O teatro de Diderot como uma decorrência e aplicação de sua filosofia

Autores

  • Rômulo Titton Dezen Unicamp

Palavras-chave:

Diderot. Teatro realista. Quadro teatral. Teatro Burguês. Iluminismo no teatro.

Resumo

O objetivo deste artigo é analisar a Inter-relação entre a filosofia de Denis Diderot e sua aplicação prática na dramaturgia, explorando como suas ideias filosóficas se traduziram nas peças que escreveu. A partir das reflexões a serem apresentadas, é possível traçar pistas sobre as origens do legado moderno deixado por ele nesse sentido. Fundamentalmente, Diderot defendia uma ruptura com o teatro clássico, propondo um realismo a ser manifestado tanto no teor das peças quanto na encenação. O filósofo via o teatro como uma forma de capturar a verdade íntima dos personagens, utilizando cenas que funcionassem como quadros vivos, nos quais a sutileza dos gestos e a disposição dos atores no palco desempenhavam papéis primordiais. Identifica-se nessa nova abordagem teatral uma tentativa de mesclar elementos das artes plásticas com a dramaturgia, o que acarreta a necessidade de uma reformulação na forma como os textos eram escritos e Interpretados. O trabalho também examina as críticas e resistências que as ideias de Diderot encontraram, especialmente de figuras como a atriz Riccoboni, que defendia uma visão mais pragmática e menos teórica ou filosófica do teatro. Em última análise, o artigo argumenta que as contribuições de Diderot foram fundamentais para o desenvolvimento do realismo teatral e para a evolução da dramaturgia moderna.

Submissão: 16 ago. 2024 ⊶ Aceite: 13 abr. 2025

Referências

ARISTÓTELES. Poética. Tradução de Paulo Pinheiro. São Paulo: Editora 34, 2017.

DEZEN, R. T. Estudo dos dispositivos retóricos em La promenade Vernet de Denis Diderot. Dissertação (Mestrado em Letras) – Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE) – Universidade do Estado de São Paulo. São José do Rio Preto, 2018.

DIDEROT, D.; D’ALEMBERT. Enciclopédia, ou Dicionário razoado das ciências, das artes e dos ofícios. Volume 5: Sociedade e artes. Tradução de Maria das Graças de Souza (org.), Pedro Paulo Pimenta (org.), Fábio Yasoshima, Luís Fernandes do Nascimento e Thomaz Kawauche. São Paulo: Editora Unesp, 2015.

DIDEROT, D.; D’ALEMBERT. Discurso sobre a poesia dramática. Tradução de Franklin de Mattos. São Paulo : Cosac & Naify, 2005

DIDEROT, D.; D’ALEMBERT. Le fils naturel. Paris : Hachette Livre, 2018.

DIDEROT, D.; D’ALEMBERT. Pai de família: uma versão portuguesa do século XVIII. Tradução de Fátima Saadi. 1a ed. São Paulo: Teatro da Universidade de São Paulo TUSP, 2020.

DIDEROT, D.; D’ALEMBERT. Ruines et paysages : III. Salon de 1767. v. 3. Paris: Hermann, 1995.

HAYES, J. Subversion du sujet et querelle du trictrac : le Théâtre de Diderot et sa réception. Recherches sur Diderot et sur l’Encyclopédie, n.6, 1989.

LESSING, G. E. Laocoonte ou sobre as fronteiras da pintura e da poesia: com esclarecimentos ocasionais sobre diferentes pontos da história da arte antiga. Introdução, tradução e notas de Márcio Seligmann-Silva. São Paulo: Iluminuras, 1998.

MAURIÈS, P. Le trompe-l’œil : de l’Antiquité au XXe siècle. Paris: Gallimard, 1996.

RICCOBONI. Carta a Diderot. In: DIDEROT. Discurso sobre a poesia dramática. Tradução de Franklin de Mattos. São Paulo: Cosac & Naify, 2005.

ROUBINE, J-J. Introdução às grandes teorias do teatro. Tradução de André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.

SZONDI, P. Teoria do drama burguês. Tradução de Luiz Sérgio Repa. São Paulo: Cosac Naify, 2004.

Publicado

30-05-2026

Como Citar

TITTON DEZEN, Rômulo. O teatro de Diderot como uma decorrência e aplicação de sua filosofia. A Palo Seco – Escritos de Filosofia e Literatura, São Cristóvão-SE: GeFeLit, n. 20, p. 49–63, 2026. Disponível em: https://ufs.emnuvens.com.br/apaloseco/article/view/n20p49. Acesso em: 17 jun. 2026.

Edição

Seção

Dossiê teatro, filosofia e literatura