DOI: 10.33467/conci.v8i.23435  
DOSSIÊ  
ConCI: Conv. Ciênc. Inform. v. 8, n. especial, p. 01-29, 2025  
Histórias, destaques e desafios: representatividade de  
mulheres na ciência  
Stories, highlights and challenges: representation of  
women in science  
Historias, hitos y retos: la representación de las mujeres en  
la ciência  
Rita Rodrigues de SOUZA1  
Maria Aparecida Rodrigues de SOUZA2  
Helena Heloíse Ferreira RUA3  
Correspondência  
Rita Rodrigues de Souza  
E-mail: rita.souza@ifg.edu.br  
Submetido em: 02/08/2025  
Aceito em: 08/12/2025  
Publicado em: 30/12/2025  
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Doutora em Linguística (Unesp), Instituto Federal de Goiás, Câmpus Jataí.  
Doutora em Educação (USC), Instituto Federal de Goiás, Câmpus Inhumas.  
Bolsista PIBIC-EM/CNPq/IFG, Instituto Federal de Goiás Câmpus Jataí.  
     
DOI: 10.33467/conci.v8i.23435  
DOSSIÊ  
ConCI: Conv. Ciênc. Inform., v. 8, n. especial, p. 01-29, 2025  
RESUMO  
A pesquisa consistiu no mapeamento de mulheres cientistas  
brasileiras para a percepção da representatividade feminina nas  
áreas de conhecimento, no registro de indícios de história de vida  
dessas mulheres e na discussão do papel que a mulher tem  
assumido no desenvolvimento da Ciência no Brasil. A pesquisa foi  
realizada por meio da leitura e análise de notícias publicadas na  
seção Mulheres Cientistas do Jornal da Ciência, publicação online,  
bem como a revisão de literatura sobre a presença da mulher no  
campo científico. O recorte temporal para a realização da coleta de  
dados foi de 2019 a 2023. Os dados foram analisados de modo  
quantitativo e qualitativo a partir de categorias (raça, área de  
conhecimento e destaques). Pretendeu-se, com isso, uma  
compreensão e discussão de diferentes trajetórias de mulheres no  
mundo da Ciência. Como resultados, verificou-se que embora tenha  
havido um movimento ascendente em relação a destaques  
femininos, na área científica brasileira, ainda permanecem desafios  
como machismo e racismo, principalmente, em áreas que possuem  
predominância masculina como nas Engenharias e nas Ciências  
Exatas. A pesquisa mostra tanto os avanços como também as  
barreiras que, contudo, precisam ser superadas.  
Palavras-chave: áreas de estudo, desafios da mudança, gênero  
ABSTRACT  
The research consisted of mapping Brazilian women scientists in  
order to get a sense of female representation in areas of knowledge,  
recording evidence of their life histories and discussing the role  
women have played in the development of science in Brazil. The  
research was carried out by reading and analyzing news published in  
the Women Scientists section of Jornal da Ciência, an online  
publication, as well as reviewing the literature on the presence of  
women in the scientific field. The time frame for data collection was  
2019 to 2023. The data was analyzed quantitatively and qualitatively  
based on categories (race, area of knowledge and highlights). The  
aim was to understand and discuss the different trajectories of women  
in the world of science. The results showed that although there has  
been a great deal of progress in the number of women in the Brazilian  
scientific field, there are still challenges such as sexism and racism,  
especially in areas where men predominate, such as engineering and  
the exact sciences. The research shows both progress and barriers  
that need to be overcome.  
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Keywords: areas of study; challenges of change; gender.  
RESUMEN  
La investigación consistió en mapear a las científicas brasileñas para  
tener una idea de la representación femenina en las áreas del  
conocimiento, registrar testimonios de sus historias de vida y discutir  
el papel que las mujeres han desempeñado en el desarrollo de la  
ciencia en Brasil. La investigación se llevó a cabo mediante la lectura  
y el análisis de las noticias publicadas en la sección Mujeres  
Científicas del Jornal da Ciência, una publicación en línea, así como  
la revisión de la literatura sobre la presencia de las mujeres en el  
ámbito científico. El marco temporal para la recogida de datos fue de  
2019 a 2023. Los datos fueron analizados cuantitativa y  
cualitativamente con base en categorías (raza, área de conocimiento  
y destaques). El objetivo era comprender y debatir las diferentes  
trayectorias de las mujeres en el mundo de la ciencia. Los resultados  
mostraron que, aunque haya habido un gran avance en el número de  
mujeres en el campo científico brasileño, todavía existen desafíos  
como el sexismo y el racismo, especialmente en áreas donde  
predominan los hombres, como la ingeniería y las ciencias exactas.  
La investigación muestra tanto avances como barreras que deben  
superarse.  
Palabras clave: áreas de estúdio; género; retos del cambio.  
RÉSUMÉ  
La recherche consistait à recenser les femmes scientifiques  
brésiliennes afin d'avoir une idée de la représentation féminine dans  
les domaines du savoir, à consigner des témoignages sur leur  
parcours de vie et à discuter du rôle que les femmes ont joué dans le  
développement de la science au Brésil. La recherche a été menée en  
lisant et en analysant les articles publiés dans la rubrique « Femmes  
scientifiques » du Jornal da Ciência, une publication en ligne, ainsi  
qu'en passant en revue la littérature sur la présence des femmes  
dans le domaine scientifique. La collecte des données s'est déroulée  
entre 2019 et 2023. Les données ont été analysées de manière  
quantitative et qualitative en fonction de différentes catégories  
(origine ethnique, domaine de connaissance et faits marquants).  
L'objectif était de comprendre et de discuter les différentes  
trajectoires des femmes dans le monde scientifique. Les résultats ont  
montré que, malgré les progrès considérables réalisés en termes de  
nombre de femmes dans le domaine scientifique brésilien, il existe  
encore des défis à relever, tels que le sexisme et le racisme, en  
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particulier dans les domaines où les hommes prédominent, comme  
l'ingénierie et les sciences exactes. La recherche montre à la fois les  
progrès réalisés et les obstacles à surmonter.  
