DOI: 10.33467/conci.v8i.23697  
DOSSIÊ  
ConCI: Conv. Ciênc. Inform. v. 8, n. especial, p. 01-35, 2025  
Museus, museologia e diversidade: uma reflexão sobre  
gênero sob a perspectiva social da Ciência da Informação  
Museums, museology and diversity: a reflection on gender  
from the social perspective of Information Science  
Museos, Museología y diversidad: una reflexión sobre el  
género desde la perspectiva social de la Ciencia de la  
Información  
Musées, muséologie et diversité : une réflexion sur le  
genre dans la perspective sociale des sciences de  
l'information  
Fernanda VALLE  
Sofia JORDÃO  
Yara SALES  
Correspondência  
Autor para correspondência: Fernanda Valle  
Endereço completo: Av. Pasteur, 458, Urca, Rio de  
Janeiro/RJ. CEP: 22290-240  
E-mail: fernandavalle@unirio.br  
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4156-027X  
Submetido em: 14/09/2025  
Aceito em: 04/12/2025  
Publicado em: 30/12/2025  
1
Doutora em Ciência da Informação (PPGCI IBICT UFRJ). Professora na  
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).  
2
Bacharela em Design pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)  
e graduanda em Museologia na Universidade Federal do Estado do Rio de  
Janeiro (UNIRIO).  
3
Tecnóloga em Hotelaria pela Faculdade de Tecnologia Senac Rio e  
graduanda em Museologia na Universidade Federal do Estado do Rio de  
Janeiro (UNIRIO).  
     
DOI: 10.33467/conci.v8i.23695  
DOSSIÊ  
ConCI: Conv. Ciênc. Inform. v. 8, n. especial, p. 01-33, 2025  
RESUMO  
Este estudo discute as relações de gênero na Museologia à luz da  
memória documental por meio da contextualização histórica da  
participação feminina na formação, atuação e gestão em museus no  
Brasil. A partir desse contexto, discorre sobre a presença de  
mulheres na presidência de comitês vinculados ao Conselho  
Internacional de Museus, instituição de relevo global com manifesta  
influência na museologia brasileira. Com base na Ciência da  
Informação, articula as noções de documento, institucionalidade e  
poder a partir de Bernd Frohmann. Com aportes dos estudos  
coloniais de gênero, especialmente em María Lugones e Oyèrónkẹ  
Oyěwùmí, e do conceito de poder simbólico, de Pierre Bourdieu,  
caracteriza-se como uma pesquisa descritiva, aplicada, de  
procedimento  
documental  
e
abordagem  
quanti-qualitativa.  
Orientada aos desafios éticos, políticos e epistemológicos oriundos  
da colonialidade que incidem na práxis informacional, mobiliza dois  
contextos de análise: a) o perfil da presidência dos comitês  
internacionais do Conselho Internacional de Museus e b) a gestão  
da informação nos respectivos sítios oficiais, a fim de  
operacionalizar os conceitos mencionados. O campo empírico foi  
composto por 35 comitês, dos quais 22 apresentam o histórico  
completo de gestão desde a criação institucional. Os dados obtidos  
apontam para um histórico de maior presença masculina no  
conselho e paridade de gênero gradual a partir dos anos de 1990.  
Quanto à memória documental, apresenta lacunas importantes para  
a reconstrução e publicização da presença feminina na Museologia.  
Palavras-chave: gestão da informação; museologia; memória.  
ABSTRACT  
This study discusses gender relations in museology in light of  
documentary memory through the historical contextualization of  
women’s participation in the processes of training, practice, and  
management in museums in Brazil. Within this context, it analyzes  
the presence of women in the chairmanship of committees linked to  
the International Council of Museums, an institution of global  
importance with a clear influence on Brazilian museology. Based on  
Information Science, it articulates the notions of document,  
institutionality, and power from Bernd Frohmann. With contributions  
from colonial gender studies, especially María Lugones and  
Oyèrónkẹ Oyěwùmí, and Pierre Bourdieu’s concept of symbolic  
power, it is characterized as descriptive, applied research, with a  
documentary procedure and a quantitative-qualitative approach.  
2
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DOSSIÊ  
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Focusing on the ethical, political, and epistemological challenges  
arising from coloniality that affect informational praxis, it mobilizes  
two contexts of analysis: a) the profile of the presidency of the  
international committees of the International Council of Museums  
and b) information management on the respective official websites,  
in order to operationalize the aforementioned concepts. The  
empirical field consisted of 35 committees, 22 of which have a  
complete management history since the institution's creation. The  
data obtained point to a history of greater male presence and  
gradual gender parity since the 1990s. As for the documentary  
memory, there are important gaps in the reconstruction and  
publicizing of the female presence in Museology.  
Keywords: information management; museology; memory.  
RESUMEN  
Este estudio analiza las relaciones de género en la museología a la  
luz de la memoria documental mediante la contextualización  
histórica de la participación femenina en los procesos de formación,  
actuación y gestión en los museos de Brasil. A partir de este marco,  
se analiza la presencia de mujeres en la presidencia de comités  
vinculados al Consejo Internacional de Museos, una institución de  
importancia mundial con una clara influencia en la museología  
brasileña. Basándose en la Ciencia de la Información, articula las  
nociones de documento, institucionalidad y poder de Bernd  
Frohmann. Con aportaciones de los estudios coloniales de género,  
especialmente de María Lugones y Oyèrónkẹ Oyěwùmí, y el  
concepto de poder simbólico de Pierre Bourdieu, se caracteriza por  
ser una investigación descriptiva y aplicada, con un procedimiento  
documental y un enfoque cuantitativo-cualitativo. Centrándose en  
los desafíos éticos, políticos y epistemológicos derivados de la  
colonialidad que afectan a la praxis informacional, moviliza dos  
contextos de análisis: a) el perfil de la presidencia de los comités  
internacionales del Consejo Internacional de Museos y b) la gestión  
de la información en los respectivos sitios web oficiales, con el fin  
de operacionalizar los conceptos mencionados. El campo empírico  
estuvo compuesto por 35 comités, 22 de los cuales cuentan con un  
historial completo de gestión desde la creación de la institución. Los  
datos obtenidos apuntan a un historial de mayor presencia  
masculina y a una paridad de género gradual desde la década de  
1990. En cuanto a la memoria documental, existen importantes  
lagunas en la reconstrucción y divulgación de la presencia femenina  
en la museología.  
