A presença do vazio

ma, virginia woolf e o sentido da vida entre silêncios

Autores

Palavras-chave:

Ma. Virginia Woolf. Silêncio. Estética do vazio. Sentido da vida.

Resumo

Este artigo propõe um diálogo entre a estética japonesa do Ma — o Intervalo vivo entre gestos, sons e presenças — e a escrita de Virginia Woolf, marcada pela brevidade, pelas elipses e pelo silêncio como forma expressiva. Ao Investigar como o vazio se torna forma, e como o não-dito estrutura sentidos, o trabalho busca evidenciar que há uma experiência estética e ontológica que resiste à saturação contemporânea por meio da escuta, da pausa e do espaço não preenchido. Mais do que ausência, o vazio aqui é tratado como presença potente, capaz de acolher a densidade do Instante e revelar um modo outro de pensar o sentido da vida: não como resposta, mas como espaço de permanência.

Submissão: 16 mai. 2025 ⊶ Aceite: 16 nov. 2025

Biografia do Autor

Lara Passini Vaz-Tostes, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC/MG

Graduada em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com conclusão em fevereiro de 2022. Foi nomeada ao Prêmio Barão do Rio Branco (Edital 963/2022/SGE-UFMG) e ao Prêmio Messias Pereira Donato (Edital 818/2022/SGE-UFMG).

Desde outubro de 2024, cursa pós-graduação lato sensu em Filosofia e Teoria do Direito pela PUC Minas, aprofundando os diálogos entre ética, linguagem e literatura.

Escritora e pesquisadora independente, desenvolve projetos autorais voltados à representação de sujeitos neurodivergentes e à investigação estética da escuta, com ênfase em autores como Dostoiévski, Kafka e Paul Ricœur.

Tem textos aceitos para publicação em revistas acadêmicas e coletâneas literárias, articulando criação ficcional e reflexão filosófico-literária com foco na empatia, na alteridade e na permanência ética.

Referências

BARTHES, Roland. O império dos signos. Trad. Leyla Perrone-Moisés. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

BEER, Gillian. Virginia Woolf: The Common Ground. Ann Arbor: University of Michigan Press, 1996.

BERMAN, Jessica. Modernist Fiction, Cosmopolitanism and the Politics of Community. Cambridge: Cambridge University Press, 2001.

BERQUE, Augustin. Poétique de la Terre: Histoire naturelle et histoire humaine, essai de mésologie. Paris: Belin, 2013.

CAMUS, Albert. O mito de Sísifo. Trad. Ari Roitman, Paulina Watch. Rio de Janeiro: Record, 2005.

CAVALLARO, Dani. The Anime Art of Hayao Miyazaki. Jefferson: McFarland, 2006.

CIORAN, Emil. Breviário de decomposição. Trad. de José Thomaz Brum. São Paulo: Rocco, 1991.

HAN, Byung-Chul. A sociedade do cansaço. Trad. Enio Paulo Giachin Petrópolis: Vozes, 2017.

ISOZAKI, Arata. Ma: Space-Time In Japan. New York: Cooper-Hewitt Museum, 1979.

MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. Trad. Carlos A. R. de Moura. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

MORTARI, Suzana Maria. A estética da impermanência: tempo e silêncio em Virginia Woolf. Campinas: Unicamp, 2014.

NAPIER, Susan J. Anime from Akira to Howl’s Moving Castle: Experiencing Contemporary Japanese Animation. New York: Palgrave Macmillan, 2005.

NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

OKANO, Mario Jun. Ma: entre espaço da arte e comunicação no Japão. São Paulo: Edusp, 2001.

RICOEUR, Paul. Soi-même comme un autre. Paris: Seuil, 1991.

SUZUKI, Daisetz T. Zen e a cultura japonesa. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

WOOLF, Virginia. A Writer’s Diary. London: Harcourt, 1982.

WOOLF, Virginia. Mrs. Dalloway. Trad. Mário Quintana. São Paulo: Nova Fronteira, 2020.

WOOLF, Virginia. The Waves. London: Penguin Classics, 2000.

WOOLF, Virginia. Ao farol. Trad. Tomaz Tadeu. São Paulo: Autêntica, 2013.

Publicado

30-05-2026

Como Citar

VAZ-TOSTES, Lara Passini. A presença do vazio: ma, virginia woolf e o sentido da vida entre silêncios. A Palo Seco – Escritos de Filosofia e Literatura, São Cristóvão-SE: GeFeLit, n. 20, p. 65–76, 2026. Disponível em: https://ufs.emnuvens.com.br/apaloseco/article/view/n20p65. Acesso em: 10 jun. 2026.