Mots-clés : domaines d'étude; défis du changement; genre.  
1 INTRODUÇÃO  
“A grande questão que se coloca é fazer ciência e ser mulher é um  
desafio ainda real”.  
(Maria Zaira Turchi em Rocha, 2019a)  
O Instituto Federal de Goiás (IFG) é uma instituição  
reconhecida socialmente pelo trabalho de formação de profissionais  
em eixos científicos e tecnológicos diversificados. Esse  
reconhecimento também se estende pela atuação de respeito à  
ampliação da participação das minorias excluídas de modo a  
combater as desigualdades sociais. Assim, a pesquisa "Histórias,  
destaques e desafios: representatividade de mulheres na Ciência",  
realizada no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação  
Científica do IFG, vem ao encontro da missão institucional de uma  
educação emancipadora e de qualidade para todas as pessoas.  
Entendemos, como Almeida (2006, p. 106), que o retorno ao desejo  
de uma educação fundamentada no lema ordem e progresso é  
refutada e trabalhamos por uma educação “para a paz num mundo  
permanentemente em conflito, capaz de recriar a esperança e ser a  
reconstrutora de uma utopia possível, sonhada desde os tempos  
republicanos: a educação como direito de todos.  
O problema que se propôs discutir na pesquisa foi a  
presença/ausência da mulher na arena científica. Segundo Almeida  
(2006, p. 94-95), as décadas finais do século XX têm uma sociedade  
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marcada por bases cognitivas que buscam eliminar a dicotomia  
homem e mulher em termos de atributos que os determinam: “forte e  
fraco, domínio e submissão, mando e obediência, racional e  
emocional. Porém ainda persistiram os determinismos de classe  
erigidos na sociedade capitalista, reforçados pela onda  
globalizadora”. Mesmo após mais de duas décadas do século XXI,  
as palavras de Almeida (2006) expressam uma continuidade nas  
tentativas de mudança.  
Os determinismos de classe revelaram um poder e uma  
obscuridade disfarçada de meritocracia, indicando quem poderia  
ocupar determinados espaços nos diversos setores da sociedade.  
Assim, a problemática da presença/ausência da mulher na Ciência  
precisa ser constantemente trazida à tona no espaço escolar na  
pesquisa, no ensino ou na extensão para que se avance na  
compreensão das desigualdades e, a partir disso, sejam realizadas  
ações concretas capazes de gerar mudanças. E que essas sejam  
compreendidas como fruto de um processo de conscientização, e  
não de concessão, pois, é lícito pensar que: “Sem os vários  
movimentos das mulheres, sem a resistência de alguns e o desafio  
que lançaram à sociedade, tais resultados demorariam muito mais  
para serem implantados” (Almeida, 2006, p. 96).  
A pesquisa científica constituiu-se como uma ferramenta de  
transformação para subsidiar lutas, resistências e mudanças sociais  
e culturais. Os potenciais resultados da investigação, por Santos  
(2022), Silva e Ribeiro (2014), puderam alicerçar discussões já em  
andamento sobre a temática e oportunizaram às/aos jovens do  
ensino médio o contato com dados e perspectivas sobre a relação  
entre Ciência, raça e (H)história, capazes de promover mudanças de  
pensamento e atitudes, tanto em âmbito pessoal quanto social, no  
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que diz respeito à atuação da mulher na Ciência, especialmente no  
contexto brasileiro.  
A investigação sobre a atuação da mulher, no campo da  
Ciência, via textos informativos de cunho jornalístico, articula-se em  
todas as áreas dos cursos técnicos integrados ao ensino médio do  
IFG. Essa temática é inerente à uma formação omnilateral, princípio  
basilar do currículo integrado. Assim, buscou-se responder à  
seguinte pergunta de pesquisa: A partir de notícias de divulgação  
científica, como a mulher cientista brasileira se configura na Ciência?  
Tal questionamento trouxe respostas que indicaram lacunas  
históricas e sociais na presença feminina em algumas áreas do  
conhecimento.  
Reyes (2022) argumenta que a recuperação das contribuições  
científicas proporcionadas por mulheres, invisibilizadas ou negadas,  
e as condições históricas de acesso ao conhecimento e às  
instituições de pesquisa, fazem visíveis as limitações e barreiras  
impostas às mulheres, e que ainda persistem em diferentes  
situações. Nessa linha de pensamento, a pesquisa realizada se  
reveste de mais relevância.  
A pesquisa, de modo geral, objetivou compreender a presença  
da mulher brasileira no campo da ciência via mídia de divulgação  
científica. Como objetivos específicos, visou mapear notícias de  
divulgação científica que retratam a mulher brasileira na Ciência;  
analisar notícias de divulgação científica observando a  
representatividade de raça e áreas de conhecimento de atuação das  
mulheres cientistas; destacar aspectos da história de vida das  
mulheres cientistas; realizar estudo e análise bibliográfico sobre a  
atuação da mulher na Ciência no Brasil.  
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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA  
As experiências e realizações das mulheres, ao longo da  
História, foram interpretadas pela ótica do binarismo homem/público  
x mulher/privado, em que houve a valorização social das atividades  
desenvolvidas  
pelo  
polo  
caracterizado  
como  
masculino.  
Consequentemente, se desvalorizaram as atividades associadas ao  
feminino. Esse equívoco interpretativo, intencional, precisa, ainda no  
século XXI, ser desfeito. A mudança está em curso e necessita ser  
intensificada para que a História das mulheres seja escrita e  
interpretada sob outra perspectiva: a da equidade, contrariando a  
situação até então posta. Educar-se e adquirir conhecimento torna-  
se, para as mulheres, uma estratégia essencial para superar as  
limitações do lar e afirmar-se no espaço público (Almeida, 2006).  
