A Cidade de João Pessoa na Gira de Mãe Beata: Saluba Nanã!1
The City of João Pessoa in The Tour of Mother Beata: Saluba Nanã!
La Ciudad de João Pessoa en la Gira de Madre Beata:
¡Saluba Nanã
La ville de João Pessoa dans la tournée de Mãe Beata : Saluba Nanã!
Karina Ceci de Sousa HOLMES2 Bernardina Maria Juvenal Freire de OLIVEIRA 3
Correspondência
Autora para correspondência: Karina Ceci de Sousa Holmes
E-mail: karinaholmes.holmes@gmail.com ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6208-9755
Submetido em: 15/09/2025 Aceito em: 11/12/2025 Publicado em: 30/12/2025
1 Saudação ao orixá Nanã.
2 Doutoranda em Ciência da Informação no Programa Pós-Graduação em Ciência da Informação na Universidade Federal da Paraíba.
3 Doutora e Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba.
4 Doutora e Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba.
Esta publicação tem como objetivo evidenciar a trajetória de Mãe Beata, mulher negra e sertaneja, cuja experiência religiosa se constituiu a partir da Umbanda, da Jurema e do Candomblé, tradições que lhe serviram como fonte de fé, resistência e fortalecimento comunitário. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, desenvolvida com base em procedimentos bibliográficos e documentais. Busca destacar aspectos relevantes e, por vezes, pouco conhecidos de sua atuação, especialmente em um contexto de perseguições políticas, sociais e religiosas. Nesse percurso, evidencia-se a importância de sua contribuição para a consolidação e visibilidade das religiões afro-indígenas brasileiras na cidade de João Pessoa/PB, resgatando marcos históricos e simbólicos que ecoaram por meio dos cânticos, dos atabaques e das práticas rituais. Pretende-se, assim, não apenas homenagear a memória de Mãe Beata, mas também reconhecer o legado de outros(as) pais e mães de santo que, juntamente com ela, desempenharam papel fundamental na preservação e difusão dessas tradições religiosas.
This publication aims to highlight the trajectory of Mãe Beata, a Black woman from the Sertão region, whose religious experience was shaped by Umbanda, Jurema, and Candomblé, traditions that served as a source of faith, resistance, and community strengthening. The research is qualitative, exploratory, and descriptive in nature, developed using bibliographic and documentary procedures. It seeks to highlight relevant and sometimes little-known aspects of her work, especially in a context of political, social, and religious persecution. In this process, the importance of her contribution to the consolidation and visibility of Afro-Brazilian religions in the city of João Pessoa/PB is evident, recovering historical and symbolic landmarks that resonated through chants, drums, and ritual practices. Thus, the intention is not only to honor the memory of Mãe Beata but also to recognize the legacy of other priests and priestesses who, along with her, played a fundamental role in the preservation and dissemination of these religious traditions.
Esta publicación busca destacar la trayectoria de Mãe Beata, una mujer negra de la región del Sertão, cuya experiencia religiosa se vio influenciada por la Umbanda, la Jurema y el Candomblé, tradiciones que sirvieron como fuente de fe, resistencia y fortalecimiento comunitario. La investigación es cualitativa, exploratoria y descriptiva, desarrollada mediante procedimientos bibliográficos y documentales. Busca destacar aspectos relevantes y, a veces, poco conocidos de su obra, especialmente en un contexto de persecución política, social y religiosa. En este proceso, se evidencia la importancia de su contribución a la consolidación y visibilidad de las religiones afrobrasileñas en la ciudad de João Pessoa/PB, recuperando hitos históricos y simbólicos que resonaron a través de cantos, tambores y prácticas rituales. Así, la intención no es solo honrar la memoria de Mãe Beata, sino también reconocer el legado de otros sacerdotes y sacerdotisas que, junto con ella, desempeñaron un papel fundamental en la preservación y difusión de estas tradiciones religiosas.
Cette publication a pour objectif de mettre en lumière le parcours de Mãe Beata, femme noire originaire du sertão, dont l'expérience religieuse s'est construite à partir de l'Umbanda, de la Jurema et du Candomblé, traditions qui lui ont servi de source de foi, de résistance et de renforcement communautaire. La recherche est de nature qualitative, exploratoire et descriptive, développée à partir de procédures bibliographiques et documentaires. Elle vise à mettre en évidence des aspects pertinents et parfois peu connus de son action, en particulier dans un contexte de persécutions politiques, sociales et religieuses. Au cours de ce parcours, l'importance de sa contribution à la consolidation et à la visibilité des religions afro-indigènes brésiliennes dans la ville de João Pessoa/PB est mise en évidence, en rappelant des repères historiques et symboliques qui ont résonné à travers les chants, les atabaques et les pratiques rituelles. L'objectif est donc non seulement de rendre hommage à la mémoire de Mãe Beata, mais aussi de reconnaître l'héritage d'autres pères et mères de saints qui, avec elle, ont joué un rôle fondamental dans la préservation et la diffusion de ces traditions religieuses.