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Palabras clave: gestión de la información; museologia; memoria.  
RÉSUMÉ  
Cette étude examine les relations de genre dans le domaine de la  
muséologie à la lumière de la mémoire documentaire, en  
contextualisant historiquement la participation des femmes dans les  
processus de formation, d’action et de gestion au sein des musées  
au Brésil. À partir de ce cadre, elle analyse plus précisément la  
présence des femmes à la présidence des comités liés au Conseil  
International des Musées, une institution d'importance mondiale qui  
exerce une influence manifeste sur la muséologie brésilienne.  
S'appuyant sur les Sciences de l’Information, elle articule les notions  
de document, d'institutionnalité et de pouvoir développées par  
Bernd Frohmann. Avec des contributions issues des études  
coloniales sur le genre, notamment celles de María Lugones et  
Oyèrónkẹ Oyěwùmí, et le concept de pouvoir symbolique de Pierre  
Bourdieu, elle se caractérise comme une recherche descriptive et  
appliquée, avec une procédure documentaire et une approche  
quantitative-qualitative. En se concentrant sur les défis éthiques,  
politiques et épistémologiques découlant de la colonialité qui  
affectent la pratique informationnelle, elle mobilise deux contextes  
d'analyse: a) le profil de la présidence des comités internationaux du  
Conseil International des Musées et b) la gestion de l'information sur  
les sites web officiels respectifs, afin d'opérationnaliser les concepts  
susmentionnés. Le champ empirique comprenait 35 comités, dont  
22 ont un historique complet de gestion depuis la création de  
l'institution. Les données obtenues indiquent une présence  
masculine plus importante et une parité progressive entre les genres  
depuis les années 1990. En ce qui concerne la mémoire  
documentaire, il existe des lacunes importantes dans la  
reconstruction et la diffusion de la présence féminine en  
muséologie.  
Mots-clés: gestion d’information; muséologie; mémoire.  
1 INTRODUÇÃO  
A igualdade de gênero integra o Objetivo para o  
Desenvolvimento Sustentável número 5 (ODS-5) da Agenda 2030  
(ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2015), bem como é  
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tema, há 30 anos, da Declaração de Pequim, assinada por 189  
países motivados a reduzir as assimetrias sociais, mobilizar  
estratégias e ações para paridade de gênero, reduzir a violência de  
gênero e fomentar a capacitação e oportunidades para mulheres  
exercerem função de liderança em instituições e no mercado de  
Apesar dos marcos globais e da crescente presença feminina  
em lugares de poder e decisão, Audebert, Wichers e Queiroz (2019)  
ressaltam que a produção acadêmica sobre gênero na Museologia  
brasileira é particularmente escassa, tendo em vista a prevalência  
de mulheres na área, incluindo números de autoria em pesquisa. As  
autoras mencionam o trabalho de Allinny Lima, que examinou 1.085  
monografias, dissertações e teses publicadas entre 2014 e 2017,  
localizando somente cinco pesquisas sobre o tema.  
Consoante os trabalhos de final de curso, são observadas  
iniciativas que se atentam às desigualdades profundas que afetam  
o acesso, a representação e a gestão da memória, conceitos caros  
à Museologia. A perspectiva sociocrítica dos museus resultou em  
teorias, debates e iniciativas que lançaram luz às margens pelas  
quais as instituições de memória foram forjadas: por exemplo,  
Audebert (2021) mobiliza a epistemologia do campo para discorrer  
sobre uma Museologia Feminista, de base especialmente latino-  
americana; Soares e Scheiner (2009) discutem a emergência dos  
ecomuseus e museus comunitários em sua dimensão dialética;  
Macedo (2024) discorre sobre mulheres gestoras de museus em  
4 Documento intitulado “Declaração e Plataforma de Ação de Pequim 4ª  
Conferência Mundial sobre a Mulher”, de 1995, está disponível em:  
content/uploads/2015/03/declaracao_pequim1.pdf. Acesso em: 20 nov. 2025.  
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Minas Gerais, e Baptista e Boita (2018) convocam à reflexão sobre  
o lugar da memória de pessoas LGBT5. Tal movimento pode  
igualmente ser observado na criação de espaços de diálogo  
formalizados em instituições que desenvolvem pesquisa científica  
e/ou respaldam as políticas de informação e memória, como os  
fóruns advindos na esteira da Agenda 2030, o International  
Committee on Museums and Sustainable Development (SUSTAIN),  
criado em 2023, e o International Committee on Ethical Dilemmas  
(ICEthics), criado em 2019, vinculados ao International Council of  
Museums (doravante ICOM), e o Comitê Permanente Antirracista  
do capítulo brasileiro do ICOM.  
Portanto, são crescentes os esforços em evidenciar as bases  
coloniais pelas quais foram forjados os Estados modernos, suas  
instituições e documentalidade, bem como os desafios éticos,  
epistemológicos e políticos que atravessam o fazer informacional,  
memorial e custodial. Nesse contexto, este estudo parte da  
premissa de que museus não são lugares neutros, mas criam e  
reforçam mensagens sociais, culturais e políticas, um processo  
antevisto em sua etimologia.  
Conforme destaca Chagas (1999), a palavra museu advém de  
museión, o Templo das Musas, filhas de Zeus e de Mnemósine.  
Assim, para o autor, pela via paterna, museus são, também, lugares  
de poder. Similarmente, Brulon (2020, p. 3) salienta que museus  
não se constituem apenas de paredes, mas “[…] seus objetos são  
investidos de um discurso encenado por certos atores. Suas vitrines  
são o resultado de escolha de outros”. Sustentamos que essa  
5
Adotou-se a sigla LGBT e não a sigla atualizada LGBTQIAPN+ para espelhar  
a grafia adotada pelas autorias do texto mencionado no parágrafo em questão.  
6
 
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escolha não corresponde apenas ao valor dos objetos a serem  
musealizados, mas traduz-se na representação de sua forma e  
conteúdo (quem ou o quê será documentado para, posteriormente,  
receber valor documental e museal), bem como na estruturação  
dessas instituições.  
