DOSSIÊ
Desinformação de Gênero e seus Impactos na Participação Política Feminina no Serviço Público
Gender Misinformation and its Impacts on Women's Political Participation in the Public Service
Desinformación de Género y sus Impactos en la Participación Política Femenina en la Función Pública
La désinformation sur le genre et ses répercussions sur la participation politique des femmes dans la fonction publique
Submetido em: 30/08/2025 Aceito em: 12/12/2025 Publicado em: 30/12/2025
1 Doutora em Administração Estratégica (PUCRS), Mestre em Sociologia (UFRGS), Graduada em Administração: Gestão Pública (UERGS) e Direito (UniRitter). Pós-doutoranda no Programa de Pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia (HCTE-UFRJ). Docente do Ensino Técnico do Estado de Santa Catarina.
Este artigo tem como objetivo sintetizar evidências sobre como a desinformação de gênero afeta a participação política das mulheres no serviço público brasileiro nos últimos 10 anos. Para tal, realizou-se uma revisão narrativa da literatura utilizando buscas sistemáticas nas bases de dados Google Scholar e PubMed (2015-2025). Como resultados, foram identificados 163 estudos relevantes, dos quais 15 foram considerados centrais para a análise realizada nesta pesquisa que mostrou que a desinformação de gênero opera através de assédio online, assassinato de caráter, deepfakes e amplificação em plataformas digitais, produzindo efeitos inibitórios diferenciados para mulheres de diferentes classes sociais, principalmente as que não se enquadram na elite e as que vivem em meios rurais. No que se refere aos achados na literatura científica, evidências apontam que o debate sobre desinformação de gênero avançou significativamente, principalmente em relação à conceituação e as possíveis tipologias para entender o fenômeno, porém ainda carece de frameworks para endereçar soluções práticas e de combate à desinformação. Para fins de contribuição prática, este estudo indica que são necessárias políticas públicas integradas para combater a desinformação de gênero e uma maior responsabilização das plataformas digitais pelo que é veiculado em seus domínios.
This article aims to synthesize evidence on how gendered disinformation affects the political participation of women in the Brazilian public service over the last 10 years. To this end, a narrative literature review was conducted using systematic searches in the Google Scholar and PubMed databases (2015-2025). As a result, 163 relevant studies were identified, of which 15 were considered central to the analysis carried out in this research. The findings indicate that gendered disinformation operates through online harassment, character assassination, deepfakes, and amplification on digital platforms, producing distinct inhibitory effects for women from different social classes, particularly those who are not part of the elite and those living in rural areas. Regarding the findings in the scientific literature, the majority of the works were qualitative and mixed-methods, with few large-scale longitudinal or causal studies. For practical contribution purposes, this study suggests that integrated public policies are necessary to combat gendered disinformation,
along with greater accountability from digital platforms for the content disseminated on their domains.
Este artículo tiene como objetivo sintetizar evidencias sobre cómo la desinformación de género afecta la participación política de las mujeres en el servicio público brasileño en los últimos 10 años. Para ello, se realizó una revisión narrativa de la literatura utilizando búsquedas sistemáticas en las bases de datos Google Scholar y PubMed (2015-2025). Como resultados, se identificaron 163 estudios relevantes, de los cuales 15 fueron considerados centrales para el análisis realizado en esta investigación. Los hallazgos mostraron que la desinformación de género opera a través del acoso en línea, el asesinato de reputación, los deepfakes y la amplificación en plataformas digitales, produciendo efectos inhibitorios diferenciados para mujeres de distintas clases sociales, principalmente aquellas que no pertenecen a la élite y las que viven en medios rurales. En lo que respecta a los hallazgos en la literatura científica, se encontraron mayoritariamente trabajos cualitativos y de métodos mixtos, pero pocos estudios longitudinales o causales a gran escala. A efectos de contribución práctica, este estudio indica que son necesarias políticas públicas integradas para combatir la desinformación de género y una mayor responsabilización de las plataformas digitales por el contenido que se difunde en sus dominios.