REGISTRANDO O NASCIMENTO DE UMA NOVA FILHA
Trabalhar com as informações materializadas nos documentos pessoais, isto é, com a informação de si, possibilita o acesso às memórias de um tempo vivido pela titular do acervo, destacando seus feitos, suas realizações, seu legado (Holmes, 2023, p.34).
A memória constitui-se como um dos principais dispositivos de preservação identitária, sobretudo quando relacionada a figuras cuja trajetória se projeta para além da dimensão individual. Como aponta Joel Candau (2025, p. 143-145), “[...] todo indivíduo morto pode converter-se em um objeto de memória e de identidade, tanto mais quando estiver distante no tempo”, na medida em que “[...] a memória dos mortos é um recurso essencial para a identidade”. Milena Batista (2014, p. 43) complementa essa perspectiva ao afirmar que “[...] a identidade brota entre os túmulos da comunidade, mas floresce graças à promessa da ressurreição dos mortos”. A evocação da memória, portanto, ultrapassa o registro factual, assumindo um caráter simbólico e cultural capaz de produzir sentidos coletivos.
Paul Ricoeur (2007, p. 27) lembra que “[...] a memória e a imaginação partilham o mesmo destino”, destacando a dimensão interpretativa que acompanha o ato de lembrar. Esse aspecto é central na compreensão de narrativas como a de Mãe Beata de Iemanjá, cuja trajetória não apenas rememora experiências individuais, mas também alimenta o imaginário coletivo. Nesse sentido, Conceição Evaristo (2008, p. 8) reforça a importância da transmissão da memória ancestral ao afirmar que “contar as histórias
dos antepassados é também transmitir a força deles. Saber a
tradição e estar protegido, fortalecido [...]”.
Do ponto de vista epistemológico, o ato de registrar trajetórias individuais está diretamente vinculado ao fortalecimento da memória social. Izabella Nunes (2020, p. 15) enfatiza que
[...] toda pessoa tem algo para compartilhar; e que, ao registrar ou publicar, promove sentidos, reconhecimentos e uma compreensão de vida livre e ampla, essencial para que se conheça e se respeite uma sociedade tão diversa.
Assim, a escrita sobre Mãe Beata de Iemanjá da cidade de João Pessoa/PB não se restringe à dimensão biográfica, mas representa um gesto de preservação e valorização da memória de uma liderança feminina negra cuja relevância atravessa os campos religioso, cultural e social.
A trajetória de Mãe Beata revela um processo de resistência que se desdobra em múltiplas frentes. Ao mesmo tempo em que reafirma identidades afro-religiosas, ela tensiona estruturas sociais marcadas por preconceitos raciais, religiosos e de gênero. Não se trata apenas de conferir visibilidade a uma mulher negra, umbandista, juremeira e candomblecista, mas de analisar como sua atuação desestabilizou normas hegemônicas ao afirmar o direito de existir, decidir e conduzir práticas religiosas de matriz africana. Entre suas ações destacam-se a inclusão do nome Beatriz em sua identidade civil, a realização, na década de 1970, de um casamento religioso com efeito civil na Umbanda, e a introdução do Candomblé Angola em João Pessoa. Tais iniciativas não apenas consolidaram sua liderança, mas também expressaram formas de agência feminina em contextos historicamente excludentes.
A análise de sua trajetória permite compreender a memória não como simples registro do passado, mas como instrumento ativo
de afirmação cultural e política. As experiências de Mãe Beata evidenciam que, mesmo diante de barreiras estruturais impostas pelo racismo e pelo sexismo, mulheres negras construíram estratégias de resistência e de legitimação em diferentes espaços. Desse modo, sua memória atua como contraponto ao silenciamento histórico, reposicionando seu legado dentro de um campo de disputas simbólicas e sociais. Situado no campo da Ciência da Informação (CI), este estudo parte da escassez de registros documentais sistematizados sobre Mãe Beata. Atualmente, a literatura limita-se a um artigo acadêmico, uma cartilha paraibana com registro fotográfico e uma breve entrevista em obra literária. Diante desse cenário, a presente dissertação, intitulada 'Maria [Beatriz] Barbosa de Souza: na gira da vida de Mãe Beata', caracteriza-se por sua originalidade ao investigar diretamente a documentação pessoal de Mãe Beata, preenchendo uma lacuna de discussões ainda inéditas na área. Existem, contudo, leituras essenciais que resgatam as trajetórias de mulheres nas religiões afro-indígenas, destacando sua importância e protagonismo.