Desse modo, a escolha das pessoas gestoras desses  
espaços e as respectivas políticas de gestão também não são  
simples  
escolhas  
burocráticas  
ou  
administrativas,  
mas,  
fundamentalmente, políticas. Por política, entende-se a gestão da  
pólis desde Aristóteles (1991, 1998): configurações socioculturais,  
políticas e econômicas de quem terá acesso a determinado  
conhecimento e de quem estará autorizado a ocupar determinados  
espaços. Como exemplo, o Ministerio da Cultura y Esporte (2019)  
da Espanha afirmou que o setor museológico espanhol é similar ao  
do Reino Unido: a maior força de trabalho é feminina, que  
apresenta qualificação educacional, em geral com formação maior  
que a média da população, porém com salários menores.  
Recentemente, o American Alliance of Museums (2024)  
apresentou um relatório nacional sobre liderança e revelou que,  
apesar da paridade atual entre gêneros na direção de museus,  
mulheres tendem a dirigir museus menores, com receita inferior aos  
dirigidos por homens. Ao mesmo tempo, museus de  
reconhecimento internacional, como o Louvre, fundado em 1793,  
demorou 228 anos para eleger uma mulher como diretora, cargo  
assumido por Laurence des Cars em 2021. Essas lacunas  
acompanham o cenário de governança em outras áreas: ano  
passado, um relatório da Fia Business School avaliou respostas de  
mais de 150 mil funcionários vinculados a 150 empresas premiadas  
com o reconhecimento de Lugares mais Incríveis para Trabalhar e  
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verificou que as mulheres representam 43% do quadro funcional,  
mas estão sub-representadas em cargos de gestão.  
Das 150 empresas, 35% implementaram comitês orientados à  
redução de desigualdades em cargos de liderança. (Mulheres [...],  
2024). Por sua vez, de acordo com pesquisa Panorama Mulheres  
2025, organizada pelo Instituto Talenses e pelo Núcleo de Estudos  
de Gênero do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), de 310  
empresas selecionadas no Brasil, somente 17,4% são lideradas por  
mulheres (Panorama [], 2025). É dessas ausências que partem  
as inquietações iniciais que nortearam essa proposta investigativa.  
Nesse contexto, percebeu-se, concordante à análise de Macedo  
(2024) bem como Audebert, Wichers e Queiroz (2019), escassez de  
estudos que debatessem ou sistematizassem dados sobre  
mulheres gestoras de museus ou instituições do campo.  
Inicialmente, formulou-se a seguinte questão de pesquisa:  
tendo em vista o histórico sociopolítico de exclusão sistemática das  
mulheres, existe assimetria de gênero em cargos de gestão de  
museus e instituições relevantes na área museológica? De maneira  
ampla, pretendia-se à análise do cenário museológico nacional e  
internacional, triangulando ensino, prática profissional e instituições  
relacionadas à Museologia, o que englobaria levantamento do  
histórico de gestão de instituições e de museus brasileiros para  
verificar a existência de possível assimetria de gênero. Tendo em  
vista a quantidade significativa de museus e instituições existentes,  
bem como a disponibilidade atual de dados considerados  
insuficientemente adequados para responderem ao problema geral  
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de pesquisa6, para esta etapa inicial, buscou-se verificar a questão-  
problema: tendo em conta a influência política e epistemológica do  
ICOM, houve participação das mulheres em cargos de liderança  
desde a sua fundação, em 1946? Desse modo, apresenta-se um  
recorte do contexto internacional, centrado especificamente no  
ICOM, organização não-governamental criada e articulada  
diretamente com a Organização das Nações Unidas para a  
Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). O recorte se justifica não  
somente pela abrangência do período histórico, a saber, 1946-2025,  
mas pela influência do ICOM na consolidação da área museológica  
enquanto área científica do conhecimento e, por conseguinte, da  
museologia brasileira, conforme relembra Carvalho (2022).  
Em diálogo com a CI, tendo a Museologia como campo de  
análise, o estudo é caracterizado como descritivo, aplicado, de  
procedimento  
documental  
e
abordagem  
quanti-qualitativa,  
apresentando uma reflexão inicial sobre a relação entre documento,  
institucionalidade e poder, articulados com os estudos de gênero.  
Aplicado ao campo da Museologia, busca maior compreensão  
sobre as relações de poder nas instituições museais e/ou que  
incidem institucional e politicamente sobre os museus, como é o  
caso do ICOM. Na dimensão teórica, ancora-se no conceito de  
poder simbólico, na articulação entre gênero e colonialidade e no  
intercâmbio entre institucionalidade e documento.  
Metodologicamente, operacionaliza-se em um levantamento  
documental nos sites oficiais do ICOM e dos comitês internacionais  
a ele vinculados, realizado entre julho e setembro de 2025. Para a  
6
De modo geral os sites oficiais consultados não apresentam histórico de  
gestores, o que exige contato individual com as instituições para verificar a  
existência documental e potencial consulta.  
9
 
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identificação do histórico de gestão, procedeu-se à busca por seção  
específica no site e, na ausência da seção, foram realizados os  
seguintes procedimentos: no campo de busca, utilizou-se os termos  
board, president, presidency, team e management, isoladamente e  
combinados com os termos past e previous.  
Na ausência de resultados válidos, realizou-se a leitura  
exploratória de notícias, atas e documentos de divulgação de  
eventos em busca dos nomes próprios que compuseram a  
presidência dos comitês. Não foi estabelecido nenhum tipo de filtro  
temporal e prosseguiu-se ao idioma original dos sites, a saber,  
inglês e português. O critério de inclusão adotado foi o da  
institucionalidade, ou seja, a informação deveria constar,  
obrigatoriamente, nos portais oficiais do ICOM, pois a  
disponibilidade do dado e, conseguintemente, do documento,  
integra a avaliação qualitativa e operacionalização teórica acerca da  
documentalidade, institucionalidade e poder simbólico. Nessa  
direção, o metadado gênero refletido ao longo da história do ICOM  
na Museologia foi discutido à luz da institucionalidade, eixo para  
consolidação das relações de poder, à luz da abordagem social e  
pública da informação de Frohmann (2006). Adicionalmente, a  
análise documental foi guiada por uma abordagem articulada com  
outros eixos de opressão potencial, como território de atuação ou  
nacionalidade, na constituição das práticas museológicas e  
informacionais.  