Cet article vise à synthétiser les données disponibles sur la manière dont la désinformation liée au genre affecte la participation politique des femmes dans la fonction publique brésilienne au cours des dix dernières années. À cette fin, une revue narrative de la littérature a été réalisée à partir de recherches systématiques dans les bases de données Google Scholar et PubMed (2015-2025). Au total, 163 études pertinentes ont été identifiées, dont 15 ont été jugées essentielles pour l'analyse réalisée dans le cadre de cette recherche. Celle-ci a montré que la désinformation sur le genre opère par le biais du harcèlement en ligne, de la diffamation, des deepfakes et de l'amplification sur les plateformes numériques, produisant des effets
inhibiteurs différents pour les femmes de différentes classes sociales, en particulier celles qui n'appartiennent pas à l'élite et celles qui vivent en milieu rural. En ce qui concerne les conclusions de la littérature scientifique, les preuves indiquent que le débat sur la désinformation liée au genre a considérablement progressé, notamment en ce qui concerne la conceptualisation et les typologies possibles pour comprendre le phénomène, mais il manque encore des cadres pour apporter des solutions pratiques et lutter contre la désinformation. À des fins de contribution pratique, cette étude indique que des politiques publiques intégrées sont nécessaires pour lutter contre la désinformation liée au genre et qu'il faut responsabiliser davantage les plateformes numériques quant au contenu diffusé sur leurs domaines.
INTRODUÇÃO
A era digital transformou fundamentalmente os processos democráticos e a participação política, criando oportunidades para o engajamento cívico, mas também novos desafios para a inclusão política das mulheres. Entre esses desafios, a desinformação de gênero emerge como uma forma particularmente insidiosa de violência política que visa especificamente mulheres em posições de liderança ou que buscam participação no serviço público (Carrillo Pérez; Iranzo-Cabrera, 2024; Morales Romo, 2024).
A desinformação de gênero pode ser definida como a criação e disseminação deliberada de informações falsas ou enganosas que exploram estereótipos de gênero, visam deslegitimar mulheres na esfera política e perpetuam normas patriarcais que restringem a participação feminina nos espaços de poder (Duerlinger, 2022). Esta forma de desinformação difere da desinformação tradicional por sua natureza interseccional, combinando elementos de misoginia,
sexismo e violência de gênero com táticas de manipulação informacional (Shroff; Nayak, 2023).
O crescimento exponencial das plataformas digitais nas últimas décadas amplificou significativamente o alcance e o impacto da desinformação de gênero. Redes sociais como Facebook, Twitter, Instagram e plataformas de mensagens como WhatsApp tornaram-se espaços onde ataques coordenados contra mulheres políticas podem ser organizados e disseminados rapidamente (Akshaya; Binushma, 2023; Kasera; Omondi, 2024). Esses ataques frequentemente combinam elementos de assédio online, criação de conteúdo falso (incluindo deepfakes), campanhas de difamação e mobilização de grupos misóginos (Otieno, 2024).
A relevância deste tema para a democracia contemporânea é incontestável. A participação política das mulheres é fundamental para a legitimidade democrática e a representação efetiva dos interesses de toda a população, não somente dos que têm mais força política. Quando a desinformação de gênero cria barreiras sistêmicas à participação feminina, ela não apenas prejudica as mulheres individualmente, mas também enfraquece a qualidade da democracia como um todo (Pollicy, 2023; Taylor; Hannah, 2023).
No contexto do serviço público, os impactos da desinformação de gênero são particularmente preocupantes. Mulheres em cargos públicos, desde conselheiras municipais até ministras, enfrentam ataques que questionam não apenas suas qualificações profissionais, mas também sua moralidade pessoal, aparência física e adequação aos papéis tradicionais de gênero (Silveira, 2023; Women in Flemish Parliament, 2023). Esses ataques podem resultar em autocensura, retirada da vida pública e, em casos extremos,
abandono de cargos eletivos ou nomeados (Brechenmacher; Hubbard, 2020).
Os objetivos desta revisão narrativa são: (1) mapear e sintetizar as evidências disponíveis sobre os impactos da desinformação de gênero na participação política feminina no serviço público; (2) identificar os principais mecanismos através dos quais essa desinformação opera; (3) analisar os grupos de mulheres mais vulneráveis a esses ataques; (4) examinar as estratégias de enfrentamento e resiliência desenvolvidas; e (5) identificar lacunas na literatura e direções para pesquisas futuras.
Esta revisão contribui para o campo ao fornecer uma síntese abrangente de um fenômeno emergente e urgente, oferecendo insights para pesquisadores, formuladores de políticas e ativistas interessados em promover a participação política feminina em ambientes digitais cada vez mais hostis.
METODOLOGIA
Esta revisão narrativa da literatura foi conduzida seguindo diretrizes estabelecidas para sínteses qualitativas de evidências (Akintayo, 2024), usando a análise temática para tratamento dos dados. A abordagem narrativa foi escolhida devido à natureza emergente e interdisciplinar do campo de estudos sobre desinformação de gênero.
