC)



    Maria Cleide Rodrigues Bernardino

    Mestrado em Linguistica (UFPB)

    Doutorado em Ciência da Informação (UnB)

    Pós-doutorado não especificado (UFBA)


    Maria Cléofas Alencar

    Graduação em Biblioteconomia (FESPSP)

    Mestrado em Ciência da informação (School of Library & Information Science - Kent State)

    Doutorado em Educação (Unicamp)

    Pós-doutorado em Ciência da Informação (Kent State University)


    Maria das Graças Targino

    Graduação em Biblioteconomia (UFPE)

    Documentação Social (UNIFSA)

    Mestrado em Biblioteconomia e documentação (UFPB)

    Doutorado em Ciência da Informação (UnB)

    Pós-doutorado não especificado (Instituto Interuniversitario de Iberoamérica da Universidad de Salamanca)


    Maria Elizabeth Baltar Carneiro de Albuquerque

    Graduação em Biblioteconomia (UFPE)

    Mestrado em Biblioteconomia (UFPB)

    Doutorado em Letras (UFPB)

    Pós-doutorado não especificado (USP)


    Maria Isabel de Sousa Barreira

    Graduação em Biblioteconomia e documentação (UNISBA)

    Graduação em Direito (UFBA)

    Mestrado em Ciência da Informação (UFPB)

    Doutorado em Educação (UFBA)


    Maria Isabel de Sousa Barreira

    Graduação em Biblioteconomia e documentação (UNISBA)

    Graduação em Direito (UFBA)

    Mestrado em Ciência da Informação (UFPB)

    Doutorado em Educação (UFBA)


    Marilda Lopes Ginez de Lara

    Graduação em Biblioteconomia e Documentação (FESPSP)

    Mestrado em Ciências da Comunicação (USP)

    Doutorado em Ciência da Comunicação (USP)

    Pós-doutorado não especificado (UC3M)


    Marisa Bräscher Basílio Medeiros

    Graduação em Biblioteconomia (UnB)

    Mestrado em Ciência da Informação (UnB)

    Doutorado em Ciência da Informação (UnB)

    Pós-doutorado em Ciência da Informação (UNESP)


    Marlene de Oliveira Teixeira de Melo

    Graduação em Biblioteconomia (Fundação de Ensino Superior do Oeste de Minas)

    Mestrado em Ciência da Informação (UFRJ)

    Doutorado em Ciência da Informação (não especificado)


    Marta Lígia Pomim Valentim

    Graduação em Biblioteconomia (FESPSP)

    Mestrado em Ciência da Informação (PUC-Campinas)

    Doutorado em Ciência da Comunicação (USP)

    Pós-doutorado não especificado (Universidad de Salamanca)


    Marta Pinheiro Aun

    Graduação em Ciências Biológicas (UFPR)

    Mestrado em Genética (UFPR)

    Doutorado em Ciências Biológicas (USP)


    Martha Suzana Cabral Nunes

    Graduação em Administração (Universidade Tiradentes)

    Mestrado em Educação (UFS)

    Doutorado em Ciência da Informação (UFBA/Université Paul Sabatier)

    Pós-doutorado em Ciência da Informação (UnB)



    Regina Maria Marteleto

    Graduação em Letras (PUC-Minas)

    Graduação em Biblioteconomia (UFMG)

    Mestrado em Ciência da Informação (EHESS)

    Mestrado em Comunicação (EHESS)

    Doutorado em Comunicação (UFRJ)


    Renata Maria Abrantes Baracho Porto

    Graduação em Ciências da Computação (UFMG)

    Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PUC-Minas)

    Mestrado em Ciência da Computação (UFMG)

    Doutorado em Ciência da Informação (UFMG)

    Pós-doutorado não especificado (University of South Florida)


    Sandra de Fátima Santos

    Graduação em Biblioteconomia e Documentação (UFPR)

    Mestrado em Administração Estratégica (PUCPR)

    Doutorado em Informação e Comunicação (Universidade de Salamanca)


    Selma Santiago

    Graduação em Licenciatura em Pedagogia (Faculdade de Educação São Luís)

    Graduação em Matemática (Universidade de Bauru)

    Mestrado em Educação (UNESP)

    Doutorado em Educação (UNESP)


    Silvana Aparecida Gregório Vidotti

    Graduação em Matemática (UNESP)

    Mestrado em Ciência da Computação e Matemática Computacional (USP)

    Doutorado em Educação (UNESP)


    Simone da Rocha Weitzel

    Graduação em Biblioteconomia (UFF)

    Mestrado em Sociologia Rural (UFRS)

    Doutorado em Sociologia (USP)


    Solange Puntel Mostafa

    Graduação em Biblioteconomia e Documentação (UFSCar)

    Mestrado em Ciência da Informação (IBICT)

    Doutorado em Filosofia da Educação (PUC-SP)


    Tania Mara Botelho6

    Graduação em Biblioteconomia (não especificado)

    Graduação em Artes Dramáticas (não especificado)

    Graduação em Informática (não especificado)

    Graduação em Relações Internacionais (não especificado)

    Mestrado em Sistemas de Informação (não especificado)

    Doutorado em Sistemas de Informação (não especificado)

    Pós-doutorado em Sistemas de Informação (não especificado)


    Wanda Paranhos

    Graduação em Biblioteconomia e Documentação (UFPR)

    Mestrado em Ciência da Informação (UFRJ)

    Doutorado em Library And Information Science (Case Western Reserve University)

    Fonte: Dados da pesquisa (2025).