Para fins contextuais e de debate, a pesquisa mobiliza um  
cotejamento de dados obtidos nos sítios oficiais do Instituto  
Brasileiro de Museus (IBRAM), do Conselho Federal de Museologia  
(COFEM) e em pesquisas de interesse, como a realizada pelo  
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Núcleo de Memória da Museologia no Brasil (NUMMUS), vinculado  
à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).  
Da perspectiva estrutural e argumentativa, excetuando-se a  
introdução e as considerações finais, a segunda seção se dedica ao  
diálogo teórico entre áreas do conhecimento para situar os museus  
como campos materiais, institucionais e informacionais em disputa,  
e a terceira seção apresenta e discute os dados obtidos pelo  
levantamento documental.  
2 AS MUSAS QUE DÃO FORMA AO QUE SABEMOS E  
LEMBRAMOS  
A ênfase na categoria analítica gênero justifica-se pelo tempo  
histórico: a popularização dos museus e das bibliotecas foi um  
instrumento das políticas de informação e de conhecimento da  
Modernidade, quando se deu a expansão colonialista que, segundo  
Lugones (2020) e Oyěwùmí (2020, 2021), demarcou a noção de  
raça e, com ela, a de gênero. A diferença dos corpos deixou de  
significar, nos territórios colonizados, uma diferença anatômica para  
fortalecer a classificação dos seres como ferramenta do capitalismo  
eurocêntrico e colonial e, ao mesmo tempo, desumanizar o outro  
(Lugones, 2020). Ao revisitar a organização social das sociedades  
pré-colombianas e iorubá, Lugones e Oyěwùmí demonstram que a  
noção de gênero tal qual conhecemos no tempo presente, um  
princípio ordenador, classificatório e hierárquico aplicado à  
diferença dos corpos, foi uma imposição Moderna com extenso  
lastro de violência, que serviu - e ainda serve - à chamada  
colonialidade de poder. Nesse contexto, bibliotecas e museus são  
importantes instrumentos de preservação e difusão da memória de  
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uma sociedade, mas estão imbuídos da herança colonial (Menezes,  
2023), cuja desconstrução está em disputa. A categoria gênero  
pode ser interpretada a partir de diferentes perspectivas: presença e  
representação em acervos, nos modos de representação social e  
documentária, bem como das ocupações, isto é, das funções  
atribuídas ao feminino nas instituições de memória, um conjunto  
físico, material e simbólico de concentração e, portanto, assimetria,  
de poder. As ocupações e a divisão do trabalho, como destaca  
Bourdieu (2003), são também propriedades sociais transformadas  
em propriedades naturais por meio de sistemas ideológicos (dentre  
outros) de classificação e documentação, um conjunto atravessado  
e constituído de informação.  
Popularizado o sentido latino de “dar a forma” (Capurro;  
Hjørland, 2007), o conceito de informação resguarda também o da  
privação da forma (informis), que Menezes (2017) discutirá sobre o  
que é deixado à margem a partir da linguagem, dos conceitos, da  
classificação, dos documentos. No caso deste estudo, a forma  
oficial, organizada e publicizada, e privação da forma documental (e  
também ontológica, epistêmica e política) da mulher como gestora e  
partícipe da memória institucional do ICOM. Em síntese, a  
classificação como instrumento do poder simbólico bourdieusiano a  
partir das tramas do enunciar sobre o conceito de homem e de  
mulher: […] o poder simbólico como poder de constituir o dado pela  
enunciação, de fazer ver e de fazer crer, de confirmar ou de  
transformar a visão de mundo” (Bourdieu, 2003, p. 14).  
Ao focalizar a informação documentada sobre processos e  
redes de institucionalização em Museologia pelas lentes teóricas da  
CI, abre-se a possibilidade de vislumbrar, a partir da documentação  
registrada na web, as escolhas feitas pelos atores sociais no  
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contexto da liderança da profissão e como as relações de poder na  
Museologia, enquanto campo amplo do saber, pode se manifestar  
via documentação. A documentação, portanto, passa a ser o meio  
físico, material e da informação, em seu caráter público, social e  
político, de acordo com Frohmann (2006).  
A materialidade da informação, para Frohmann (2006), reflete  
a materialidade dos enunciados. Estes, por sua vez, podem ser  
analisados pela imersão institucional. Segundo o autor, “as rotinas  
institucionalizadas estabelecem e mantêm as relações entre  
enunciados, dando a eles peso, massa, inércia e resistência”  
(Frohmann, 2006, p. 23). Partindo do pressuposto de que museus e  
sua respectiva institucionalidade refletem as estruturas sociais em  
que estão inseridos, é necessário olhar para os papéis  
desempenhados pelos indivíduos que os constroem e mantêm seu  
funcionamento.  
No esforço de analisar esse cenário, é preciso retornar no  
tempo para compreender o histórico que resultou no campo  
museológico contemporâneo. Até o início do século XIX, os museus  
eram considerados locais de acesso restrito para mulheres e  
pessoas de classes menos abastadas. Esses espaços eram  
frequentados por homens considerados sábios, aristocratas, nobres  
e artistas. Apenas após a revolução francesa iniciou-se um  
movimento gradual de abertura desses espaços ao público, que,  
conforme Brulon (2019, p. 10), designavam “horários especiais para  
a visita da classe trabalhadora e das mulheres de classe alta,  
separadamente da visita dos homens cultos da elite”.  
Com a chegada do século XX, os museus começam a ser  
compreendidos como ferramenta pedagógica do conhecimento  
(Brulon, 2019, p. 12), uma visão iluminista compartilhada pela  
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Documentação e pela Biblioteconomia sobre o livro, expoente da  
noção de conhecimento, no mesmo tempo histórico.  
Simultaneamente, após a Primeira Guerra Mundial, iniciou-se um  
movimento de abertura do mercado de trabalho para mulheres da  
classe, embora estas em sua totalidade nunca tenham atuado  
somente em âmbito privado, como foi o caso de mulheres negras e  
pobres, lembrado por Davis (2018).  