Com vistas a descortinar o estado da arte, realizamos buscas com os termos Umbanda, Candomblé, Religião Afro e de trabalhos que se referem a mulheres negras e religiosas no Banco de Dados Referencial de Artigos de Periódicos em CI (BRAPCI), cujos resultados revelaram pequeno quantitativo de produções. A pesquisa foi realizada entre 1972, pois foi quando se iniciaram as publicações de artigos em revistas científicas e profissionais, e 2023, o que deixou perceptível temas ainda pouco explorados como bem nos apresenta a Figura 1.
Em vista disso, reforçamos a contribuição da proposta de investigação para o campo das religiões de matriz afro-indígena, especialmente no âmbito da CI, uma vez que outros estudos foram encontrados com significativas contribuições, como Sociologia, História e Antropologia. Por outro lado, raros são os que enfatizam líderes mulheres e religiosas, nesse sentido, identificamos, quatros pesquisas onde apenas uma está inserida no campo da CI junto ao PPGCI/UFPB, a Dissertação de autoria de Tadeu Rena Valente intitulada: Pitadas afro-indígenas: a Cozinha de Santo de Mãe Rita Preta como lugar de memória. O que reforça a importância do estudo tanto para a CI, como para o campo social, cultural e religioso e, em especial para o estudo de mulheres negras praticantes de religiões de matriz afro-indígena na Paraíba. Mas isso não quer dizer que não tenham mais trabalhos que abordam esses temas, pode ocorrer o caso de haver trabalhos não publicados e/ou por não estarem disponibilizados ainda na plataforma.
E como forma de ressignificar o silêncio e preencher lacunas históricas, este estudo busca transformar a invisibilidade em
materialidade discursiva. Tem como objetivo evidenciar a trajetória de Mãe Beata, mulher negra e sertaneja, cuja experiência religiosa se constituiu a partir da Umbanda, da Jurema e do Candomblé, tradições que lhe serviram como fonte de fé, resistência e fortalecimento comunitário.
Nesse sentido, o registro memorialístico de Mãe Beata de Iemanjá ultrapassa a dimensão da homenagem individual, configurando-se como um ato político de preservação da memória afro-religiosa. Ao documentar sua trajetória, contribui-se não apenas para a salvaguarda de sua atuação, mas também para a ampliação do repertório acadêmico acerca das práticas religiosas e culturais afro-brasileiras. Trata-se, portanto, de um testemunho que reforça a permanência de sua influência na memória da Umbanda, da Jurema e do Candomblé Angola, ao mesmo tempo em que problematiza as ausências e os silenciamentos que marcaram sua história.
MÃE BEATA E SEU CAMINHAR NA CIDADE DE JOÃO PESSOA/PB
Maria Barbosa de Souza, posteriormente reconhecida como Mãe Beata de Iemanjá (Figura 2), nasceu em 18 de junho de 1922, no município de Bonito de Santa Fé, estado da Paraíba. Filha de José Pedro da Silva e Deolinda Maria da Conceição, sua origem remonta a um contexto social e cultural marcado pelas tradições do interior nordestino, o que viria a influenciar significativamente sua trajetória de vida e de inserção nas práticas religiosas afro-brasileiras.
Ainda jovem, Mãe Beata estabeleceu-se na cidade de João Pessoa, onde constituiu sua família ao lado de João Cândido de Souza, conhecido como Pai João de Oxalá, filho de Cândido de Souza e Joaquina Maria da Conceição, natural do município de Piancó/PB. Pai João faleceu nesta capital em 15 de julho de 1996, aos 81 anos de idade. Descrito como um homem de temperamento sereno, mas de personalidade firme, é lembrado por sua filha, Eronilda Cabral5 (2022), como alguém que, em sua juventude, integrou o cangaço de Lampião, tendo abandonado o grupo em virtude de ameaças de morte, o que o obrigou a deixar aquela vida. O relato da informante destaca, ainda, que a trajetória de Pai João e de Mãe Beata esteve profundamente vinculada à vivência religiosa, de modo que ambos realizaram sua passagem6 no seio das práticas de fé que orientaram suas vidas.