Na interpretação da História das mulheres campo do  
conhecimento ancorado nas experiências e realizações que se  
iniciaram no espaço privado e, muitas vezes, alcançaram as  
fronteiras do espaço público, chegando a transpô-las , foi possível  
trazer à tona um encadeamento de fatos que se transparecem nas  
relações de gênero, as quais, por sua vez, edificaram e alicerçaram  
as relações de poder entre os sexos. No entanto, esse poder  
mostrou-se passível de confrontação e os modelos de resistência  
acompanharam a inculcação ideológica dos diversos setores sociais  
que buscaram “justificar os mecanismos de submissão de um sexo  
ao outro, sendo o sexo feminino sujeito a um sistema de  
desigualdades” (Almeida, 2006, p. 99).  
A inserção, atuação e permanência da mulher na profissão  
científica demandam uma compreensão sócio-histórica da condição  
feminina na sociedade e de como o masculino/público dominou  
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certos campos de trabalho, ocupando espaços de comando e  
atuação socialmente valorizados. Para Silva e Ribeiro (2014, p. 459),  
ser cientista apresenta especificidades de uma profissão  
caracterizada como moderna que exige o cumprimento de aspectos  
“básicos para pertencer à comunidade científica. Tal cultura esteve  
centrada em valores masculinos que se impuseram, em certa  
medida, como obstáculos para a efetiva participação das mulheres  
na ciência”.  
Considerando Silva e Ribeiro (2014), a presença de mulheres  
em agências de fomento à pesquisa, como o Conselho Nacional de  
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) seja em cargos  
de direção ou sendo contempladas com o recebimento de bolsas de  
produtividade em pesquisa (PQ) constituiu uma mudança  
necessária. A cultura masculina, presente na profissão científica,  
revelou a consolidação de práticas naturalizadas de “permissões”  
para a atuação da mulher. Assim,  
foi preciso problematizar o pressuposto de que a ciência  
era neutra com relação às questões de gênero, revelando  
que os valores e as características socialmente atribuídos  
às mulheres eram desvalorizados na produção do  
conhecimento,  
e
que  
desigualdades  
de  
gênero  
perpassaram o campo científico, por exemplo, no que se  
referia à sub-representação feminina em determinadas  
áreas da ciência, à ocupação de cargos de direção e ao  
recebimento de bolsas PQ do CNPq, entre outros aspectos  
(Silva; Ribeiro, 2014, p. 464).  
A inferioridade do sexo feminino foi construída sob os  
alicerces das diferenças físicas e psíquicas entre homens e  
mulheres, nas relações simbólicas entre os sexos. Essa construção,  
presente no Brasil e em outros países, marcou paradoxos estruturais  
na esfera socioeconômica, favorecendo a desigualdade e a  
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discriminação. “Os desafios enfrentados por pesquisadoras  
sobressaem em uma vida profissional, tendo de mostrar competência  
a mais para comprovar determinada posição sob influências  
biológicas e sociais”, argumenta Almeida (2022, p. 3). Infere-se de  
Almeida (2006) que é salutar, entretanto, a evidência de que ao negar  
às mulheres o status de protagonistas da história e da produção  
significa naturalizar a retirada de metade da sociedade dos centros  
de poder.  
Urge, dessa maneira, enfrentar um grande desafio: a  
reorganização e a recolocação da mulher em lugares centrais que  
transcendem o papel de cuidadora (da casa, da família, dos filhos, da  
comida…). “Sabemos da importância do trabalho do cuidado que,  
embora não reconhecido no mundo capitalista, sem ele os outros  
trabalhos considerados nobres não existiriam ou nem  
funcionariam” (Santos, 2022, p. 216).  
Vale ressaltar, também, que os campos da Ciência, da  
Tecnologia e da Inovação são fundamentais para impulsionar o  
progresso social e econômico dos países e ocupam posição  
estratégica na geopolítica global, pois se articulam de forma decisiva  
com a afirmação de soberania e de democracia. Assim, reforça-se a  
necessidade de equidade de gênero na área da Ciência, conforme  
Oliveira (2019).  
3 MATERIAIS E MÉTODOS  
Em síntese, a metodologia, para o desenvolvimento da  
pesquisa, fundamentou-se na pesquisa qualitativo-quantitativa, de  
acordo com Marques et al. (2014) e Minayo (2007). “A desconstrução  
de preconceitos, por mais clichê (e cansativo) que seja, é o incentivo  
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e parte de um caminho que resulta na melhoria do espaço feminino”  
(Almeida, 2022), a pesquisa pautada em metodologia quali-  
quantitativa pode contribuir nessa desconstrução.  
Para a análise dos dados, foi empregada a análise de  
conteúdo conforme Bardin (2016). Por meio da pesquisa qualitativo-  
quantitativa, descreve-se ou analisa-se a qualidade, a natureza ou a  
propriedade de algo, em contraste com a quantidade. “A pesquisa  
qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se preocupa,  
nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser  
quantificado”, segundo Minayo (2007, p. 21). Enquanto cientistas  
sociais que trabalham com estatística apreendem dos fenômenos  
apenas a região "visível, ecológica, morfológica e concreta", a  
abordagem qualitativa aprofunda-se no mundo dos significados das  
ações e relações humanas, um lado não perceptível e não captável  
em equações, médias e estatísticas (Minayo, 2007, p. 22).  
A análise de conteúdo consistiu em “um conjunto de  
instrumentos metodológicos cada vez mais sutis em constante  
aperfeiçoamento, que se aplicam a ‘discursos’ [...] extremamente  
diversificados” (Bardin, 2016, p. 15). A atividade de pesquisa foi  
guiada pela exploração atenta do conteúdo de cada texto que  
compôs o corpus. As três fases descritas por Bardin (2016), a pré-  
análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados e  
interpretação, possuem características e objetivos próprios, mas se  
articulam entre si, estabelecendo relações de coerência e  
interdependência. Cada fase é composta por etapas que sustentam  
seu desenvolvimento e, ao mesmo tempo, constituem o fio condutor  
que organiza todo o processo.  
