A transfiguração na montanha

o espaço sagrado em Manoel Cardoso

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51951/ti.v15i34.p230-245

Palavras-chave:

Taborda. Memória. Sacralização. Autobiografia. Toponímia.

Resumo

Na obra poética A bordo do tempo (1996), Manoel Cardoso, sergipano de Nossa Senhora das Dores, reconstrói o Taborda – espaço geográfico de sua Infância – como um locus sacer, transfigurando-o num eixo simbólico entre o humano e o sagrado ao relacioná-lo com o monte Tabor bíblico. Esse cenário, embora hoje fragmentado pelo tempo, é constantemente resgatado por sua voz lírica, que expressa um sentimento de perda, vacuidade e nostalgia diante da ruptura com uma toponímia à moda paradisíaca que resiste à dilatação espaço-temporal. A partir de uma metodologia de base autobiográfica-memorialista e comparativa-teológica, aliada a uma abordagem dedutivo-indutiva e analítico-interpretativa, este estudo analisa os poemas “II” e “III”, buscando identificar os modos pelos quais o eu-lírico tenta recordar, reconhecer e reviver um passado resguardado, protegido e projetado na memória. Com embasamento teórico em Eliade (1992), Bachelard (1979) e Combe (2010), a pesquisa evidencia como a linguagem poética ressignifica o cenário tabordense, convertendo-o em axis mundi – um espaço sagrado onde o viajante do tempo se sente acolhido, seguro e tranquilo. Assim, a poesia de Cardoso revisita a Infância numa espécie de êxodo lírico rumo à terra sacra.

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Biografia do Autor

Alexandre Batista Paixão, Universidade Federal de Sergipe - UFS

Mestre em Estudos Literários pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Sergipe na condição de bolsista CAPES.

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Publicado

07-08-2025

Como Citar

PAIXÃO, Alexandre Batista. A transfiguração na montanha: o espaço sagrado em Manoel Cardoso. Travessias Interativas, São Cristóvão-SE, v. 15, n. 34, p. 230–245, 2025. DOI: 10.51951/ti.v15i34.p230-245. Disponível em: https://ufs.emnuvens.com.br/Travessias/article/view/n34p230. Acesso em: 15 jan. 2026.