5 Relato realizado em entrevista a Karina Ceci no ano de 2022 para a construção da Dissertação intitulada: Maria [Beatriz] Barbosa de Souza: na gira de vida de Mãe Beata. As entrevistas e o relato foram transcritos na íntegra, respeitando a fala de cada uma/um dos entrevistados.
6 Passagem – refere ao seu falecimento.
No que se refere ao falecimento de Mãe Beata, Valdir Silva, Bernardina Oliveira e Maria Rosa (2019) registram, com base em entrevista, que este teria ocorrido em 2 de fevereiro de 1989. Contudo, o atestado de óbito oficial aponta a data de 3 de março de 1989, a qual é considerada neste estudo como referência válida. O óbito ocorreu na cidade de João Pessoa, em decorrência de problemas de saúde, e seu sepultamento foi realizado no Cemitério São José, situado no bairro de Cruz das Armas como mostra na Figura 3.
Relatos de familiares indicam que, já em estado de fragilidade, Mãe Beata manifestou o desejo de que sua lápide fosse disposta em cova rasa, pedido que foi integralmente respeitado. Tal escolha, para além de uma decisão pessoal, pode ser compreendida como expressão simbólica de simplicidade e humildade diante da morte, valores presentes nas cosmologias afro-brasileiras. A opção pela cova rasa rompe, em certa medida, com a lógica ocidental de monumentalização dos mortos, remetendo a concepções em que a vida e a morte se integram em ciclos contínuos de existência, nos quais a memória e a ancestralidade prevalecem sobre o túmulo físico.
Nesse sentido, o gesto final de Mãe Beata pode ser interpretado como coerente com sua trajetória de liderança religiosa, marcada pela valorização da coletividade, pela transmissão de saberes e pela centralidade da ancestralidade como fundamento espiritual. Ao renunciar a uma “certa” monumentalidade material, reafirmou, em sua despedida, a permanência da memória no âmbito simbólico e comunitário, dimensão que sustenta sua presença até hoje nas tradições da Umbanda, da Jurema e do Candomblé Angola.
Em 2021, a lápide de Mãe Beata, apresentada também na Figura 3, permanecia disposta em cova rasa, embora apresentasse algumas modificações ao longo do tempo. Nesse mesmo ano, foi registrado o furto da identificação que assinalava o local de seu sepultamento, comprometendo parcialmente o registro físico de sua memória. Esse episódio evidencia a vulnerabilidade dos espaços de memória frente a questões de preservação e respeito ao patrimônio, sobretudo quando se trata de figuras históricas de relevância religiosa e cultural.
O túmulo abriga também os restos mortais de seu esposo, Pai João, de sua filha Eurídice Barbosa, de seu neto Elias Barbosa e de seu bisneto Eltas Max, configurando o espaço como um locus familiar de memória e reverência. No contexto das tradições afro-brasileiras, a preservação desses locais ultrapassa a dimensão individual, assumindo caráter comunitário e simbólico. A manutenção da cova rasa, apesar das adversidades, reflete uma continuidade da concepção de Mãe Beata sobre humildade, ancestralidade e integração da vida e da morte, elementos centrais nas cosmologias da Umbanda, da Jurema e do Candomblé Angola. Dessa forma, a
lápide não se limita a um marcador físico, mas constitui-se em um dispositivo de memória coletiva, onde se materializa a presença simbólica de Mãe Beata e de sua família. A perda do registro de identificação ressalta a necessidade de políticas e práticas de preservação que reconheçam o valor histórico, religioso e cultural desses espaços, assegurando que a memória de líderes afro-brasileiros permaneça visível, respeitada e acessível às gerações futuras.
Pai João e Mãe Beata foram pais biológicos de duas filhas, Eurídice Barbosa de Souza, nascida em João Pessoa/PB e falecida em 29 de outubro de 2007, aos 69 anos, na mesma cidade; e Eronilda de Souza Cabral, também natural de João Pessoa, nascida em 26 de janeiro de 1941, que atuou como colaboradora ativa nesta pesquisa. Segundo relatos de Eronilda Cabral (2022)7, ela e a irmã desfrutaram de uma infância tranquila, caracterizada pelo cuidado e dedicação de seis pais, evidenciando um ambiente familiar marcado pelo afeto e pela estabilidade emocional.