Em relação às fases e a pesquisa realizada, a organização da  
coleta e análise de dados ficou configurada da seguinte maneira:  
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a) pré-análise - realização de leitura flutuante do site Jornal da  
Ciência, navegando nos links disponibilizados, nos títulos das  
notícias;  
b) exploração do material - seleção dos textos em conformidade  
com a temática da pesquisa - História, destaque e desafios. Os  
textos que repetiam o tema ou não tinham aderência à temática  
foram excluídos;  
c) tratamento dos resultados e interpretação - Os textos foram  
analisados e segmentados de acordo com as categorias  
temáticas: H-istória; 1D-estaque e 2D-esafios. Para a  
interpretação, os fragmentos foram organizados em blocos  
temáticos, possibilitando a produção de gráficos, quadros,  
tabela e descrição.  
No que tange aos objetivos, caracterizou-se como pesquisa  
de levantamento, pois, a partir da leitura de notícias, com critérios  
pré-estabelecidos,  
organizaram-se  
registros  
sobre  
a
representatividade, área de conhecimento e destaques atinentes às  
mulheres cientistas brasileiras.  
Em relação à participação dos/as pesquisadores/as, tratou-se  
de pesquisa empírico-analítica. Esses mantiveram distância  
estratégica do objeto de pesquisa, principalmente por se tratar de  
uma pesquisa com coleta de dados a partir de textos disponíveis  
gratuitamente na internet no site do Jornal da Ciência (SBPC, 2025).  
No que se refere à coleta de dados, tratou-se de uma pesquisa  
bibliográfica, com coleta de dados secundários, mediante consulta  
em textos teóricos e notícias online. Entretanto, esforços foram  
empreendidos para selecionar o maior número possível de dados no  
período de 2019 a 2023, devidamente referenciados e descritos.  
A organização metodológica apresentada possibilitou realizar  
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as seguintes fases de execução da pesquisa: leitura de textos  
teóricos; leitura de notícias do Jornal da Ciência; debate, com a  
orientadora, sobre os textos lidos; resumo e fichamento de textos;  
mapeamento das atividades de pesquisa das mulheres cientistas  
brasileiras; construção de planilhas, gráficos e elaboração de  
análises dos dados encontrados.  
4 APRESENTAÇÃO DO JORNAL DA CIÊNCIA  
O Jornal da Ciência foi criado em julho de 1985, durante a 37ª  
Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência  
(SBPC), realizada em Belo Horizonte, com o objetivo de promover a  
divulgação e o debate sobre ciência e tecnologia. Esse jornal é  
focado na divulgação de fatos científicos de autoria brasileira  
buscando dar visibilidade às produções acadêmicas nacionais  
(SBPC, 2025). No quesito de representatividade, o Jornal da Ciência  
inovou com a criação de uma seção dedicada às mulheres cientistas,  
com o intuito de visibilizar a história de cada uma e suas produções  
científicas. Essa iniciativa é bastante positiva uma vez que reafirma  
sobre as mulheres terem a mesma capacidade que os homens em  
referência à produção científica. Essa visibilidade das mulheres  
cientistas contribui para a quebra de estereótipos e barreiras  
históricas que balizam o acesso das mulheres a lugares de destaque  
na ciência.  
O Jornal da Ciência abrange seções como: 'Mulheres  
Cientistas', permitindo ao leitor enviar sua opinião. Essa sessão é  
constantemente atualizada, com novas notícias publicadas  
diariamente. Sua primeira matéria foi divulgada em 2014, abordando  
uma pesquisa relacionada à hipertensão. Não é possível definir um  
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número exato de sessões, pois elas aumentam conforme novas  
notícias são adicionadas todos os dias. Como as notícias são diárias,  
para esse estudo definiu-se a análise das matérias publicadas no  
período de 2019 a 2023, por dispormos de um ano somente para a  
realização desta pesquisa.  
5 CIENTISTAS NO JORNAL DA CIÊNCIA: MAPEAMENTO DE  
TEXTOS  
Entre 2019 e 2023, foram catalogadas ao todo 223 notícias,  
sendo 18 publicadas em 2019, 33 em 2020, 36 em 2021, 65 em 2022  
e 71 em 2023. Nesse conjunto de notícias, foram identificadas 64  
mulheres mencionadas ou destacadas. Segue Gráfico 1 com a  
representação do quantitativo de notícias analisadas:  
Gráfico 1 - Número de notícias analisadas  
Fonte: Elaborado pelas autoras.  
A primeira notícia analisada data de 30 de janeiro de 2019, com  
o título: SBPC realiza seminário sobre Mulheres e Meninas na  
Ciência. Esse seminário é emblemático, pois foi realizado em 11 de  
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fevereiro, data em que se comemora o Dia Internacional de Mulheres  
e Meninas na Ciência. A SBPC, na ocasião desse seminário, lançou  
o prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher” como “uma homenagem  
da SBPC às cientistas e futuras cientistas brasileiras de destaque,  
que leva o nome de sua primeira presidente mulher” (SBPC, 2019,  
s/p). Também homenageou, em sessão especial,  
Mulheres e meninas cientistas com a apresentação do selo  
dos Correios, lançado em dezembro de 2018, em  
homenagem à cientista brasileira Johanna Döbereiner,  
indicada ao Nobel de Química em 1997 por seu trabalho  
com fixação biológica do nitrogênio e notável pelos estudos  
que impulsionaram a produção de soja no País (SBPC,  
2019).  
Ressalta-se que a realização do seminário na data de 11 de  
fevereiro está fundamentada na ainda reduzida representatividade  
feminina no campo científico, dado que, globalmente, menos de 30%  
dos cientistas são mulheres (SBPC, 2019). Neste contexto, e no  
âmbito das comemorações dos 70 anos de existência, a SBPC —  
instituição que já contou com três presidentas e cuja atual diretoria é  
majoritariamente composta por mulheres reconhece como parte  
significativa de sua trajetória histórica a homenagem às cientistas  
brasileiras.  