    *Não localizado no currículo Lattes

    A formação acadêmica das mulheres que integraram a diretoria e o conselho fiscal da ANCIB demonstra a predominância


    6 Esta informação será publicada na dissertação “Mulheres na ciência: o protagonismo social das mulheres na Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação”, de autoria de Rebeca Klywiann Cardone Lourenço, defendida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba (PPGCI/UFPB), em 19 de setembro de 2025.


    da área de Biblioteconomia, que reúne 30 registros de graduação, configurando-se como o principal campo de ingresso das pesquisadoras. Em seguida, aparecem de forma menos expressiva as áreas da Comunicação e das Ciências Sociais, com três registros, distribuídos entre Ciências Sociais, Sociologia e Política, além de Sociologia Rural.

    No âmbito da pós-graduação, observa-se a predominância da Ciência da Informação, que concentra 28 registros de mestrado, 25 de doutorado e sete de pós-doutorado. Esses dados evidenciam que, embora haja inserção em diferentes campos de conhecimento, a maior parte da formação acadêmica das mulheres vinculadas à ANCIB se concentra nessa área, como também na graduação em Biblioteconomia, áreas que se constituem como o eixo central no perfil acadêmico e da gestão. As Ciências Exatas reúnem cinco graduações, distribuídas entre Engenharia Civil, Engenharia Mecânica, Matemática e Ciências da Computação. Essa presença também se estende à pós-graduação, com mestrados em Engenharia de Produção, Ciência da Computação, Genética e Matemática Computacional, além de um doutorado em Sistemas de Informação. Apesar dessa representatividade das Ciências Exatas na formação acadêmica das mulheres que protagonizam a ANCIB, a sua participação é marcada por profundas desigualdades de gênero, que se refletem tanto no acesso às formações quanto na permanência e ascensão nas carreiras de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM)7. O estudo conduzido pelo The New York Stem Cell Foundation Research Institute (NYSCF) confirma essa realidade ao mostrar que, embora as mulheres sejam


    7 Science, Technology, Engineering, and Mathematics.


    maioria na graduação (57,1%) e na pós-graduação (52,2%), sua presença diminui para 42,0% entre professoras assistentes, 34,2% entre associadas e apenas 24,0% entre titulares, além da menor participação nas contratações de nível sênior (Beeler et al., 2019).

    Esses dados ilustram, na prática, como as desigualdades estruturais e simbólicas se manifestam, reforçando as segregações horizontais e verticais (Olinto, 2011) e fenômenos como o Efeito Matilda8, que descreve o sub-reconhecimento e a negação de crédito às contribuições de mulheres cientistas, cujos trabalhos são frequentemente ignorados, minimizados ou atribuídos a colegas masculinos (Rossiter, 1993). A ética, nesse contexto, assume um papel essencial no enfrentamento de injustiças simbólicas e estruturais que permeiam as instituições científicas que privilegiam a criação de pequenos grupos de poder (Duque-Cardona; Restrepo-Fernández, 2022), geralmente, liderado por homens. A ética envolve não só o combate às injustiças, mas também a articulação entre redistribuição e reconhecimento (Fraser, 2007), unindo equidade material e valorização simbólica.

    Para isso, propõem-se duas condições: a objetiva, ligada à redistribuição material, e a intersubjetiva, referente às normas culturais institucionalizadas, muitas vezes marcadas por valores androcêntricos e brancos que reproduzem desigualdades. Dessa forma, o reconhecimento não se constitui apenas com a visibilidade de um determinado grupo, mas sim em “desinstitucionalizar padrões de valoração cultural que impedem a paridade de participação e substituí-los por padrões que a promovam” (Fraser, 2007, p. 109).


    8 O conceito de Margaret W. Rossiter (1993) complementa o Efeito Mateus de Merton (1968), que descreve o super-reconhecimento de cientistas proeminentes, inspirado na passagem bíblica de Mateus 13:12.


    Nesse contexto, as mulheres enfrentam obstáculos maiores para obter estima social devido a padrões culturais institucionalizados que depreciam o feminino e o "não-branco". A redistribuição se expressa na garantia de paridade no contexto científico, por meio de ações institucionais para reduzir desigualdades de gênero, como a criação de espaços de mentoria, a promoção de capacitações contra vieses de gênero e a consideração das jornadas de trabalho que envolvem responsabilidades de cuidado, o que exige infraestrutura adequada nos processos avaliativos institucionais (Paz; Pardo-Díaz, 2024).


  5. CONSIDERAÇÕES FINAIS


O estudo evidenciou o protagonismo social das pesquisadoras na ANCIB, tanto na Diretoria quanto no Conselho Fiscal, com ênfase na predominância da formação em Biblioteconomia como base de ingresso e consolidação da trajetória acadêmica das mulheres. Também se observou o fortalecimento do Nordeste nos últimos 20 anos, em um movimento de descentralização da produção científica e ampliação da representatividade feminina na área. Esses resultados demonstram que as mulheres não apenas participam, mas lideram processos decisórios e epistemológicos, configurando-se como agentes sociais de transformação na CI. Ao mesmo tempo, eles mostram a necessidade da realização de novas pesquisas para aprofundar o reconhecimento do protagonismo social das mulheres no campo científico, historicamente invisibilizadas, explorando suas contribuições para o avanço da área e da maior associação científica da CI brasileira, a ANCIB.


REFERÊNCIAS


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