Estratégia de Busca
As buscas foram realizadas em duas bases de dados científicas, selecionadas por sua cobertura complementar de literatura acadêmica e cinzenta relevante ao tema, sendo o uma delas o Google Scholar, escolhida por ser uma das bases de busca
acadêmica mais amplas e que inclui literatura cinzenta, teses e relatórios, e a outra a PubMed, base de dados biomédica incluída devido aos aspectos de saúde mental e bem-estar relacionados ao tema.
Os operadores booleanos utilizados na busca foram escolhidos através de consulta a especialistas e de uma revisão de literatura livre preliminar. As estratégias específicas utilizadas em cada base foram (Quadro 1):
Base de dados | Operados booleanos utilizados |
Google Scholar | ("gender disinformation" OR "gendered disinformation" OR "gender-based misinformation") AND ("women political participation" OR "female political representation" OR "women in public service" OR "women in government") |
PubMed | (("gender" OR "women" OR "female") AND ("disinformation" OR "misinformation" OR "fake news") AND ("political participation" OR "public service" OR "government" OR "leadership")) |
A busca foi realizada em língua inglesa, considerando título, resumo e palavras-chave, com a finalidade de encontrar um maior número de estudos relevantes para esse trabalho. Foram incluídos trabalhos completos em português e espanhol que emergiram da pesquisa.
Processo de Seleção
O processo de seleção da literatura encontrada envolveu a busca inicial nas duas bases de dados, somando um total de 163 estudos, seguida pela remoção dos achados duplicados através de uma análise automatizada e manual, usando o software Rayyan, um software online de análise de literatura que permite que seja realizado o upload das referências extraídas das bases de dados científicos e realizada a análise. Após, seguiu-se com a triagem inicial por título e resumo aplicando os seguintes critérios de inclusão e exclusão (Quadro 2):
Inclusão | |
Exclusão |
Estudos publicados entre 2015-2025
Foco em desinformação de gênero ou violência política online contra mulheres
Análise de impactos na participação política ou serviço público
Estudos empíricos, teóricos ou de revisão
Publicações em inglês, espanhol ou português
Estudos focados exclusivamente em desinformação geral sem componente de gênero
Análises de violência offline sem componente digital
Estudos anteriores a 2015
Literatura não acadêmica sem rigor metodológico
Selecionados os textos que comporiam a base final deste estudo, foram buscadas as íntegras dos textos e realizada a leitura integral, para então serem identificados os 15 estudos centrais para análise detalhada que segue nas próximas seções.
ANÁLISE TEMÁTICA DOS PRINCIPAIS ACHADOS
Taxonomia da Desinformação de Gênero
A análise da literatura revela uma taxonomia complexa da desinformação de gênero direcionada a mulheres na política. Duerlinger (2022) propõe uma tipologia abrangente que categoriza esses ataques em quatro dimensões principais: assédio coordenado, assassinato de caráter, manipulação tecnológica e amplificação algorítmica.
O assédio coordenado representa uma das formas mais prevalentes de desinformação de gênero identificada na literatura. Shroff e Nayak (2023) documentam como grupos organizados utilizam múltiplas contas falsas para amplificar mensagens misóginas contra mulheres políticas, criando uma aparência de consenso público contra suas candidaturas ou atuação. Esses ataques frequentemente exploram estereótipos de gênero profundamente enraizados, questionando a competência das mulheres para exercer liderança ou sugerindo que sua participação política compromete seus papéis como mães e esposas.
O estudo de caso escrito por Akshaya e Binushma documenta padrões específicos de assédio que incluem comentários sobre aparência física, vida sexual e adequação aos papéis tradicionais de gênero (Akshaya; Binushma, 2023). Esses ataques são particularmente eficazes porque exploram ansiedades sociais existentes sobre a participação feminina na esfera pública, utilizando plataformas digitais para amplificar e normalizar discursos misóginos. Uma dimensão emergente e particularmente preocupante da desinformação de gênero é o uso de tecnologias de manipulação de imagem e vídeo. O relatório Pollicy "Byte Bullies" documenta casos
de criação de "sex tapes" falsos e imagens manipuladas de mulheres políticas, frequentemente disseminados em momentos estratégicos como vésperas eleitorais (Pollicy, 2023). Essas tecnologias permitem a criação de conteúdo altamente convincente que pode causar danos irreparáveis à reputação das vítimas.