Tal gesto também visa fomentar o interesse das meninas pela  
ciência, valorizando o protagonismo feminino nos esforços e  
conquistas que consolidaram a SBPC como a mais relevante  
entidade científica do país (SBPC, 2019). A análise das áreas de  
conhecimento descritas nas reportagens catalogadas entre 2019 e  
2023 demonstra que, em geral, essas áreas se dividem em (1)  
Ciências Humanas, (2) Biológicas e Saúde e (3) Engenharias, Exatas  
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e Ciências da Terra. Nos textos analisados, a área que destacou foi  
a das Humanidades, conforme ilustra o Gráfico 2:  
Gráfico 2 - Representação da área de conhecimento  
Fonte: Elaborado pelas autoras.  
O estudo sobre as edições do Jornal da Ciência (Mulheres  
Cientistas) dos anos de 2019 a 2023, dentro das áreas de Ciências  
Humanas e Ciências Exatas, mostrou que algumas áreas se  
destacaram mais, como Engenharias, Exatas e Ciências da Terra;  
Ciências Humanas (incluindo Sociologia, História e Antropologia); e  
Biológicas e Saúde. Essas áreas se destacaram pela recorrência dos  
temas abordados com a presença das mulheres. Também se  
destaca um enfoque interdisciplinar, com matérias que abordam  
ciência, cultura e artes, equidade de gênero e inclusão social.  
5.1 História, destaques e desafios  
Em suma, as notícias foram organizadas em uma planilha,  
analisadas em três categorias: histórias, destaques e desafios de  
acordo com a identificação e agrupamento desses aspectos (Bardin,  
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2016). Com a planilha organizada, procedeu-se a uma leitura  
detalhada dos textos e o destaque de informações que foram usadas  
para a elaboração de uma síntese relacionada a cada ano da série  
histórica (2019-2023), com atenção às fases de análise de conteúdo  
(Bardin, 2016).  
Dentre os principais destaques, podem ser citados: a atuação  
da profa. Vanderlan da Silva Bolzani como vice-presidente da SBPC  
no período de 2017 a 2019, as premiações vinculadas ao êxito  
profissional na área científica no Brasil e no contexto internacional.  
Também, destaca-se a criação do Prêmio Carolina Bori, idealizado  
por Bolzani em 2019, com triplo objetivo: homenagear,  
postumamente, a primeira mulher cientista a ser presidente da SBPC  
e reconhecer o trabalho de mulheres cientistas brasileiras, que tanto  
contribuem para o desenvolvimento científico e tecnológico do país,  
e incentivar meninas a seguirem a carreira de cientista. Segue  
quadro-síntese textual dos dados de cada ano pesquisado:  
Quadro 1 - Síntese: destaques e desafios  
Ano  
Síntese textual de destaques e desafios  
2019  
Vanderlan da Silva Bolzani, professora titular do Instituto de  
Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista e  
membro da coordenação do programa BIOTA-FAPESP até  
2010, foi presidente da Sociedade Brasileira de Química. Aceita  
como membro titular da Academia de Ciências da América Latina  
(Acal). Foi a mais citada em 2019.  
Expressão de destaque: teto de vidro, termo/metáfora utilizada  
para descrever problemas da invisibilidade de mulheres e  
minorias em suas carreiras, sendo científicas ou não.  
Criação do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher, uma  
homenagem da Sociedade Brasileira para o Progresso da  
Ciência (SBPC) às cientistas destacadas e às jovens brasileiras  
com notório talento para uma carreira científica promissora, que  
leva o nome de sua primeira presidente mulher, Carolina  
Martuscelli Bori.  
A morte da socióloga Maria Lúcia Maciel, mais conhecida como  
Luca Maciel (Londres, 1946 - São Paulo, outubro de 2019),  
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ConCI: Conv. Ciênc. Inform., v. 8, n. especial, p. 01-29, 2025  
marcou a perda de uma pesquisadora brasileira na área de  
Sociologia, professora na UFRJ e, anteriormente, na UnB.  
Dedicada ao tema da Ciência, Tecnologia e Inovação, e à  
construção dessas e sua relação com o desenvolvimento, foi  
responsável pela consolidação dessa linha de pesquisa em  
diversas instituições, também estruturando programas de pós-  
graduação naquelas onde foi docente.  
Destaque também para Selma Jerônimo, que foi reconhecida por  
Tarcísio Costa em uma cerimônia, com a Medalha do Mérito  
Governador Dinarte Mariz, concedida pelo Tribunal de Contas do  
RN (TCE/RN). A honraria é entregue anualmente a  
personalidades que contribuem para o desenvolvimento da  
sociedade, mediante realizações no campo cultural, político,  
administrativo e técnico-científico.  
2020  
O 1º Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher para Helena  
Bonciani Nader, biomédica, pesquisadora e professora  
universitária brasileira. Em 2020, a Covid-19 teve um impacto  
marcante, afetando negativamente as atividades de pesquisa.  
Como resultado, 90% dos pesquisadores tiveram suas  
pesquisas impactadas, gerando perda de tempo e recursos.  
Prêmio Almirante Álvaro Alberto para a Ciência e Tecnologia  
2020, na categoria Ciências da Vida. A agraciada é a biomédica  
Helena Bonciani Nader, pela relevante contribuição à ciência e à  
tecnologia do País. O prêmio é considerado a maior honraria  
conferida a um cientista brasileiro.  
O programa “Participação Popular” abordou os desafios das  
mulheres na ciência e a importância do estímulo à curiosidade  
desde a infância para formar futuras cientistas.  
A psicóloga Maria Emília Yamamoto destacou o tema: “O  
comportamento cooperativo sob uma ótica evolucionista”. O  
estudo foi destacado que “crianças, já aos oito meses,  
distinguem o certo do errado”.  