A Figura 4 ilustra a convivência familiar e os laços afetivos entre Mãe Beata e Pai João, junto às filhas Eurídice Barbosa e Eronilda Cabral, bem como à sobrinha Mãe Anália (in memoriam), evidenciando a dimensão comunitária e afetiva que permeava a vida da família. Dispostos da esquerda para a direita, observam-se Mãe Eurídice8, Mãe Beata, Pai João, Mãe Anália9 e Eronilda Cabral, em
7 Relato realizado em entrevista a Karina Ceci no ano de 2022 para a construção da Dissertação intitulada: Maria [Beatriz] Barbosa de Souza: na gira de vida de Mãe Beata. As entrevistas e o relato foram transcritos na íntegra, respeitando a fala de cada uma/um dos entrevistados.
8 Mãe Eurídice foi iniciada na religião por Mãe Beata;
9 Mãe Anália era sobrinha de Pai João e fazia parte da religião. Mãe de santo residente no Bairro do Varjão, na cidade de João Pessoa/Pb. Faleceu em 2021, devido ao Covid-19.
uma imagem que simboliza não apenas a união familiar, mas também a transmissão de valores, tradições e práticas culturais e religiosas que atravessaram gerações.
Ao longo de sua trajetória, Mãe Beata demonstrou uma dedicação singular à família e à fé, consolidando-se como figura central tanto no âmbito doméstico quanto religioso. Sua postura marcada pela coragem e pela firmeza nas decisões foi reiteradamente destacada por testemunhos de familiares e membros da comunidade religiosa, incluindo Dona Eronilda Cabral, Mãe Ceiça, Mãe Marinalva, Mãe Silvinha, Anco Márcio e Mãe Karina. Tais relatos evidenciam não apenas sua liderança, mas também o respeito e a admiração que inspirava, consolidando seu papel como referência ética e espiritual. Além disso, sua trajetória reflete a articulação entre práticas religiosas e valores familiares, demonstrando como a vivência da fé permeava a educação e a convivência cotidiana, influenciando de maneira profunda a formação moral e cultural daqueles ao seu redor.
Sempre fui motivada a estudar por ela, que não permitia ficar em casa, não permitia faltar aula. E com voltar a esse tempo, as lembranças me levam aos lanches que ela colocava na lancheira (biscoito com kisuke de laranja) e sempre havia alguém para me levar, buscar e cuidar de mim durante os quase 10 anos em sua companhia (Mãe Karina, 202210).
Conceição Evaristo (2008, p. 08) observa que “a memória e o relato da história se transformam em lição, explicando o mundo e orientando a vida”. Nesse contexto, pode-se compreender que Mãe Beata percebia a educação como um percurso a ser trilhado, no qual a prática religiosa não era dissociável de sua função formativa. Sob essa perspectiva, a educação constituía-se para ela como um instrumento de preparação secular, capaz de fortalecer o indivíduo diante das críticas e imposições das elites, oferecendo a possibilidade de exercer autonomia e escolher seu próprio caminho (Freire, 1967). Ademais, Mãe Beata não restringia seu incentivo educativo apenas aos familiares; estendia-o a todos que conviviam com ela, promovendo um ambiente marcado pela equidade e ausência de preconceito, tanto no âmbito doméstico quanto no religioso. Como relatam Eronilda Cabral11 (2022) e Mãe Ceiça12 (2022), ela recebia a todos de maneira igualitária, demonstrando acolhimento e respeito indistintamente.
Anco Márcio corrobora o relato de Mãe Ceiça (2022) ao destacar que Mãe Beata apresentava traços de vaidade, cuidando
10 Relato realizado em entrevista a Karina Ceci no ano de 2022 para a construção da Dissertação intitulada: Maria [Beatriz] Barbosa de Souza: na gira de vida de Mãe Beata. As entrevistas e o relato foram transcritos na íntegra, respeitando a fala de cada uma/um dos entrevistados.
11 Relato realizado em entrevista a Karina Ceci no ano de 2022 para a construção da Dissertação intitulada: Maria [Beatriz] Barbosa de Souza: na gira de vida de Mãe Beata. As entrevistas e o relato foram transcritos na íntegra, respeitando a fala de cada uma/um dos entrevistados.
12 Relato realizado em entrevista a Karina Ceci no ano de 2022 para a construção da Dissertação intitulada: Maria [Beatriz] Barbosa de Souza: na gira de vida de Mãe Beata. As entrevistas e o relato foram transcritos na íntegra, respeitando a fala de cada uma/um dos entrevistados.
de sua aparência pessoal e mantendo um estilo de vestimenta cuidadoso e elegante. Além disso, valorizava a organização e a apresentação de seu entorno, incluindo a forma como seus filhos se apresentavam socialmente, refletindo uma preocupação com a imagem e os padrões de conduta familiar. No que tange ao contexto religioso,
Em primeiro lugar destaca que o que escutava das pessoas mais velhas era o que ela tinha na mão o axé. A questão de ser certeira. Exemplo: Se entrasse para resolver alguma coisa, ela resolvia. E entrava e sabia com propriedade o que fazer e onde ia chegar (Anco Márcio, 2022).