A sofisticação crescente dessas tecnologias, combinada com sua crescente acessibilidade, representa uma ameaça emergente que a literatura ainda está começando a abordar. Taylor e Hannah (2023) argumentam que essas formas de "discurso perigoso" tecnologicamente mediado representam uma nova fronteira na violência política de gênero (Taylor; Hannah, 2023).
A análise revela padrões distintos de uso de plataformas para diferentes tipos de ataques. O estudo do condado de Migori, no Quênia, demonstra como páginas locais do Facebook são utilizadas para disseminar insultos em línguas locais, aproveitando-se de lacunas na moderação de conteúdo para comunidades linguísticas menores (Otieno, 2024). Esses ataques frequentemente combinam elementos de misoginia com outros preconceitos interseccionais, incluindo racismo e classismo.
WhatsApp e outras plataformas de mensagens emergem como espaços particularmente problemáticos devido à sua natureza fechada e dificuldade de monitoramento. A pesquisa de Kasera e Omondi (2024) sobre mulheres rurais no Quênia revela como grupos de WhatsApp são utilizados para coordenar campanhas de desinformação contra candidatas locais, aproveitando-se de redes sociais existentes para maximizar o impacto (Kasera; Omondi, 2024). A literatura revela variações significativas nos padrões de desinformação de gênero entre diferentes contextos culturais e regionais. Os estudos espanhóis de Morales Romo (2024) e Carrillo
Pérez & Iranzo-Cabrera (2024) identificam narrativas específicas que exploram construções culturais particulares da feminilidade e maternidade no contexto ibérico (Morales Romo, 2024; Carrillo Pérez; Iranzo-Cabrera, 2024). Essas narrativas frequentemente enquadram a participação política feminina como incompatível com valores familiares tradicionais.
Em contraste, os estudos africanos revelam padrões que intersectam gênero com questões de autoridade tradicional e modernização. O trabalho de Akintayo (2024) sobre a África Subsaariana demonstra como a desinformação de gênero frequentemente enquadra mulheres políticas como ameaças aos sistemas de autoridade tradicionais (Akintayo, 2024).
Mecanismos de Impacto na Participação Política
A literatura identifica múltiplos mecanismos através dos quais a desinformação de gênero impacta a participação política feminina, operando tanto no nível individual quanto sistêmico.
Os efeitos mais imediatos e mensuráveis da desinformação de gênero incluem a desistência de candidaturas e o abandono de cargos públicos. A dissertação de Silveira (2023) sobre Bogotá documenta casos específicos de conselheiras municipais que abandonaram seus mandatos devido à intensidade dos ataques online (Silveira, 2023). Esses casos revelam como a desinformação de gênero pode efetivamente "expulsar" mulheres da política, mesmo quando elas possuem mandatos democráticos legítimos.
O estudo sobre o Parlamento belga fornece evidências qualitativas detalhadas sobre como parlamentares mulheres modificam seu comportamento em resposta a ataques online, incluindo redução de aparições públicas, limitação de
posicionamentos controversos e, em casos extremos, não busca de reeleição (Women in Flemish Parliament, 2023). Esses achados sugerem que os impactos da desinformação de gênero se estendem muito além das vítimas diretas, criando um "efeito resfriamento" que desencoraja outras mulheres de buscar participação política.
Um dos achados mais consistentes na literatura é o fenômeno da autocensura como resposta à desinformação de gênero. Múltiplos estudos documentam como mulheres políticas modificam seu comportamento online e offline para evitar ataques, incluindo limitação de posicionamentos em questões controversas, redução de atividade em redes sociais e evitação de debates públicos (Akshaya; Binushma, 2023; Brechenmacher; Hubbard, 2020; Women in Flemish Parliament, 2023).
Essa autocensura representa uma forma particularmente insidiosa de impacto porque opera através da antecipação de ataques, mesmo quando estes não ocorrem diretamente. O trabalho de Kasera e Omondi revela como mulheres rurais no Quênia frequentemente evitam buscar posições de liderança devido ao conhecimento de ataques sofridos por outras mulheres em posições similares (Kasera; Omondi, 2024).
Embora a literatura sobre os impactos psicológicos da desinformação de gênero ainda seja limitada, os estudos disponíveis sugerem consequências significativas para a saúde mental das vítimas. O relatório Brechenmacher e Hubbard (2020) documenta aumentos em ansiedade, depressão e estresse pós-traumático entre mulheres políticas que sofreram ataques online coordenados (Brechenmacher; Hubbard, 2020).