No contexto brasileiro, ponto de partida de nossas reflexões é  
o ano de 1932, quando foi criado o Curso de Museus do Museu  
Histórico Nacional (MHN), o primeiro curso em Museologia do  
Brasil, durante o período de gestão de Rodolfo Augusto de Amorim  
Garcia. A notícia da inauguração foi publicada pelo jornal Diário da  
Noite, do Rio de Janeiro, na edição de 03 de maio7. Na foto que  
ilustra a reportagem, nota-se presença feminina a frequentar o  
curso. Brulon (2019, p. 12) afirma que as mulheres se tornaram a  
principal clientela dos cursos de formação para profissionais de  
museus, “fosse pelo tipo de qualificação pouco específica, fosse  
pelo desinteresse dos homens por esses cargos técnicos, ou, ainda,  
pela vocação pedagógica atribuída a elas”, que, segundo o autor,  
reflete um pensamento herdado do imaginário iluminista. É possível  
encontrar registros numéricos dessa preferência feminina pelo  
curso por meio do histórico de matrícula, entre 1930 e 1940, do  
Conselho Regional de Museologia 2ª Região (COREM 2R):  
7A notícia encontra-se em acesso aberto na Hemeroteca da Fundação da  
Biblioteca Nacional. Disponível em:  
2025.  
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Quadro 1 - Distribuição de gênero entre os graduados em Museologia na  
UNIRIO - antigo Curso de Museus do MHN (1937-1943)  
Ano  
Mulheres  
Homens  
Total de  
matriculadas  
matriculados  
matrículas  
1937  
1938  
1939  
1940  
1941  
1942  
1943  
4
6
9
13  
28  
29  
69  
78  
67  
61  
22  
11  
18  
15  
15  
16  
18  
51  
63  
52  
45  
Fonte: elaborado pelas autoras a partir de dados do site oficial do COREM-2R  
Segundo Siqueira (2009), entre 1932 e 1975, havia 1.762  
alunos e ouvintes matriculados no curso, sendo 1.214 mulheres, ou  
seja, cerca de 68% do público. Apesar da predominância feminina,  
inicialmente, os homens foram colocados no papel de tutores  
dessas mulheres, não só como professores do curso, como no  
mercado de trabalho - um reflexo de como as profissionais do  
gênero feminino seriam absorvidas predominantemente como  
coadjuvantes, não possíveis líderes. De acordo com Brulon (2019,  
p. 3), a relação de tutela masculina marcava as relações de poder  
aplicadas ao gênero, “[...] numa época em que ‘o técnico em  
museus’ não era visto como um/uma cientista ou curador, mas  
como um/uma assistente ou auxiliar nas funções do museu”. Nas  
décadas seguintes, é possível perceber que se manteve o padrão  
de maioria das discentes do gênero feminino.  
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Figura 1 - Formatura das alunas e alunos do Curso de Museus em 1943  
Fonte: Coleção Núcleo de Memória da Museologia no Brasil –  
NUMMUS/UNIRIO  
A partir da galeria de fotos organizada pelo NUMMUS,  
verificou-se uma mudança no quadro geral de docentes quando os  
alunos das primeiras turmas assumiram o cargo docente (Brulon,  
2019), apontando para um gradual rompimento das barreiras  
impostas na ocupação desses cargos, especialmente a partir dos  
anos de 1970. Entretanto, esse avanço não se refletiu de forma tão  
expressiva, ou, pelo menos, não com a mesma velocidade, em  
outras posições de poder. Para Brulon (2019), da perspectiva  
técnica e formativa, as mulheres estavam aptas a disputar os  
cargos, mas ainda encontravam barreiras simbólicas para assumi-  
los.  
Audebert, Wichers e Queiroz (2019) relembram que as  
conquistas sociais, políticas e culturais das mulheres vieram na  
esteira dos movimentos feministas e de resistência do século XX  
(incluindo a adoção do termo gênero), o que explica maior  
preocupação institucional sobre as desigualdades de gênero a partir  
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desse período. Similarmente, demonstra a imbricação entre política  
e divisão do trabalho, muito além da capacidade técnica individual  
ou qualquer discurso meritocrático.  
Em 2025, a presença feminina na Museologia brasileira se  
mantém majoritária, conforme dados atuais do COFEM, que  
abrange cinco conselhos regionais: dos 1.724 museólogos  
registrados no País, mais de 1.300 apresentam nomes próprios  
socialmente aplicados ao gênero feminino, o que corresponde a  
aproximadamente 76% dos registros. O quantitativo geral de  
mulheres museólogas pode influenciar na interpretação quanto às  
relações de gênero em gestão. Por exemplo, das 18 instituições de  
ensino superior que oferecem cursos de graduação em Museologia  
certificadas pelo Ministério da Educação, excetuando-se uma que  
não dispõe da informação pública sobre a composição da gestão do  
curso e outra instituição cujo sítio estava fora do ar no período da  
consulta, 12 dos 19 cursos de Museologia identificados possuem  
docentes mulheres como coordenadoras, correspondente a  
aproximadamente 63% dos cargos de direção no ensino superior.  
Porém, sem conhecer o histórico dos cursos, não é possível inferir  
se houve uma tradição misógina nesse tipo de função, ou mesmo  
questionar se a misoginia estaria somente ligada ao cargo, uma vez  
que, conforme visto com Brulon (2019), o poder se estabelece de  
diferentes maneiras.  
No que diz respeito à categoria gestão de museus, dos 27  
museus vinculados ao IBRAM, órgão criado em 2009, 15 possuem  
mulheres como diretoras no tempo presente, o que equivale a  
aproximadamente 56% de lideranças do gênero feminino. Esse  
número, comparado à porcentagem do COFEM, reflete a  
disparidade quando se trata da relação entre a formação na  
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profissão comparada ao alcance dos altos cargos na gestão dos  
espaços museais.  
O mesmo sucede ao observarmos a cadeira de presidência  
do IBRAM, no qual a primeira e única mulher nomeada desde sua  
criação é a atual presidente. Vale destacar que a ausência de  
dados estruturados nacionalmente sobre mulheres museólogas  
gestoras dificulta, neste momento, o entendimento do quadro geral  
da Museologia brasileira sob a ótica da administração da área.  
A relevante publicação intitulada Museus em Números, do  
IBRAM (2011), discute dados dos museus nacionais em diferentes  
segmentos, mas não especifica a categoria gênero na seção  
dedicada ao assunto gestão, o que nos conduz à teoria  
documentalista de Meyriat (1981): os dados serão organizados e o  
registro será validado como documento partir de uma  
intencionalidade, uso e funcionalidade. Assim, verificar a  
disparidade de gênero em cargos de gestão na Museologia  
pressupõe, antes, uma intenção de olhar para essa realidade e,  
assim, documentá-la. Eis os passos iniciais deste estudo.  