Diante das informações colhidas sobre Mãe Beata em entrevistas, todas reforçam o cuidado dela com as pessoas, como ela tratava bem a todas/os sem distinção, ela apenas acolhia.
Mãe Beata era uma sacerdotisa que acreditava no ser humano e tinha muita fé, os orixás e nas entidades da Jurema Sagrada. Suas incorporações, ou seja, as manifestações dela tinha uma caboclinha chamada Ceci e Roberto elogiava muito, muito e muito. Roberto dizia que era impressionante a cabocla Ceci e das coisas que aconteciam (Anco Márcio, 2022). A Figura 5 mostra Mãe Beata dentro de seu quarto de Jurema onde realizava rituais religiosos.
Mãe Beata pautava sua conduta na fé, buscando, por meio de sua crença, a autonomia para ser e agir conforme suas convicções. Ao longo de sua vida, empenhou-se para ser ouvida e respeitada, recusando-se a aceitar qualquer forma de desrespeito, seja enquanto cidadã ou enquanto figura religiosa. Ao comentar sobre sua trajetória, Anco Márcio (2022) caracteriza Mãe Beata como uma mulher:
Respeitada, invejada pela figura dela porque ela era uma mulher que hoje a gente luta por esta questão da mulher negra, da representação e ela foi tudo numa época que nem se falava nisso. Mãe Beata era muito respeitada pela comunidade, pelos feitos e pela postura. Isso já ouvi de várias pessoas, inclusive da Bahia, que ela tinha postura de rainha. Mãe Beata era muito bem assistida, bem recebida e reconhecida em todos os lugares que ia. Havia muitos filhos de santo, independente de condições financeiras, tinha do mais humilde a grandes políticos. Suas festas recebiam inúmeros visitantes, muitos dos políticos também seus filhos de santo que não participavam das festividades públicas, mas sempre ajudava quando necessitava e quando realizavam seus pedidos no particular.
Mãe Karina (2022) afirma que:
Mãe Beata sabia conduzir sua vida pessoal da religiosa e sobre isso ela bem ensinava aos seus filhos e a mim como bisneta. Aprendi e levo no meu dia a dia a separar vida pessoal da vida religiosa. Deixo de lado algum problema com determinadas pessoas quando se trata do momento religioso. Trato seja lá quem for da mesma maneira, mesmo aqueles iniciantes os quais chamamos de anbiãs13. Aprendi com minha bisa acolher independente de quem me procure e de quem busque saber ou aprender.
Ante os depoimentos manifestos, constata-se que Mãe Beata, além de ocupar o prestigiado papel de mãe de santo, era amplamente
13 Anbiãn – filhos iniciantes na religião.
respeitada e procurada por diversas pessoas, em virtude de sua capacidade de acolhimento e cuidado. Tal postura evidencia uma de suas principais virtudes: o profundo respeito pelo ser humano, que se manifestava tanto nas relações cotidianas quanto nas práticas religiosas, consolidando sua influência e reconhecimento na comunidade.
UMBANDA E CANDOMBLÉ: unidas em um só espaço: Épa babá!14
A expressão Épa babá constitui uma saudação dirigida ao Criador da humanidade, Orixalá15, reconhecido como Deus Supremo e Senhor da criação, identificado também como Olorum ou Orumilá. Em algumas nações, Orixalá é por vezes confundido com Oxalá16, considerado “[...] filho do Altíssimo. Corresponde à Jesus Cristo, o filho de Deus [...]” (Souza, 1964, p. 75). No contexto do sincretismo religioso, Orixalá representa a divindade suprema, enquanto Oxalá é associado ao filho de Deus. As ferramentas e instrumentos ritualísticos variam conforme a falange — Oxaguiãn17 ou Oxalufãn18
—, ainda que a cor e o dia da semana permaneçam constantes para ambos, sendo a sexta-feira dedicada ao uso do branco, em reverência ao Criador. Do mesmo modo, as paramentas utilizadas nos rituais são determinadas pela falange19 correspondente,
14 Épa bàbá - saudação ao orixá Oxalá; significa “obrigado Pai”; é o orixá da paz, o pai maior nas nações das religiões de tradição de matrizes africanas.