Destaque para a arte com ciência por meio do espetáculo  
"Insubmissas, mulheres na ciência", que enfatiza como as  
mulheres desafiam as normas de uma sociedade machista para  
conquistar um lugar na ciência.  
2021  
Cientistas como Vanderlan da Silva Bolzani e Jaqueline Goes de  
Jesus se destacaram pelo enfrentamento ao racismo estrutural  
e à falta de representatividade de mulheres negras na Ciência.  
Maria Manuela Ligeti Carneiro da Cunha destaca pela defesa dos  
direitos de povos indígenas.  
Fernanda Antônia da Fonseca Sobral foi homenageada e o  
destaque da reportagem e a contribuição de Fernanda para a  
integração entre Ciência e Sociedade.  
Vice-presidente da SBPC, Fernanda Antônia da Fonseca Sobral  
recebeu o título de Professora Emérita da Universidade de  
Brasília (UnB).  
Reconhecimento de Cientistas fora do Brasil em importantes  
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instituições internacionais: ecóloga e professora da Universidade  
de Brasília (UnB), Mercedes Bustamante, entra para a Academia  
Nacional de Ciências (NAS, na sigla em inglês) dos Estados  
Unidos. Bustamante acredita que esse reconhecimento pode  
estimular os jovens, principalmente as meninas e mulheres, para  
a ciência.  
Vanderlan da Silva Bolzani recebe Prêmio Reconhecimento  
Especial na categoria liderança no 1º Concurso de Mulheres em  
Química da América Latina, promovido pela American Chemical  
Society (ACS) y la Federación Latinoamericana de Asociaciones  
Químicas (FLAQ).  
Desafio: "Pauta Moral" da direita trouxe retrocessos, houve a  
tentativa de impor visões conservadoras e tradicionais sobre  
questões de gênero e sexualidade.  
2022  
Vanderlan  
da  
Silva  
Bolzani  
mais  
uma  
vez  
recebeu  
reconhecimento da comunidade científica. A SBPC parabenizou  
a professora Vanderlan por sua conquista e reconhecimento  
internacional, sendo listada entre os 2% de cientistas mais citados  
do mundo.  
Regina Pekelmann Markus recebeu o prêmio "Rise and Raise  
Others".  
Helena Nader, biomédica e pesquisadora brasileira, foi a primeira  
mulher eleita para presidente na Academia Brasileira de Ciências  
(ABC).  
Morte da doutora em educação Lisete Arelaro pedagoga,  
professora, pesquisadora e ativista política.  
Fonte: Elaborado pelas pesquisadoras.  
Da síntese apresentada no Quadro 1, também pode-se  
constatar que as premiações com medalhas e títulos têm sido uma  
prática recorrente de demonstração de reconhecimento do trabalho  
das cientistas brasileiras. Ressalta-se, ainda, que a seção Mulheres  
Cientistas, analisada, configura-se em um espaço de encontro de  
diferentes vozes representativas das áreas de conhecimento e de  
reivindicações coletivas para práticas sociais equitativas de gênero  
que possibilitem à mulher o prosseguimento na área científica.  
No que se refere à participação feminina na produção  
científica, o Brasil apresenta índices superiores aos observados em  
países como Estados Unidos, Alemanha e Japão. No entanto,  
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contrariamente à percepção popular que atribui à constituição da  
família o principal entrave à inserção e permanência das mulheres  
em carreiras científicas e empresariais, os dados e relatos apontam  
a persistência de uma cultura patriarcal como o principal fator  
inibidor.  
Esta cultura impõe barreiras desde os primeiros estágios da  
formação, configurando a trajetória das mulheres na ciência como  
uma verdadeira sucessão de desafios estruturais, que transcendem  
as dificuldades associadas à conciliação entre vida profissional e  
responsabilidades domésticas.  
Essa análise permeou as discussões apresentadas no  
seminário "SBPC e as Mulheres e Meninas na Ciência", realizado em  
São Paulo, no dia 11 de fevereiro, em 2019, conforme relata Rocha  
(2019a). Essa discussão corrobora os argumentos de Almeida (2006)  
de que o legado feminino na História da Ciência é representativo,  
porém, pouco reconhecido em função de uma cultura patriarcal ainda  
vigente nas sociedades ocidentais.  
Das notícias analisadas, depreenderam-se os seguintes  
desafios para a mulher atuar no campo científico: falta de modelo  
feminino na Ciência; superação da pobreza; falta de oportunidade;  
violência de gênero; falta de rede de apoio; falta de reconhecimento;  
misoginia estrutural; falta de política de Estado; estereótipo feminino;  
maternidade como dificuldade para a carreira; dificuldade para  
mulheres cientistas negras; desigualdade de gênero e dificuldade de  
alcançar cargos de liderança. Pela Figura 1, a seguir, os aspectos  
mais desafiadores são a misoginia estrutural (16,7%) e a falta de  
políticas de Estado (11,9 %) da recorrência dessas palavras nos  
textos analisados.  
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Figura 1: Aspectos desafiadores para a atuação feminina na Ciência  
Fonte: Elaboração das autoras.  
O aspecto referente ao estereótipo feminino culturalmente  
consolidado de delicadeza, sentimentalista, de cuidadora aparece  
com destaque. As pesquisadoras reforçam a necessidade de se  
romper com esse estereótipo, dialogando com Santos (2022). A  
história da pesquisadora, Vanderlan da Silva Bolzani, professora  
titular do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista em  
Araraquara e membro do Conselho Superior da Fundação de  
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo apresenta eventos  
semelhantes à trajetória de outras cientistas brasileiras, como:  
conciliar pesquisa e formação de uma família, falta de uma rede de  
apoio, condições de trabalho e outros. Há quatro décadas, atua na  
área de Química de Produtos Naturais. Ao saber que a Sociedade  
Brasileira de Química (SBQ) criou o primeiro prêmio dedicado a  
reconhecer o trabalho de mulheres que se destacam na Química e/ou  
no fortalecimento da SBQ, com o nome dela, afirma:  
Essa premiação é um reconhecimento ao meu trabalho  
acadêmico, e que na verdade é também de meus filhos. Quando  
pequenos, ficaram sem o convívio materno por muitas horas;  
tinha que trabalhar, já que meu marido sofreu AVC isquêmico.  