Esses impactos são amplificados pela natureza persistente e invasiva dos ataques digitais, que podem continuar indefinidamente
e infiltrar-se em espaços tradicionalmente privados. A pesquisa sugere que mulheres políticas frequentemente experimentam uma sensação de vulnerabilidade constante, sabendo que podem ser alvo de ataques a qualquer momento.
Além dos impactos individuais, a literatura identifica consequências sistêmicas da desinformação de gênero para a qualidade da representação democrática. Quando mulheres são sistematicamente desencorajadas de participar da política através desses ataques, o resultado é uma sub-representação feminina que compromete a legitimidade democrática (Pollicy, 2023; Taylor; Hannah, 2023).
O estudo "Women held back" (2022) sobre o Brasil fornece evidências quantitativas de como barreiras institucionais e normativas, incluindo a desinformação de gênero, afetam a representação feminina em contextos de alta corrupção (Women held back, 2022). Esses achados sugerem que a desinformação de gênero pode ser particularmente eficaz em sistemas políticos já caracterizados por baixa confiança institucional.
Grupos Mais Vulneráveis
A análise da literatura revela que os impactos da desinformação de gênero não são uniformes, com certos grupos de mulheres enfrentando vulnerabilidades particulares. Um dos achados mais consistentes é a maior vulnerabilidade de mulheres rurais e de classes socioeconômicas mais baixas. O trabalho de Kasera e Omondi sobre o Quênia é particularmente revelador neste aspecto, demonstrando como mulheres rurais enfrentam ataques que combinam misoginia com classismo e, frequentemente, racismo (Kasera; Omondi, 2024). Essas mulheres têm menor acesso a
recursos para se defender contra-ataques, incluindo assessoria jurídica, suporte de comunicação e redes de apoio institucional.
A pesquisa também revela que mulheres rurais frequentemente enfrentam ataques em línguas locais que escapam aos sistemas de moderação das principais plataformas, que são otimizados para línguas dominantes. Isso cria um ambiente particularmente hostil onde ataques podem proliferar sem moderação efetiva.
A literatura crescentemente reconhece a natureza interseccional da desinformação de gênero, com mulheres que pertencem a múltiplos grupos marginalizados enfrentando ataques particularmente severos. O estudo de Asare e Agomor sobre Gana documenta como mulheres políticas negras enfrentam ataques que combinam estereótipos raciais e de gênero (Asare; Agomor, 2024).
Mulheres LGBTQ+ em posições políticas aparecem como particularmente vulneráveis, enfrentando ataques que questionam tanto sua adequação aos papéis de gênero tradicionais quanto sua orientação sexual. Embora a literatura específica sobre este grupo ainda seja limitada, os estudos disponíveis sugerem que esses ataques são particularmente virulentos e persistentes.
A pesquisa sugere diferenças significativas na vulnerabilidade à desinformação de gênero entre diferentes gerações de mulheres políticas. Mulheres mais jovens, que tendem a ter maior presença digital, frequentemente enfrentam ataques mais intensos e sofisticados, incluindo o uso de deepfakes e outras tecnologias emergentes.
Por outro lado, mulheres mais velhas podem ser menos equipadas para lidar com ataques digitais devido à menor familiaridade com tecnologias e plataformas digitais. Isso cria um
paradoxo onde tanto a presença digital alta quanto baixa pode criar vulnerabilidades específicas.
Estratégias de Enfrentamento e Resiliência
Apesar dos desafios significativos, a literatura documenta uma variedade de estratégias desenvolvidas por mulheres políticas, organizações da sociedade civil e, em menor medida, instituições governamentais para enfrentar a desinformação de gênero.
As estratégias individuais mais comumente documentadas incluem a construção de redes de apoio, o desenvolvimento de literacia digital e a criação de protocolos de segurança digital. O trabalho de Carrillo Pérez & Iranzo-Cabrera documenta como mulheres políticas espanholas desenvolveram estratégias coletivas de "resiliência narrativa", trabalhando juntas para contra-narrativas positivas (Carrillo Pérez; Iranzo-Cabrera, 2024).
Organizações de mulheres políticas em vários países desenvolveram sistemas de apoio mútuo, incluindo redes de resposta rápida para ataques coordenados e sistemas de mentoria para mulheres que entram na política. Essas iniciativas frequentemente operam de forma informal, mas representam uma forma importante de resistência coletiva.