15 Orixalá - Pai eterno.
16 Oxalá - considerado o filho do Pai Eterno.
17 Oxaguiãn - é considerado o Oxalá mais velho.
18 Oxalufãn - é considerado o Oxalá mais novo.
19 Falange - são entidades (espíritos) que representam, trabalham e que são invocados com o comando e vibração dos orixás e atuam dentro de uma mesma linha de vibração espiritual.
refletindo a organização simbólica e hierárquica presente nas práticas religiosas.
Nesse contexto, a atuação de Mãe Beata pode ser compreendida a partir da centralidade do orixá, considerado o pai de todos e criador, articulando-se com o processo de integração que ela promoveu ao unir o Candomblé Angola, já praticado em sua experiência religiosa, à Umbanda e a à Jurema. Para concretizar essa junção, Mãe Beata enfrentou desafios significativos, que ultrapassaram limites institucionais e sociais, sendo um deles a apresentação do Candomblé Angola que conforme Reginaldo Prandi (1991, p. 20): “[...] legitimou desde cedo o culto dos caboclos brasileiros, que além de se constituir como rito independente, foi também incorporado lá pelos anos 30 e 40 do século XX por casas nagôs [...]”. Dessa forma, Mãe Beata contribuiu para a legitimação do Candomblé Angola na cidade de João Pessoa/PB, através de sua iniciação, realizada em 25 de fevereiro de 1973, pelas mãos do pai de Santo baiano de nome Pai Cecílio e de Mãe Carmita, consolidando sua autoridade e pioneirismo na articulação entre essas duas tradições religiosas.
A Figura 6, ilustra o momento da entrega da peneira, objeto que contém artefatos utilizados ao longo da obrigação ritualística de Mãe Beata. Observa-se, à sua direita, a presença de Pai Cecílio; à esquerda, Mãe Carmita, mãe de santo, e o esposo de Mãe Beata, Pai João de Oxalá, cercados por filhos de santo e visitantes. A imagem evidencia não apenas a formalidade e solenidade do rito, mas também a rede de relações de respeito e cooperação que permeava a prática religiosa conduzida por mãe Beata, ressaltando a centralidade de sua figura no contexto espiritual e comunitário.
Por meio dessas iniciativas, Mãe Beata consolida a presença do Candomblé Angola na cidade de João Pessoa, evidenciando sua determinação, coragem e firmeza, sempre guiada pela orientação de seus orixás e das entidades da Jurema. No entanto, antes de aprofundar-se na trajetória de Mãe Beata no Candomblé, é oportuno recorrer às informações apresentadas por Anco Márcio20 (2022), que, ao reproduzir os relatos de Roberto, oferece importantes elementos sobre a vida e experiência da líder religiosa:
Que ela teve conhecimento com o pessoal de Pai Adão [Recife]. Ela foi no sítio, conheceu algumas pessoas e ela furou roncó21. Teve coisa... ela disse a Roberto que ela era muito perspectiva. Aliás, como a gente acha que as filhas de Iemanjá é muito viva, tem um sexto sentido incrível. Se eu não me engano, se quiserem diminuir ela ou fazer alguma coisa que ela não concordou, ela viu e disse epa. Ela tinha conhecimento de fundamento. Mário Miranda ia
20 Relato realizado em entrevista a Karina Ceci no ano de 2022 para a construção da Dissertação intitulada: Maria [Beatriz] Barbosa de Souza: na gira de vida de Mãe Beata. As entrevistas e o relato foram transcritos na íntegra, respeitando a fala de cada uma/um dos entrevistados.
21 Furar roncó - deixar o quarto de santo, estando em preparação para alguma obrigação.
na casa dela. Roberto dizia que para ela chegar na Bahia, ela tomou informações e foi procurar alguém para acompanhar ela e se reconhecer naquele axé [...] ela se arrumou toda e disse eu vou resolver minhas coisas do santo e muito bem quando chegou, ela se entendeu Padrinho Cecílio (era como eles chamavam). Ele abriu o jogo e, enfim, acatou a casa e quando ele chegou encontrou a casa (dela) com toda a estrutura.
Mãe Ceiça22 (2022) declarou que Mãe Beata, apesar de feita no Candomblé, continuou cultuando a Umbanda:
A renovação, mas ela não cultuou o santo que ela tocava, mas ela aprendeu muita coisa nos cânticos, nas danças tudinho. E eu acho, devido ela ser feita com Cecílio, ela deu um renome a ela, porque ninguém da Paraíba tinha sido feito por um baiano, entendeu?