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Cresceram como todas as crianças normais, alegres e  
irrequietas, fazendo-me crer que entenderam que o amor de  
mãe não podia ser medido por tempo. Hoje compenso com  
meus netinhos Julio e Raul. Agora todo mundo tem creche, mas  
[...] no meu tempo meu marido muito doente, quando eu tinha  
apenas 37 anos, estava começando a carreira como professora  
universitária na Unesp em Araraquara. Com as crianças  
pequenas, às vezes tinha que trazê-las para a universidade  
porque não tinha com quem deixar. Eu não tinha família em  
Araraquara, mas nunca deixei de ser uma mãe presente  
enquanto seguia minha carreira de cientista. O apoio de amigos  
queridos foi importante. Hoje meus filhos são todos bem  
sucedidos, minha filha me deu os netinhos que eu amo de  
paixão. Eles me iluminam e me enchem de felicidade. Precisei  
aprender a conciliar a vida profissional com a familiar. Nunca foi  
uma tarefa simples, mas nada instigante é simples (Rocha,  
2019b).  
Todos os anos, a partir de 2019, a SBPC homenageia às  
cientistas mulheres, alternando a concessão dos prêmios a cientistas  
de destaque e a jovens com notório talento para uma carreira  
científica promissora, estudantes do ensino médio e da graduação.  
Ao todo serão seis premiadas, três de cada nível de ensino, sendo  
uma de cada área do conhecimento: Humanidades; Biológicas e  
Saúde; e Engenharias, Exatas e Ciências da Terra. Segue Tabela 1,  
com as contempladas de 2029 a 2023:  
Tabela 1 - Premiadas Carolina Bori  
Prêmio  
1º  
Indicadas  
Premiadas/Instituição  
Área/Pesquisa  
29  
Helena Bonciani Nader, Biomédica  
professora-titular da  
Universidade Federal  
de São Paulo (EPM-  
Unifesp).  
2º  
286  
Juliana Davoglio  
Estradioto, curso  
técnico em  
Administração do  
Instituto Federal do Rio  
Grande (IFRS)  
Desenvolveu uma  
membrana biodegradável  
a partir da casca de noz  
macadâmia,  
aproveitamento de  
resíduos para  
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biossíntese de celulose  
bacteriana.  
Raquel Soares  
Pesquisou a “Eficácia  
terapêutica de uma  
naftoquinona contra a  
leishmaniose”.  
Bandeira, graduanda  
de Enfermagem da  
Universidade Federal  
de Minas Gerais  
(UFMG).  
3º  
35  
Nilma Lino Gomes,  
professora titular  
emérita da Faculdade  
de Educação da  
Universidade Federal  
de Minas Gerais  
(UFMG);  
Área de Humanidades  
Gulnar Azevedo e  
Área de Biológicas e  
Saúde  
Silva, professora titular  
do Instituto de Medicina  
Social da Universidade  
do Estado do Rio de  
Janeiro (UERJ);  
Beatriz Leonor Silveira  
Barbuy, professora  
Área de Engenharias,  
Exatas e Ciências da  
Terra  
titular do Instituto de  
Astronomia, Geofísica e  
Ciências Atmosféricas  
(IAG) da Universidade  
de São Paulo (USP).  
4º  
446  
Alessandra Stefanello,  
Área de Humanidades.  
graduanda de Letras na “Um outro olhar para a  
Universidade Federal  
de Santa Maria;  
língua: a posse da terra e  
o direito à propriedade  
Projeto “Representações,  
sentidos e valores da  
menina negra na  
literatura infanto-juvenil:  
um estudo a partir do  
livro a cor da ternura de  
Geni Guimarães”.  
Denise Barrozo de  
Paula, graduada de  
Psicologia na  
Universidade Municipal  
de São Caetano do Sul,  
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ConCI: Conv. Ciênc. Inform., v. 8, n. especial, p. 01-29, 2025  
São Paulo;  
Anita de Souza Silva,  
graduada pela  
Universidade Federal  
de Sergipe (UFS);  
Projeto “Diagnóstico da  
Leishmaniose Visceral  
em cães e percepção  
dos tutores de cães e  
gatos sobre a doença”.  
Ariane Leite do  
Projeto “Botânica sempre  
Nascimento, graduanda viva”, foram as  
em Ciências Biológicas  
pela Universidade  
Federal da Bahia  
(UFBA);  
vencedoras na área de  
Biológicas e Saúde.  
Amanda Guimarães  
Melo, graduanda em  
Matemática na  
Área de Engenharias,  
Exatas e Ciências da  
Terra  
Universidade Federal  
do Sergipe (UFS);  
-“Equação de Logística  
Fracionária”  
Sara Lüneburger,  
formada em Química  
pela Universidade  
Federal da Fronteira  
Sul (UFFS),  
“Biodiesel production  
from Hevea Brasiliensis  
seed oil”.  
Fonte: Elaborado pelas pesquisadoras.  
Em relação à representatividade de mulheres negras na  
Ciência, destacaram-se: Jaqueline Goes de Jesus, biomédica; Anna  
Canavarro Benite, química; Sônia Guimarães, física; Sueli Carneiro,  
filósofa; Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, educadora; e, Nilma  
Lino Gomes, educadora. “Essas mulheres têm em comum o  
destaque que obtiveram em suas carreiras nas ciências, todas elas  
reconhecidas e premiadas. E também o fato de serem negras”  
(Rocha, 2022). “ Isso faz muita diferença em um país com o passado  
e o presente racista estrutural como o Brasil, no qual os  
afrodescendentes partem de uma significativa desvantagem em  
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relação aos demais grupos étnicos da população”, declara Rocha  
(2022).  