A próxima seção focalizará o contexto internacional, com  
dados do ICOM à luz do histórico de presidência dos comitês a ele  
vinculados.  
3 O TEMPLO DAS MUSAS É LEGISLADO POR HOMENS:  
ANÁLISE DOS COMITÊS INTERNACIONAIS DO ICOM  
Apesar de museus já existirem em diversas partes do mundo,  
foi apenas no final do século XIX que o debate sobre a  
internacionalização e cooperação das instituições museais começou  
a ganhar força. Já existiam nesse período, conselhos nacionais de  
18  
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museus, entretanto Baghli, Boylan e Herreman (1998) mencionam a  
criação de alguns grupos internacionais na Europa e América do  
Norte, como The Museums Association (1906) e, mais tarde, o  
International Museums Office, criado na década de 1920, os quais  
previam um movimento que, logo após a Segunda Guerra Mundial,  
foi institucionalizado pela UNESCO no formato do ICOM (Baghli,  
Boylan, Herreman, 1998, p. 7).  
Ao final da guerra, o presidente do Buffalo Museum of Science  
e membro da American Association of Museums, Chauncey J.  
Hamlin, aproveitou a realização da primeira conferência geral da  
UNESCO em Paris para, em novembro de 1946, no Museu do  
Louvre, dar início à Assembleia Constituinte para formação do  
ICOM, cujo objetivo seria a cooperação museológica internacional.  
Com a expansão da Museologia e da revisão de práticas ao longo  
do século XX, o Comitê Internacional, inicialmente formado por 14  
países entre eles o Brasil hoje, conta com 40.000 membros,  
provenientes de 141 países. Na década de 1970, aumentou-se o  
incentivo à participação plural envolvendo comitês nacionais de  
países do Sul global. Nos anos 1990, as pautas sobre colonialismo  
e objetos museais adquiridos através de saqueamento dos antigos  
países colonizados cresceram dentro do ICOM e novas formas de  
museologia começam a ser debatidas. Apesar de ter sido fundado  
em 1946, a primeira vez que uma mulher foi eleita para ocupar a  
presidência do ICOM foi em 2004, e, após ela, outras duas  
mulheres foram eleitas, como pode ser visto no Quadro 2.  
19  
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Quadro 2 - Composição da Presidência do ICOM (1946Presente)  
Período  
Território  
Estados Unidos  
França  
Gênero  
Masculino  
Masculino  
Masculino  
19461953  
19531959  
19591965  
Reino Unido  
19651971  
19711977  
19771983  
19831989  
19891992  
19921998  
19982004  
20042010  
20102016  
20162020  
20202022  
2022Presente  
Holanda  
Checoslováquia  
França  
Masculino  
Masculino  
Masculino  
Masculino  
Masculino  
Masculino  
Masculino  
Feminino  
Masculino  
Feminino  
Masculino  
Feminino  
Reino Unido  
Mali  
Índia  
França  
Barbados  
Alemanha  
Turquia  
Itália  
Itália  
Fonte: elaborado pelas autorias com base em dados do ICOM  
Além da disparidade de gênero, observa-se mais uma vez o  
recorte colonial: de 11 países de vinculação dos presidentes  
elencados, seis são europeus, ademais dos Estados Unidos,  
considerado eixo assimétrico de poder, pertencente ao Norte global,  
e apenas no final da década de 1980, um presidente fora desse  
eixo foi eleito.  
Com foco no metadado gênero, o campo empírico deste  
estudo foi delineado por 35 comitês internacionais listados pelo  
ICOM, a saber: International Committee for Museums and  
Collections of Costume, Fashion and Textiles (COSTUME),  
International Committee for Architecture and Museum Techniques  
(ICAMT), International Committee for Collecting (COMCOL),  
International Committee for Communications, Marketing, and  
Audience Engagement (COMMS), International Committee for  
Conservation (CONSERVATION), International Committee for  
Audiovisual, New Technologies and Social Media (AVICOM),  
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International Committee for the Collections and Activities of  
Museums Of Cities (CAMOC), International Committee for  
Education and Cultural Action (CECA), International Committee for  
Documentation (CIDOC), International Committee of Museums and  
Collections of Instruments and Music (CIMCIM), International  
Committee for Egyptology (CIPEG), International Committee for  
Exhibition Exchange (EXHIBITION), International Committee for  
Historic House Museums (DEMHIST), International Committee for  
Literary and Composers’ Museums (ICLCM), International  
Committee for Marketing and Public Relations (MPR), International  
Committee for Money and Banking Museums (ICOMON),  
International Committee for Museology (ICOFOM), International  
Committee for Museum Management (INTERCOM), International  
Committee for Museum Security (SECURITY), International  
Committee for Museums and Collections of Archaeology and History  
(ICMAH), International Committee for Museums and Collections of  
Arms and Military History (ICOMAM), International Committee for  
Museums and Collections of Decorative Arts and Design (ICDAD),  
International Committee for Museums and Collections of Decorative  
Arts and Design (DESIGN), International Committee for Museums  
and Collections of Ethnography (ICME), International Committee for  
Museums and Collections of Fine Arts (ICFA), International  
Committee for Museums and Collections of Glass (GLASS),  
International Committee for Museums and Collections of Natural  
History (NATHIST), International Committee for Museums and  
Collections of Science and Technology (CIMUSET), International  
Committee for Regional Museums (ICR), International Committee  
for Social Museology (SOMUS), International Committee for the  
Training of Personnel (ICTOP), International Committee of Memorial  
21  
DOI: 10.33467/conci.v8i.23695  
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and Human Rights Museums (ICMEMOHRI), International  
Committee for University Museums and Collections (UMAC),  
International Committee on Collections in Storage (STORAGE),  
International Committee on Disaster Resilient Museums (DRMC),  
International Committee on Ethical Dilemmas (ICETHICS),  
International Committee on Museums and Sustainable Development  
(SUSTAIN).  