O papel das plataformas digitais no enfrentamento da desinformação de gênero emerge como uma área de crescente atenção na literatura. Embora muitas plataformas tenham implementado políticas contra assédio e desinformação, a pesquisa sugere que essas políticas frequentemente falham em capturar as nuances da desinformação de gênero (Duerlinger, 2022; Pollicy, 2023).
Algumas iniciativas promissoras incluem o desenvolvimento de ferramentas de relatório específicas para violência de gênero e a criação de canais de comunicação direta entre mulheres políticas e equipes de moderação. No entanto, a literatura sugere que essas iniciativas ainda são insuficientes e inconsistentemente implementadas.
A resposta de políticas públicas à desinformação de gênero ainda está em seus estágios iniciais, com poucos países desenvolvendo marcos regulatórios específicos. Os estudos espanhóis documentam algumas das iniciativas mais avançadas nesta área, incluindo protocolos específicos para proteção de mulheres políticas e programas de educação digital (Carrillo Pérez; Iranzo-Cabrera, 2024; Morales Romo, 2024).
O relatório NDI de Brechenmacher e Hubbard (2020) identificam várias recomendações de política, incluindo a necessidade de legislação específica sobre violência política de gênero online, financiamento para programas de apoio a vítimas e desenvolvimento de capacidades institucionais para monitoramento e resposta (Brechenmacher; Hubbard, 2020).
DISCUSSÃO DAS LACUNAS NA LITERATURA
Lacunas Metodológicas
Uma das limitações mais significativas da literatura levantada neste trabalho é a predominância de estudos qualitativos e de caso, com poucos estudos quantitativos em larga escala que permitam generalizações estatísticas robustas. A natureza emergente do fenômeno e as dificuldades éticas e práticas de conduzir pesquisas sobre desinformação de gênero contribuem para essa limitação.
A literatura carece de estudos longitudinais que acompanhem os impactos da desinformação de gênero ao longo do tempo. A maioria dos estudos disponíveis oferece "instantâneos" de situações específicas, sem acompanhar as consequências de longo prazo para as vítimas ou os impactos sistêmicos na participação política feminina.
Poucos estudos conseguem estabelecer relações causais claras entre exposição à desinformação de gênero e mudanças na participação política. Embora muitos estudos documentem correlações e ofereçam evidências qualitativas convincentes, a falta de desenhos experimentais ou quase-experimentais limita a capacidade de fazer afirmações causais definitivas.
A literatura enfrenta desafios significativos na mensuração tanto da exposição à desinformação de gênero quanto de seus impactos. A natureza complexa do fenômeno, combinada com sua rápida evolução, torna difícil o desenvolvimento de instrumentos de mensuração padronizados e validados.
Lacunas Geográficas
A distribuição geográfica da literatura mostra desequilíbrios significativos, com sobre-representação de estudos de certas regiões e sub-representação de outras. Embora alguns estudos excelentes tenham sido conduzidos em países africanos e latino-americanos, a literatura ainda é dominada por perspectivas do Norte Global. Isso é particularmente problemático dado que muitos países do Sul Global enfrentam desafios únicos relacionados à desinformação de gênero, incluindo menor regulamentação de plataformas digitais e recursos limitados para resposta.
A literatura carece de estudos comparativos que examinem como diferentes contextos culturais, políticos e tecnológicos influenciam os padrões de desinformação de gênero. Tais estudos seriam valiosos para identificar fatores universais versus específicos do contexto.
Lacunas Conceituais
Embora a literatura tenha feito progressos significativos na descrição e categorização da desinformação de gênero, os estudos analisados nessa pesquisa mostram que ainda carece de frameworks teóricos robustos que integrem insights de diferentes disciplinas. A natureza interdisciplinar do fenômeno da desinformação de gênero requer abordagens que combinem insights de estudos de gênero, ciência política, comunicação, psicologia e estudos de tecnologia. Essas abordagens combinadas não foram encontradas na literatura.
A literatura ainda enfrenta desafios na definição consistente de termos-chave, incluindo "desinformação de gênero", "violência política online" e "participação política". Essas inconsistências dificultam a comparação entre estudos e a construção de conhecimento cumulativo.
Lacunas Empíricas
Uma das lacunas mais significativas é a falta de quantificação rigorosa dos impactos da desinformação de gênero. Embora muitos estudos documentem impactos qualitativos, poucos oferecem estimativas quantitativas de, por exemplo, quantas mulheres desistem de candidaturas devido a ataques online ou qual é o custo econômico desses impactos.