Enfatiza-se que além das cientistas destacadas na série  
histórica analisada, foram mapeadas 63 nomes de mulheres  
cientistas, as quais, no âmbito deste artigo, as homenageamos com  
um quadro com moldura pontilhada simbolizando a ruptura das  
barreiras que elas venceram e ainda continuam a vencer, também,  
com destaque do primeiro nome em negrito (Quadro 3). São  
mulheres representativas da luta contra o machismo na área da  
pesquisa científica no Brasil.  
Quadro 3 - Mulheres cientistas brasileiras  
Joana D’Arc Felix, Johanna Döbereiner, Carolina Bori, Vanderlan da Silva Bolzani,  
Marcia Cristina Bernardes Barbosa, Adla Martins Teixeira, Helena Nader, Maria Zaira  
Turchi, Francilene Garcia, Regina Pekelmann Markus, Roseli de Deus Lopes, Tatiana  
Gabriela Rappoport, Eva Blay, Lucile Maria Floeter Winter, Giovana Xavier, Marilda de  
Souza Gonçalves, Maria Fabiana Damásio Passos, Julieta Palmeira, Maria Lucia Maciel,  
Selma Jerônimo, Alice Rangel de Paiva Abreu, Fernanda Sobral, Adriana Tonini, Marina  
Trevisan, Fernanda Paulini, Luziene Dantas de Macedo, Zoraide Souza Pessoa, Adryane  
Gorayeb Nogueira Caetano, Ricélia Maria Marinho Sales, Marília Raquel Albornoz Stein,  
Eurides de Souza Santos, Deise Lucy Montardo, Ana Lucia Rossate Ferreira, Geovana  
Mendonça Lunardi Mendes, Hipácia de Alexandria, Bertha Lutz, Rosalind Franklin, Maria  
Emília Yamamoto, Nilma Lino Gomes, Gulnar Azevedo e Silva, Beatriz Leonor Silveira  
Barbuy, Alessandra Stefanello, Denise Barrozo de Paula, Laura Gabriella Muniz da Silva,  
Vanessa Nogueira Matos, Anita de Souza Silva, Ariane Leite do Nascimento, Camila  
Vitória Ferreira Mendes, Carolina Batista Nunes, Amanda Guimarães Melo, Sara  
Lüneburger, Maitá Carvalho Micol, Wadja Feitosa dos Santos Silva, Camily Pereira dos  
Santos, Gabrielly Santos Souza, Amanda Ribeiro Machado, Ana Beatriz Caetano Ribeiro,  
Gabrielly Cardoso Rocha, Anna Canavarro Benite, Sonia Guimarães, Jaqueline Goes de  
Jesus, Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva.  
Fonte: Elaborado pelas pesquisadoras.  
As cientistas representadas no Quadro 3 também simbolizam  
as Carolinas Bori ainda invisibilizadas nas muitas instituições de  
pesquisa Brasil e mundo afora pelo comportamento misógino  
existente. Segundo Reyes (2022), a participação equitativa e  
autorizada das mulheres no processo de construção do  
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conhecimento e no planejamento de uma Ciência dirigida em direção  
ao bem comum ainda continua sendo uma tarefa inacabada.  
6 CONCLUSÃO  
O objetivo deste estudo foi apresentar o site Jornal da Ciência  
e ressaltar sua abordagem original ao dar protagonismo às mulheres  
que impulsionam o progresso do conhecimento científico, com foco  
no cenário brasileiro. Durante a investigação, notamos progressos  
notáveis na representação feminina em posições e áreas científicas.  
Contudo, permanecem obstáculos, como o machismo estrutural  
profundamente arraigado na sociedade brasileira, juntamente com  
outras dificuldades que impedem a total igualdade de gênero na  
comunidade científica. Assim, uma resposta à pergunta: A partir de  
notícias de divulgação científica, como a mulher cientista brasileira  
se configurou na ciência? Emerge da compreensão de que há muitas  
mulheres cientistas brasileiras realizando pesquisas inéditas e de  
ponta, mas sem reconhecimento e sem condições de se realizarem  
pessoal e profissionalmente. E, quando conseguem, é com muita  
concessão em relação à vida social. Os resultados desta pesquisa  
contribuem para subsidiar lutas, resistências, mudanças sociais,  
políticas e culturais a partir do momento que busca visibilizar o  
trabalho de pesquisadoras brasileiras e, a partir dele, sugerir ações  
que possam contribuir para que mais mulheres galguem os lugares  
de destaque na pesquisa.  
Com base nos desafios identificados (racismo estrutural, teto  
de vidro, dessemelhanças de reconhecimento), propõem-se as  
seguintes recomendações para instituições de ensino e pesquisa,  
formuladores de políticas públicas ou para a própria SBPC, visando  
25  
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combater essas desigualdades: a oferta de programas de mentoria,  
incentivo à participação feminina em áreas de baixa  
representatividade; estratégias de visibilidade como homenagens  
públicas; editais de publicação; concessão de maior número bolsas  
de estudo.  
Como limitações do estudo, elencam-se o foco em um único  
jornal para coleta de dados; o período de tempo especificado. Para  
futuras pesquisas, sugere-se a expansão ou aprofundamento dos  
achados como explorar possíveis implicações práticas para linhas de  
pesquisa e políticas institucionais, a criação de materiais educativos  
baseados nas histórias de vida das cientistas destacadas, workshops  
de sensibilização sobre gênero e ciência, ou a colaboração com  
outras iniciativas que promovam a equidade de gênero na ciência,  
em como, realizar estudos comparativos do Jornal da Ciência com  
outras fontes fazendo uma intersecção com o conceito justiça  
informacional, cunhado por Mathiesen (2015), que exige que as  
pessoas sejam tratadas de forma justa, independentemente do  
gênero, como fontes e sujeitos de informação.  
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