Destaca-se a inconsistência nos dados oficiais, um indício a  
ser visto pela CI: no texto do site oficial do ICOM, são apontados 35  
comitês internacionais, porém há uma lista de 37 comitês na  
mesma tela. Ao mesmo tempo, no sítio do ICOM Brasil, o número  
aponta para um total de 34 comitês no texto, entretanto, na lista de  
links para os sites de cada um deles, encontram-se 35 endereços  
eletrônicos. Alguns dos comitês listados também não correspondem  
ao seu nome atual, considerando mudanças e reestruturações  
terminológicas no tempo histórico. São eles o ICDAD, atualmente  
reformulado como DESIGN, e o MRP, que atualmente responde  
como COMMS. Portanto, consideramos o total de 35 comitês  
listados nos quadros 3 e 4. Inicialmente, serão comentados apenas  
os dados do Quadro 3, considerando os comitês cujo histórico foi  
recuperado na íntegra.  
Conforme mencionado na Introdução, para localização e  
análise dos dados foram realizadas consultas aos portais  
institucionais do ICOM. Os dados obtidos foram listados em  
planilhas do Microsoft Excel e segmentados nos metadados: nome  
e sobrenome do ocupante do cargo de presidência (chair), território,  
período de atuação, gênero atribuído. A noção de território abrange  
local de nascimento e/ou atuação do gestor, uma vez que o ICOM  
indica o país, mas não oferece detalhes biográficos e fontes  
22  
DOI: 10.33467/conci.v8i.23695  
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complementares nem sempre indicam informação fiável sobre a  
nacionalidade das personalidades avaliadas.  
Do mesmo modo, o período de atuação no cargo foi extraído  
de publicações oficiais do ICOM. O gênero dos gestores foi  
atribuído a partir da interpretação do nome próprio, fotos e  
publicações (avaliação da redação da perspectiva do uso de artigos  
e pronomes, por exemplo) identificados nos portais do ICOM.  
Para contagem das ocorrências, utilizou-se métrica simples.  
No contexto dos 35 comitês internacionais identificados, 25  
possuem mulheres como presidentes na gestão atual, o que  
equivale a aproximadamente 71% dos cargos.  
No que concerne ao histórico de gestão, dos 35 grupos, foram  
recuperados dados relativos ao histórico completo de liderança de  
22 comitês. Quanto número de gestores contabilizado desde a  
fundação, ou seja, 1946 e 2025, nesses 22 comitês, foram  
identificados 167 presidentes no exercício da função. Por sua vez,  
dos 167 presidentes, 80 (47,9%) são mulheres, 85 (50,9%) são  
homens e 2 (1,2%) nomes próprios que não foram identificados pelo  
gênero.  
Para facilitar a visualização, o quadro abaixo indica os dados  
relativos a cada comitê segmentados por década de criação e  
agrupamento quantitativo por gênero. O princípio de ordenação foi  
cronológico.  
23  
DOI: 10.33467/conci.v8i.23695  
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Quadro 3 - Histórico completo de 22 comitês internacionais vinculados ao ICOM  
Sigla  
Década de  
Criação  
Quantidade de  
presidentes  
Quantidade de  
presidentes  
Quantidade de  
presidentes com  
nomes do gênero  
masculino  
Quantidade de  
nomes próprios  
não identificados  
por gênero  
identificados entre o  
ano da criação do  
comitê e 2025  
com nomes do  
gênero feminino  
CIMUSET  
ICAMT  
1940  
1940  
1950  
1960  
1960  
1960  
1960  
1960  
1970  
1980  
1990  
1990  
1990  
2000  
2000  
2000  
2000  
2010  
2010  
2020  
2020  
2020  
15  
12  
14  
11  
14  
14  
10  
11  
11  
7
8
6
7
5
6
6
4
2
2
4
4
9
8
7
3
4
6
5
5
2
6
2
4
3
3
2
1
0
0
0
12  
8
9
2
6
7
7
7
5
2
3
4
1
3
2
3
1
0
0
1
1
1
1
0
1
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
ICR  
COSTUME  
CONSERVATION  
CIMCIM  
ICTOP  
GLASS  
ICOFOM  
CIPEG  
DEMHIST  
AVICOM  
ICOMON  
UMAC  
CAMOC  
ICMEMOHRI  
ICDAD/DESIGN  
ICETHICS  
DRMC  
1
1
1
1
SOMUS  
SUSTAIN  
STORAGE  
Fonte: elaborado pelas autorias com base em dados do ICOM  
24  
DOI: 10.33467/conci.v8i.23695  
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Como o levantamento considerou os períodos de gestão a  
partir da fundação de cada comitê identificados nos documentos, o  
quantitativo de presidentes se refere à existência de uma pessoa na  
função em dado período e a identificação de seu gênero com base  
no nome próprio e documentos relacionados. Da perspectiva da CI,  
especialmente da gestão e da arquitetura da informação, o ICOM  
apresenta fragilidades na organização documental que versam  
sobre a própria memória institucional em ambiente digital.  
Considerando que parte dos comitês não disponibilizam, de forma  
direta, listas do seu histórico de presidência. Por conta disso, parte  
do levantamento encontra-se incompleto, apresentado no Quadro 4.  
25  
DOI: 10.33467/conci.v8i.23695  
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Quadro 4 - Comitês Internacionais vinculados ao ICOM com dados parciais  
Quantidade de  
Quantidade de  
Década até  
onde foram  
encontrados  
os dados  
Quantidade de  
presidentes  
Quantidade de  
presidentes  
Década  
de  
presidentes  
nomes próprios  
Sigla  
com nomes do  
não  
identificados  
parcialmente  
com nomes do  
gênero feminino  
criação  
gênero  
identificados  
masculino  
por gênero  
ICME  
CIDOC  
1940  
1950  
1950  
1960  
1960  
1970  
1970  
1980  
1980  
1980  
?
1990  
1980  
2020  
1970  
2020  
2019  
2020  
1980  
2000  
2000  
2010  
2020  
?
9
7
4
3
0
4
7
0
0
1
4
2
1
1
3
5
4
1
6
0
2
1
1
2
2
1
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
ICOMAM  
NATHIST  
CECA  
1
10  
7
ICLCM  
2
SECURITY/ICMS  
ICFA  
1
2
EXHIBITIONS  
INTERCOM  
COMMS/MPR  
ICMAH  
6
4
2
?
0
COMCOL  
?
3
Fonte: elaborado pelas autorias com base em dados do ICOM  
26  
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Considerando os dados da atualidade, os números totais  
apresentam uma divisão por gênero quase equilibrada: dos 35  
grupos analisados nos quadros 3 e 4, 16 apresentaram percentual  
maior de homens na presidência. Em outros 14, é maior o  
percentual de mulheres, e em outros 5, observa-se empate  
numérico. Entretanto, partindo de uma perspectiva histórica, esse  
equilíbrio não foi sempre a norma.  