A literatura documenta várias estratégias de enfrentamento, mas oferece poucas avaliações rigorosas de sua eficácia. Isso limita a capacidade de fazer recomendações baseadas em evidências para mulheres políticas, organizações e formuladores de políticas.
Há uma falta significativa de pesquisas sobre os impactos de longo prazo da desinformação de gênero, tanto para vítimas individuais quanto para sistemas políticos. Questões sobre como esses ataques afetam carreiras políticas ao longo do tempo, saúde mental de longo prazo e confiança democrática permanecem largamente inexploradas.
IMPLICAÇÕES E RECOMENDAÇÕES
Para Pesquisadores
A literatura atual sugere várias direções promissoras para pesquisas futuras. Primeiro, há uma necessidade urgente de estudos longitudinais que acompanhem mulheres políticas ao longo do tempo, documentando tanto a exposição à desinformação de gênero quanto seus impactos de longo prazo. Tais estudos poderiam utilizar desenhos de coorte ou painéis para rastrear mudanças na participação política, saúde mental e bem-estar.
Segundo, pesquisadores deveriam priorizar o desenvolvimento de instrumentos de mensuração padronizados para desinformação de gênero. Isso incluiria escalas para medir exposição, impacto e resiliência, que poderiam ser utilizadas em diferentes contextos culturais e linguísticos. O desenvolvimento de tais instrumentos requereria colaboração interdisciplinar e validação cross-cultural.
Terceiro, há uma necessidade de mais pesquisas experimentais e quase-experimentais que possam estabelecer
relações causais. Isso poderia incluir experimentos de survey que testem os efeitos de diferentes tipos de desinformação de gênero na intenção de participação política, ou estudos quase-experimentais que aproveitem variações naturais na exposição.
Pesquisadores deveriam explorar abordagens metodológicas inovadoras que aproveitem as affordances das tecnologias digitais. Isso poderia incluir análise de big data de plataformas sociais, técnicas de processamento de linguagem natural para identificar padrões de desinformação de gênero, e métodos de etnografia digital para entender experiências vividas.
Métodos participativos que envolvam mulheres políticas como co-pesquisadoras também são promissores, tanto para razões éticas quanto para a qualidade da pesquisa. Tais abordagens podem ajudar a garantir que a pesquisa seja relevante para as necessidades das mulheres afetadas e que os achados sejam traduzidos em ação.
Para Formuladores de Políticas Públicas
Os formuladores de políticas precisam desenvolver marcos regulatórios específicos que abordem a desinformação de gênero como uma forma distinta de violência política. Isso deveria incluir definições legais claras, penalidades apropriadas e mecanismos de enforcement eficazes. Tais marcos deveriam ser desenvolvidos em consulta com mulheres políticas, especialistas em gênero e organizações da sociedade civil.
Governos deveriam estabelecer programas específicos de apoio para mulheres políticas que enfrentam desinformação de gênero. Isso poderia incluir serviços de aconselhamento, suporte legal, assistência técnica para segurança digital e, em casos extremos, proteção física. Tais programas deveriam ser
adequadamente financiados e acessíveis a mulheres em todos os níveis de governo.
Políticas públicas deveriam incluir componentes educacionais que abordem tanto a prevenção quanto a resposta à desinformação de gênero. Isso poderia incluir programas de literacia digital específicos para mulheres políticas, campanhas de conscientização pública sobre os impactos da desinformação de gênero e educação cívica que promova normas democráticas inclusivas.
Para Plataformas Digitais
As plataformas digitais têm uma responsabilidade fundamental no enfrentamento da desinformação de gênero. Isso inclui o desenvolvimento de políticas mais sofisticadas que reconheçam as nuances da violência de gênero online, investimento em tecnologias de detecção que possam identificar padrões sutis de desinformação de gênero e criação de canais de comunicação direta com mulheres políticas.
As plataformas também deveriam investir em moderação de conteúdo culturalmente sensível, incluindo moderadores que falem línguas locais e entendam contextos culturais específicos. Isso é particularmente importante para proteger mulheres rurais e de comunidades marginalizadas que frequentemente enfrentam ataques em línguas não-dominantes.
As plataformas deveriam ser mais transparentes sobre suas políticas e práticas relacionadas à desinformação de gênero. Isso inclui relatórios regulares sobre a prevalência desses ataques, eficácia das medidas de enforcement e investimentos em prevenção. Tal transparência é essencial para a prestação de contas pública e para permitir que pesquisadores e ativistas monitorem o progresso.