Esses acontecimentos revelam momentos de enfrentamento, evidenciando um período permeado por repressões políticas, ideológicas e religiosas, entre outros fatores. Compreender essa trajetória significa acompanhar o caminhar religioso em João Pessoa/PB, orientando aqueles que desejam conhecer a história de seu surgimento e refletir sobre o presente, uma vez que “[...] os indivíduos buscam a informação para responder às suas necessidades e inquietações” (Galdino, 2015, p. 29).
Um exemplo desse percurso religioso é apresentado na Figura 7, que evidencia os instrumentos, elús e atabaques, utilizados tanto na Umbanda quanto no Candomblé, considerados essenciais para os momentos de celebração. O elú, ou ilú, é um pequeno tambor encourado de ambos os lados, preso a hastes de ferro e madeira, no
22 Relato realizado em entrevista a Karina Ceci no ano de 2022 para a construção da Dissertação intitulada: Maria [Beatriz] Barbosa de Souza: na gira de vida de Mãe Beata. As entrevistas e o relato foram transcritos na íntegra, respeitando a fala de cada uma/um dos entrevistados.
qual se amarra um pano branco. Já o atabaque, de maior porte, é ornamentado com panos nas cores branca e vermelha. Em ambos, os sons grave, médio e agudo são produzidos pelas mãos ágeis do Ogã, cuja função é predominantemente masculina.
Mas o que motivou Mãe Beata a se dedicar ao Candomblé Angola? Segundo Reginaldo Prandi (1991), entre as décadas de 1960 e 1970, houve um movimento significativo de sacerdotisas e sacerdotes que migraram para a tradição Angola, em razão de sua proximidade com a Umbanda. O autor aponta ainda que a transição de uma tradição para outra — em que pais e mães de santo deixam a Umbanda para se inserir no Candomblé — muitas vezes ocorre a partir de orientações de entidades espirituais, especialmente quando sinais específicos, como o surgimento de doenças, indicam a necessidade dessa passagem.
Mãe Beata tornou-se uma referência histórica por meio de seus feitos e conquistas. Dar visibilidade a essa trajetória representa uma forma de reconhecimento e valorização, não no intuito de estabelecer
superioridade, mas de registrar que umbandistas, candomblecistas e juremeiros também podem alcançar realizações significativas, à semelhança de outras tradições religiosas. O sorriso constante em seu rosto, demonstrando satisfação e plenitude diante de sua fé, evidencia seu compromisso espiritual.
A Umbanda e o Candomblé configuram duas tradições distintas, cada uma com suas práticas, rituais e cosmologias próprias, mas compartilhando a finalidade de promover o bem comum e oferecer suporte espiritual aos seus integrantes. Ambas buscam orientar, proteger e auxiliar aqueles que delas participam, consolidando laços comunitários e fortalecendo a experiência religiosa de cada indivíduo.
MÃE BEATA, PRESENTE!
As trajetórias de pesquisa exigem, em determinado momento, uma pausa reflexiva, e o presente estudo não se apresenta como exceção. Embora haja ainda muito a ser explorado, procurou-se, nesta investigação, articular fragmentos de memória individual e coletiva, construindo um mosaico que integra as experiências de diferentes sujeitos com a trajetória de Maria Beatriz, conhecida como Mãe Beata. Cada relato, cada registro documental e cada recorte jornalístico contribuiu para compor um panorama abrangente das ações religiosas e sociais desenvolvidas por Mãe Beata, especialmente em contextos marcados por opressões e restrições socioculturais.
A análise do acervo documental, combinada às narrativas orais de pessoas próximas, possibilitou identificar eventos, realizações e transformações significativas ao longo de décadas, ressaltando a importância de Mãe Beata para os praticantes das
religiões afro-indígenas. Sua trajetória não apenas reflete a resistência e a perseverança frente às adversidades, mas também evidencia a relevância de se valorizar e respeitar as escolhas religiosas individuais em sociedades historicamente intolerantes.
Assim, Mãe Beata se revela como uma figura central na preservação e fortalecimento das tradições afro-indígenas, exemplificando como a prática religiosa pode servir como instrumento de afirmação identitária, de modificação de estruturas sociais e de construção de legado histórico e cultural, ou seja, sua trajetória demonstra que, mesmo diante de intolerância social, é possível preservar práticas religiosas, promover mudanças estruturais e construir um legado histórico e cultural duradouro. A presença de Mãe Beata permanece viva, inspirando estudos futuros e valorizando a memória coletiva de comunidades religiosas marginalizadas. Assim sendo, sua presença permanece, portanto, como referência para estudos futuros, para a valorização das memórias coletivas e para a compreensão das dinâmicas de resistência e pertencimento no contexto das religiões afro-indígenas no Brasil.
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