Para melhor visualização de uma linha temporal que  
atravesse a existência do ICOM, foram separados os oito comitês  
com maior tempo de atuação entre os analisados de histórico  
completo, e estabelecida uma linha do tempo de acordo com o  
gênero atuante na presidência naquele ano, com os anos de  
ocupação feminina do cargo em vermelho, e em verde, a ocupação  
masculina.  
Gráfico 1 - Linha do tempo de 8 Comitês Internacionais vinculados ao ICOM  
Fonte: Elaborado pelas autorias com base em dados do ICOM  
A partir desse levantamento, foi possível identificar que,  
apesar de nos dias atuais as cadeiras estarem ocupadas  
majoritariamente por mulheres, esse papel foi conquistado de forma  
gradual entre as décadas de 1980 e 1990, consolidando-se na  
virada do século. Nota-se que a maioria dos grupos do seguinte  
recorte tem mais homens do que mulheres no seu histórico de  
27  
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presidência, salvo o COSTUME, Comitê Internacional para os  
Museus e Coleções de Vestuário, que desde 1968 teve mulheres  
ocupando o cargo quase continuamente, fato que pode ser  
compreendido como um possível reflexo do estereótipo do interesse  
feminino pelo campo da moda.  
No que concerne à nacionalidade e/ou país de vinculação, isto  
é, o metadado território, não foi possível atestar com segurança  
todos os registros dos nomes próprios (masculinos e femininos),  
pois nem todo nome estava acompanhado desta informação e as  
buscas auxiliares em documentos institucionais e secundários na  
web não esclareceram a questão. Assim, optou-se por  
desconsiderar na contagem. Os dados levantados até o momento  
do histórico da presidência do ICOM e dos comitês, apontam para  
37 países diferentes, dos quais 05 estão nas Américas (Estados  
Unidos, Canadá, México, Barbados e Brasil) e somente um na  
África, o Mali.  
Sob a perspectiva das relações de poder econômica e  
política, os dez países com maior número de ocorrências na  
presidência de comitês, segundo os dados iniciais recuperados,  
foram: Estados Unidos (29 ocorrências), Reino Unido (21), Países  
Baixos (16), França (15), Canadá (12), Alemanha (11) Suíça (10),  
Noruega (9), Itália (9) e Dinamarca (8). Desse modo, é possível  
inferir, mesmo com dados parciais, que o histórico do ICOM,  
enquanto instituição, se constituiu no passado e se constitui no  
presente mais próximo de países considerados pertencentes e/ou  
alinhados ao Norte global.  
De acordo com os dados das organizações e instituições  
discutidos no presente trabalho, mesmo com notória prevalência de  
profissionais do gênero feminino, apenas a partir do século XXI é  
28  
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que, de fato, as mulheres começam a ocupar com regularidade e  
(quase) equivalência os cargos de presidência desses institutos.  
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
A presença de mulheres em cargos de liderança se faz  
necessária para a construção de maior representatividade e  
pluralidade na Museologia, mas, fundamentalmente, como gesto de  
onticidade social frente o poder simbólico instituído que afasta,  
historicamente, as mulheres dos espaços de poder. Essa realidade  
não é exclusividade do Brasil, como visto no caso do ICOM.  
O presente trabalho é apenas a ponta do iceberg que  
relaciona museus e questões de gênero, um primeiro passo que  
mostra o potencial de estudos quantitativos e qualitativos que ainda  
carecem de ser pesquisados mais profundamente. Olhar para esses  
espaços pode ajudar a entender os desequilíbrios de poder em  
como o conhecimento é escolhido, organizado e compartilhado.  
Ao estudar como a informação circula nessas instituições,  
podemos compreender melhor como a lógica patriarcal pode  
influenciar silenciosamente as escolhas dos curadores, o  
planejamento das exposições, as práticas institucionais, o que é  
considerado conhecimento válido e qual a pessoa mais adequada à  
gestão de um museu.  
Desdobra-se aqui um olhar para epistemicídio, colonialismo e  
misoginia para além da representação de seres e saberes em  
objetos de museus e da Museologia, mas, fundamentalmente, em  
quem os dirige. Trata-se de injustiça epistêmica e hermenêutica nos  
termos de Fricker (2007), fruto da subalternização de gênero à luz  
da documentalidade e da dimensão sociocultural da informação,  
29  
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uma vez que às mulheres foi negado o espaço de produção de  
saber institucionalizado, o de liderança, e, por meio dos dados  
obtidos, o de estar potencialmente representada e documentada.  
Este trabalho reúne dados, análises e exemplos históricos,  
ainda que parciais, para mostrar como padrões de ausência e  
hierarquia são complexos e envolvem diferentes variáveis, como as  
análises interseccionais, um desejo de pesquisa. Os resultados  
demonstram que a variável gênero em âmbito de gestão não tem  
sido analisada nos documentos internos e em pesquisas no Brasil  
de maneira satisfatória.  
Apesar das lacunas documentais em 13 comitês, limitando a  
reconstrução do histórico de gestão, considerou-se a análise  
satisfatória por avaliar cerca de 60% do histórico de presidência do  
ICOM. Este estudo apresenta, nesse contexto, um novo problema  
para a Museologia: as fragilidades na preservação da própria  
memória. Os dados do tempo presente apontam para crescente  
presença feminina em lideranças e conselhos em instituições  
museais.  
Contudo, o dado deslocado das práticas cotidianas, daquilo  
que não ganha forma como métrica ou discurso oficial, pode ocultar  
as fragilidades de alcance e manutenção desses mesmos cargos  
nas relações simbólicas de poder. Assim, seria prematuro afirmar  
que a paridade de gênero foi consolidada porque muitos dos cargos  
atuais, nacional e internacionalmente, estão ocupados por  
mulheres. Inversamente, a partir dos dados, é possível constatar o  
histórico patriarcal no ICOM, apesar do protagonismo reconhecido  
das mulheres na Museologia, mas que não foi considerado  
suficiente para representação dos cargos de maior prestígio.  
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Os próximos passos da pesquisa apontam para o necessário  
levantamento documental das instituições museológicas brasileiras  
para, por fim, estabelecer um olhar comparativo com o cenário  
internacional.  
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