Para Organizações da Sociedade Civil
Organizações da sociedade civil desempenham um papel relevante no apoio a mulheres políticas que enfrentam desinformação de gênero. Isso inclui o desenvolvimento de redes de apoio, provisão de treinamento em segurança digital e advocacy por mudanças de política. Organizações deveriam também trabalhar para documentar e expor padrões de desinformação de gênero, contribuindo para o desenvolvimento de evidências.
O enfrentamento eficaz da desinformação de gênero requer coalizões amplas que incluam organizações de mulheres, grupos de direitos humanos, organizações de mídia e tecnologia, e instituições acadêmicas. Tais coalizões podem amplificar vozes, compartilhar recursos e coordenar respostas mais eficazes.
CONCLUSÕES
Esta revisão narrativa da literatura sobre desinformação de gênero e participação política feminina no serviço público revela um fenômeno complexo que representa uma ameaça significativa à democracia inclusiva. A análise de 163 estudos dos últimos 10 anos demonstra que a desinformação de gênero opera através de múltiplos mecanismos – incluindo assédio coordenado, assassinato de caráter, manipulação tecnológica e amplificação algorítmica – para criar barreiras sistêmicas à participação política das mulheres.
Os achados revelam que os impactos da desinformação de gênero se estendem muito além das vítimas diretas, criando efeitos inibitórios que desencorajam outras mulheres de buscar participação política. Esses impactos são particularmente severos para mulheres rurais, não-elites e aquelas que pertencem a múltiplos grupos marginalizados, revelando a natureza interseccional desses ataques.
Embora a literatura documente várias estratégias de enfrentamento e resiliência, incluindo iniciativas individuais e coletivas, o papel das plataformas digitais e políticas públicas emergentes, essas respostas ainda são insuficientes para enfrentar a escala e sofisticação crescente dos ataques. A análise também revela lacunas significativas na literatura, incluindo a falta de estudos longitudinais, limitações no estabelecimento de causalidade e sub-representação de certas regiões geográficas.
As implicações destes achados são profundas para a qualidade da democracia contemporânea. Quando a desinformação de gênero efetivamente "expulsa" mulheres da política ou as força à autocensura, o resultado é uma sub-representação feminina que compromete a legitimidade democrática e a capacidade dos sistemas políticos de responder às necessidades de toda a população.
Esta revisão contribui para o campo ao fornecer a primeira síntese abrangente da literatura sobre este fenômeno emergente, oferecendo um mapeamento das evidências disponíveis e identificando direções críticas para pesquisas futuras. Os achados sublinham a urgência de respostas coordenadas que envolvam pesquisadores, formuladores de políticas, plataformas digitais e organizações da sociedade civil.
O enfrentamento eficaz da desinformação de gênero requer reconhecimento de que este não é apenas um problema "das mulheres", mas uma ameaça fundamental aos valores democráticos de igualdade, inclusão e representação justa. À medida que as tecnologias digitais continuam a avançar e novas formas de manipulação emergem, a necessidade de vigilância, pesquisa e ação coordenada apenas se intensificará.
A literatura atual fornece uma base sólida para entender este fenômeno, mas muito trabalho ainda precisa ser feito. Pesquisas futuras devem priorizar estudos longitudinais, desenvolvimento de instrumentos de mensuração padronizados e avaliações rigorosas de estratégias de enfrentamento. Formuladores de políticas devem desenvolver marcos regulatórios específicos e programas de apoio adequadamente financiados. Plataformas digitais devem assumir maior responsabilidade através de políticas mais sofisticadas e maior transparência. E organizações da sociedade civil devem continuar construindo redes de apoio e advocacy por mudanças sistêmicas.
Somente através de esforços coordenados e sustentados será possível criar ambientes digitais e políticos onde todas as mulheres possam participar plenamente da vida democrática, livres de intimidação e violência. A democracia do século XXI depende de nossa capacidade coletiva de enfrentar este desafio com a urgência e seriedade que ele merece.
REFERÊNCIAS
AKSHAYA, M.; BINUSHMA, B. A study on Tackling Online Abuse and Disinformation Targeting Women in Politics in Tamil Nadu.
International Journal of Law and Social Issues, v. 6, n. 4, p. 1161-1185, 2024. Disponível em: https://ijlsi.com/wp-content/uploads/A-Study-on-Tackling-on-Online-Abuse-and-Disinformation-Targeting-Women-in-Politics-in-Tamil-Nadu.pdf. Acesso em: 30 ago. 2025.
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